Terça-feira, Janeiro 25, 2005
É todo-poderoso mesmo

O Corinthians foi hexacampeão da Copa São Paulo de Futebol Junior! Foi o segundo título consecutivo. É bom lembrar, pelo menos, dois nomes desta campanha: Dinelson e Elton.
Serviu pra começar o ano bem e pode até ajudar a afastar a uruca do time principal, que já perdeu dois no paulista, que viu o Tevez ir pro hospital com alguma infecção e que tem um monte de gente com virose (o nome genérico pra desarranjo intestinal, que é o genérico de caganeira).
São Paulo, meu amor?
Amanhã São Paulo faz 451 anos. A TV será inundada de matérias sobre as várias faces da cidade, os imigrantes, os migrantes, os velhinhos que dizem não trocar São Paulo por nada, os jovens dizendo que a vida na cidade "ferve", os executivos que fecham negócio, os comilões que lotam restaurantes, os camelôs que vendem bugigangas na 25 de março... Garanto que todos eles dirão que amam São Paulo.
Mas eu nasci aqui já vão fazer 25 anos (ah, meu Deus, estou em crise) e não posso dizer com toda a convicção que amo esta cidade.
Primeiro, eu não tenho origens aqui. Meu pai nasceu aqui. Mas meus avós paternos, não. Um nasceu na Hungria, outra, na Romênia. Minha mãe não nasceu aqui. Nasceu na Bahia, assim como toda a família dela. Só que isso não é desculpa. Eu sou como a maioria do povo dessa cidade, que foi feita por quem imigrou e migrou. Então, se essa não é a desculpa, preciso procurar outras...
Eu acho que eu dizia amar SP até não conhecer a cidade direito. Até uns 16, 17 anos, eu nunca planejaria sair daqui. Quando eu tinha uns 11 anos, meus pais até pensaram em ir pra Brasília. Bati o pé, chorei, e eles nunca mais tocaram no assunto. Pensando bem, foi o melhor que fiz naquela época. Não acho Brasília um lugar legal.
Mas eu ainda estou procurando motivos pra dizer que não, eu não amo São Paulo.
Bom, um deles é a distância absurda que separa os bairros. Especialmente o bairro onde eu moro dos que eu freqüento, tanto para trabalho como para diversão. Levo quase duas horas pra ir pro trabalho. E, quando saio, preciso fazer continhas quando volto - pra saber em quantos minutos o primeiro ônibus que pego me levará ao segundo sem que este segundo ônibus pare de passar, por causa do horário. E a distância ainda vem acompanhada, em muitos casos, de trânsito. Um trânsito que não se consegue prever. De repente, parece que muitos carros brotam na avenida e, pronto, parou tudo. Aí, o tempo que você tinha para chegar adiantada é o mesmo que é gasto para se chegar ou em cima da hora ou, na maioria dos casos, atrasada.
Outro motivo: eu acho São Paulo uma cidade feia. É feia sim. Não adianta me falarem que prédio é bonito. Até porque, quando eu olho os prédios mais suntuosos da cidade, vistosos como o Robocop, eu não consigo deixar de pensar que aquilo, se for ver bem, não é de verdade. Pouca gente tem acesso àqueles prédios e àquela grana que sai e entra naqueles prédios. Tudo bem, existem exceções. Andei pelo centro no domingo à noite, saindo de uma peça de teatro. Naquele momento, achei a cidade bonita. O prédio do CCBB, o Viaduto do Chá, o Teatro Municipal iluminado... Mas, foi só virar a esquina da Xavier de Toledo para ver a sujeira nas calçadas, e os prédios caindo aos pedaços.
E outra coisa: aqui pode até ser a terra das oportunidades. Mas adianta pouco ter as ditas oportunidades de trabalho e depois não ter qualidade de vida. Trabalha-se muito, aproveita-se pouco. Prova disso é o desespero que bate em todos na época de feriado: estradas lotadas, congestionamento lá também. Pouca gente se atreve a ficar na cidade durante os feriados.
Na realidade, estou desiludida com esta cidade. Ela pode até ser grata com os que trabalham, como diz meu tio. Mas, puxa, eu não aguento mais trabalhar e esperar só gratidão. Quero qualidade de vida, tranqüilidade. E isso não é sinônimo de moleza. É escolha de quem quer, pelo menos, tentar ser feliz.
***
Pra não ficar só com este tom amargo no aniversário da cidade: tem coisas que eu também adoro aqui. Pastel de feira, Santa Ifigênia, coxinha de frango da Haydée e do Frangó, o Corinthians, zoar de palmeirenses, o Ira!, o Itaú Cultural, o Centro Cultural, a Paulista, o escadão da Cásper, os sebos, as Fnacs e Livrarias Culturas, a feirinha da República (mesmo decadente), o Cachoeira Tropical, o pico do Jaraguá, os Mcs e Burger King, os cinemas, as estradas (q nos levam pra longe, hehehehe) e os sescs, especialmente o Sesc Pompéia. Muitos deles bons, ótimos. Além do Sesc ser especial, abrir espaço para coisas experimentais, gente boa de rock, mpb boa e música pernambucana, ele está perto da minha casa. Perto assim, 20 minutos de ônibus (ou 15) de minha casa. Eu fico muito feliz quando sei que vai ter show lá.
Pois é. Se um dia eu for embora de São Paulo, sentirei falta dos meus amigos, do Sesc Pompéia e da Paulista. Com toda a pieguice do mundo: meu coração está nestes lugares.
Tá, não consegui resistir. Eu amo São Paulo sim. Mas não é doentio... (ou é?)
Mas eu nasci aqui já vão fazer 25 anos (ah, meu Deus, estou em crise) e não posso dizer com toda a convicção que amo esta cidade.
Primeiro, eu não tenho origens aqui. Meu pai nasceu aqui. Mas meus avós paternos, não. Um nasceu na Hungria, outra, na Romênia. Minha mãe não nasceu aqui. Nasceu na Bahia, assim como toda a família dela. Só que isso não é desculpa. Eu sou como a maioria do povo dessa cidade, que foi feita por quem imigrou e migrou. Então, se essa não é a desculpa, preciso procurar outras...
Eu acho que eu dizia amar SP até não conhecer a cidade direito. Até uns 16, 17 anos, eu nunca planejaria sair daqui. Quando eu tinha uns 11 anos, meus pais até pensaram em ir pra Brasília. Bati o pé, chorei, e eles nunca mais tocaram no assunto. Pensando bem, foi o melhor que fiz naquela época. Não acho Brasília um lugar legal.
Mas eu ainda estou procurando motivos pra dizer que não, eu não amo São Paulo.
Bom, um deles é a distância absurda que separa os bairros. Especialmente o bairro onde eu moro dos que eu freqüento, tanto para trabalho como para diversão. Levo quase duas horas pra ir pro trabalho. E, quando saio, preciso fazer continhas quando volto - pra saber em quantos minutos o primeiro ônibus que pego me levará ao segundo sem que este segundo ônibus pare de passar, por causa do horário. E a distância ainda vem acompanhada, em muitos casos, de trânsito. Um trânsito que não se consegue prever. De repente, parece que muitos carros brotam na avenida e, pronto, parou tudo. Aí, o tempo que você tinha para chegar adiantada é o mesmo que é gasto para se chegar ou em cima da hora ou, na maioria dos casos, atrasada.
Outro motivo: eu acho São Paulo uma cidade feia. É feia sim. Não adianta me falarem que prédio é bonito. Até porque, quando eu olho os prédios mais suntuosos da cidade, vistosos como o Robocop, eu não consigo deixar de pensar que aquilo, se for ver bem, não é de verdade. Pouca gente tem acesso àqueles prédios e àquela grana que sai e entra naqueles prédios. Tudo bem, existem exceções. Andei pelo centro no domingo à noite, saindo de uma peça de teatro. Naquele momento, achei a cidade bonita. O prédio do CCBB, o Viaduto do Chá, o Teatro Municipal iluminado... Mas, foi só virar a esquina da Xavier de Toledo para ver a sujeira nas calçadas, e os prédios caindo aos pedaços.
E outra coisa: aqui pode até ser a terra das oportunidades. Mas adianta pouco ter as ditas oportunidades de trabalho e depois não ter qualidade de vida. Trabalha-se muito, aproveita-se pouco. Prova disso é o desespero que bate em todos na época de feriado: estradas lotadas, congestionamento lá também. Pouca gente se atreve a ficar na cidade durante os feriados.
Na realidade, estou desiludida com esta cidade. Ela pode até ser grata com os que trabalham, como diz meu tio. Mas, puxa, eu não aguento mais trabalhar e esperar só gratidão. Quero qualidade de vida, tranqüilidade. E isso não é sinônimo de moleza. É escolha de quem quer, pelo menos, tentar ser feliz.
***
Pra não ficar só com este tom amargo no aniversário da cidade: tem coisas que eu também adoro aqui. Pastel de feira, Santa Ifigênia, coxinha de frango da Haydée e do Frangó, o Corinthians, zoar de palmeirenses, o Ira!, o Itaú Cultural, o Centro Cultural, a Paulista, o escadão da Cásper, os sebos, as Fnacs e Livrarias Culturas, a feirinha da República (mesmo decadente), o Cachoeira Tropical, o pico do Jaraguá, os Mcs e Burger King, os cinemas, as estradas (q nos levam pra longe, hehehehe) e os sescs, especialmente o Sesc Pompéia. Muitos deles bons, ótimos. Além do Sesc ser especial, abrir espaço para coisas experimentais, gente boa de rock, mpb boa e música pernambucana, ele está perto da minha casa. Perto assim, 20 minutos de ônibus (ou 15) de minha casa. Eu fico muito feliz quando sei que vai ter show lá.
Pois é. Se um dia eu for embora de São Paulo, sentirei falta dos meus amigos, do Sesc Pompéia e da Paulista. Com toda a pieguice do mundo: meu coração está nestes lugares.
Tá, não consegui resistir. Eu amo São Paulo sim. Mas não é doentio... (ou é?)
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
Coisas que, ditas (ou escritas, ou pensadas) por mim, perdem a validade:
- Esta será minha última tentativa
- Eu não vou mais ter recaídas
- Dessa vez, é definitivo
- Eu nunca mais faço isso (sempre acompanhada da primeira frase citada)
- Vai ser minha última cartada (geralmente, na intenção de que algo ocorra)
- Claro, amanhã eu vejo isso sem falta
- Não vou esquecer
- Vou chegar na hora
- É pertinho. Não tem como eu atrasar.
- Acho que é por aqui... (ao indicar uma rua)
- Em 15 minutos a gente chega (na minha cabeça, todos os lugares estão a 15 minutos de distância. Mesmo que eu saiba que eu não chego a lugar nenhum nesse tempo)
E, finalmente,
- Eu não vou divulgar este blog.
** Este post é especial para a minha amiga Aline, que sempre ouve estas resoluções. E que, sensatamente, nunca acredita em nenhuma delas.
- Eu não vou mais ter recaídas
- Dessa vez, é definitivo
- Eu nunca mais faço isso (sempre acompanhada da primeira frase citada)
- Vai ser minha última cartada (geralmente, na intenção de que algo ocorra)
- Claro, amanhã eu vejo isso sem falta
- Não vou esquecer
- Vou chegar na hora
- É pertinho. Não tem como eu atrasar.
- Acho que é por aqui... (ao indicar uma rua)
- Em 15 minutos a gente chega (na minha cabeça, todos os lugares estão a 15 minutos de distância. Mesmo que eu saiba que eu não chego a lugar nenhum nesse tempo)
E, finalmente,
- Eu não vou divulgar este blog.
** Este post é especial para a minha amiga Aline, que sempre ouve estas resoluções. E que, sensatamente, nunca acredita em nenhuma delas.
Sábado, Janeiro 22, 2005
Várias, muitas coisas - parte 2
No começo desta semana também, por algumas horas, eu estava crente que ia ver, pela primeira vez, um show do Almir Sater. Eu só queria ver o preço do show do Chico César que aconteceu hoje. Mas vi, no site do Sesc, o anúncio que o show do Almir Sater também seria hoje, no Sesc Pinheiros. Ansiedade. Emoção. Eu já ia mesmo passar no sesc Pompéia. Primeiro, com a intenção de comprar ingressos pro Chico César. Agora, com o firme objetivo de ir pro show do Almir Sater. Mobilizei amigos, prometi até pra minha mãe.
O caminho pro sesc também foi emocionante. Chalana, Boiadeiro, Tocando em Frente... Eu repassava todas as músicas na cabeça e já me imaginava no teatro do Sesc Pinheiros.
Antes, abre parêntese: (como foi possível perceber nos parágrafos acima, eu adoro Almir Sater. Sim, adoro mesmo. Não tenho vergonha de dizer. Ao lado de um homem desses, eu ia pro meio do Pantanal, aprendia a remar em chalana, ia ser alvo permanente de mosquitos e viver rodeada de jacarés, sucuris e tuiuius, mas tudo isso com um sorriso no rosto!!!! Tá certo, essa fixação é exagero. Mas é bem capaz que eu chore no dia que eu vir um show dele. Fecha parêntese).
Pois é. Estava chegando o dia que eu ia ver o grande Almir. Cheguei com todas as minhas esperanças ao balcão do Sesc Pompéia.
- Por favor, eu queria ingressos pro show do Almir Sater, no Sesc Pinheiros.
Com um olhar no relógio e outro na unha (a menina devia ter marcado manicure pro dia seguinte), a atendente respondeu:
- Não tem mais.
- Como?
- Acabou desde terça passada.
- Sério?
- Sim.
- Mas não tem nenhum mesmo? Nem fila de espera? Nem pra sentar no chão?
Claro que não tinha. Quase chorei no balcão. Fiquei com vontade de sacudir a atendente e gritar "POR FAVOR, EU PRECIIIISO VER ESSE SHOW". Mas, obviamente, não fiz isso. (Por que a gente sempre tem ímpetos de agir como louca? O que, só eu tenho isso?). Me contentei em comprar um pro Chico César e Carlos Careqa. Eu adoro o Chico César. Ele fez uma música que estará na história da minha vida para todo o sempre. Ele podia até cantar axé, que sempre estaria entre os meus preferidos por causa desta música (a história eu conto outro dia). O Carlos Careqa eu só conhecia de uma música, gravada no primeiro CD da Rita Ribeiro: Cortei o Dedo. É uma das mais tristes daquele CD, mas é também muito bonita.
Pra não perder a viagem, foram ingressos pra mim, pra uma amiga, pra minha mãe e pra uma vizinha nossa, que fez companhia pra minha mãe. Foi inclusive a "estréia" da minha mãe em shows - ela adorou e perguntou quando vai ter mais, o que foi ótimo.
É divertido o Carlos Careqa. Devia fazer mais shows. E o Chico, ah, eu adoro aquele pigmeu. Cortou os cabelos de abacaxi, está até discreto. Cantou muita coisa antiga, como Mama África, Sirimbó, Mand'Ela... E também a novíssima Eu Odeio Rodeio. Ótima, ótima, ótima. Deve ter já no Google. Estou com preguiça de procurar agora.
Putz, como esse post ficou em clima de "querido diário". Preciso lembrar de histórias mais legais. Senão, vou acabar contando aqui que acordei, fui no banheiro, tentei, mas não consegui fazer o no. 2. Afe. Bom, agora, o sono não me deixará fazer mais nada.
Achei que tinha mais várias e muitas coisas pra escrever. Deixa pra lá.
O caminho pro sesc também foi emocionante. Chalana, Boiadeiro, Tocando em Frente... Eu repassava todas as músicas na cabeça e já me imaginava no teatro do Sesc Pinheiros.
Antes, abre parêntese: (como foi possível perceber nos parágrafos acima, eu adoro Almir Sater. Sim, adoro mesmo. Não tenho vergonha de dizer. Ao lado de um homem desses, eu ia pro meio do Pantanal, aprendia a remar em chalana, ia ser alvo permanente de mosquitos e viver rodeada de jacarés, sucuris e tuiuius, mas tudo isso com um sorriso no rosto!!!! Tá certo, essa fixação é exagero. Mas é bem capaz que eu chore no dia que eu vir um show dele. Fecha parêntese).
Pois é. Estava chegando o dia que eu ia ver o grande Almir. Cheguei com todas as minhas esperanças ao balcão do Sesc Pompéia.
- Por favor, eu queria ingressos pro show do Almir Sater, no Sesc Pinheiros.
Com um olhar no relógio e outro na unha (a menina devia ter marcado manicure pro dia seguinte), a atendente respondeu:
- Não tem mais.
- Como?
- Acabou desde terça passada.
- Sério?
- Sim.
- Mas não tem nenhum mesmo? Nem fila de espera? Nem pra sentar no chão?
Claro que não tinha. Quase chorei no balcão. Fiquei com vontade de sacudir a atendente e gritar "POR FAVOR, EU PRECIIIISO VER ESSE SHOW". Mas, obviamente, não fiz isso. (Por que a gente sempre tem ímpetos de agir como louca? O que, só eu tenho isso?). Me contentei em comprar um pro Chico César e Carlos Careqa. Eu adoro o Chico César. Ele fez uma música que estará na história da minha vida para todo o sempre. Ele podia até cantar axé, que sempre estaria entre os meus preferidos por causa desta música (a história eu conto outro dia). O Carlos Careqa eu só conhecia de uma música, gravada no primeiro CD da Rita Ribeiro: Cortei o Dedo. É uma das mais tristes daquele CD, mas é também muito bonita.
Pra não perder a viagem, foram ingressos pra mim, pra uma amiga, pra minha mãe e pra uma vizinha nossa, que fez companhia pra minha mãe. Foi inclusive a "estréia" da minha mãe em shows - ela adorou e perguntou quando vai ter mais, o que foi ótimo.
É divertido o Carlos Careqa. Devia fazer mais shows. E o Chico, ah, eu adoro aquele pigmeu. Cortou os cabelos de abacaxi, está até discreto. Cantou muita coisa antiga, como Mama África, Sirimbó, Mand'Ela... E também a novíssima Eu Odeio Rodeio. Ótima, ótima, ótima. Deve ter já no Google. Estou com preguiça de procurar agora.
Putz, como esse post ficou em clima de "querido diário". Preciso lembrar de histórias mais legais. Senão, vou acabar contando aqui que acordei, fui no banheiro, tentei, mas não consegui fazer o no. 2. Afe. Bom, agora, o sono não me deixará fazer mais nada.
Achei que tinha mais várias e muitas coisas pra escrever. Deixa pra lá.
Várias, muitas coisas
Não consigo escrever durante a semana. Por causa disso, várias coisas acumularam. E essa semana foi até atípica por ser uma semana de janeiro, aconteceram várias, muitas coisas.
***
No dia 17, morreu o Bezerra da Silva. O coitado estava mal desde outubro. Disseram até que estava devendo para o hospital. A mulher dele disse aos jornais que ele descansou depois de tanto sofrimento. Deve ter descansado mesmo. Mas foi um fim triste (aliás, como todos os fins. Final feliz, só em filme de sessão da tarde). Nessa semana, o povo só lembrou da música "Malandragem dá um tempo", com o oportuno trecho "vou apertar, mas não vou acender agora". Foi o maior sucesso do Bezerra, também por causa da regravação do Barão Vermelho. Mas, na minha opinião, está longe de ser a música mais divertida dele. E bom humor foi coisa abundante na maioria das músicas do Bezerra. Quer coisa melhor que "seqüestraram minha sogra / bem-feito pro seqüestrador / ao invés de eu pagar o resgate / foi ele quem me pagou"? Felizmente, o politicamente correto não esteve nas mais engraçadas músicas do Bezerra. Aliás, humor e ironia nada tem a ver com a chatice dos politicamente corretos. E os duplos sentidos com produtos altamente consumidos? "Tem coca aí na geladeira", "É cocada boa, iaiá". Tem ainda as músicas do defunto cagüete, do inocente que plantou uma erva estranha no quintal... Pô, esse bom humor vai fazer muita falta. Isso só me fez lembrar uma coisa que digo sempre: só existe malandro no mundo porque existe trouxa. Trouxa é combustível de malandro.
Ah! O velhinho morreu no dia 17/1. A primeira pessoa que vi fazer essa associação foi em um grupo no Orkut. O Bezerra passou o 171 até na morte.
***
No dia 17, morreu o Bezerra da Silva. O coitado estava mal desde outubro. Disseram até que estava devendo para o hospital. A mulher dele disse aos jornais que ele descansou depois de tanto sofrimento. Deve ter descansado mesmo. Mas foi um fim triste (aliás, como todos os fins. Final feliz, só em filme de sessão da tarde). Nessa semana, o povo só lembrou da música "Malandragem dá um tempo", com o oportuno trecho "vou apertar, mas não vou acender agora". Foi o maior sucesso do Bezerra, também por causa da regravação do Barão Vermelho. Mas, na minha opinião, está longe de ser a música mais divertida dele. E bom humor foi coisa abundante na maioria das músicas do Bezerra. Quer coisa melhor que "seqüestraram minha sogra / bem-feito pro seqüestrador / ao invés de eu pagar o resgate / foi ele quem me pagou"? Felizmente, o politicamente correto não esteve nas mais engraçadas músicas do Bezerra. Aliás, humor e ironia nada tem a ver com a chatice dos politicamente corretos. E os duplos sentidos com produtos altamente consumidos? "Tem coca aí na geladeira", "É cocada boa, iaiá". Tem ainda as músicas do defunto cagüete, do inocente que plantou uma erva estranha no quintal... Pô, esse bom humor vai fazer muita falta. Isso só me fez lembrar uma coisa que digo sempre: só existe malandro no mundo porque existe trouxa. Trouxa é combustível de malandro.
Ah! O velhinho morreu no dia 17/1. A primeira pessoa que vi fazer essa associação foi em um grupo no Orkut. O Bezerra passou o 171 até na morte.
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Hoje é dia de Maria
É. Só vou conseguir postar algo depois de ver o capítulo de Hoje é Dia de Maria.
Deixa eu ir que já começou.
Deixa eu ir que já começou.
Sábado, Janeiro 15, 2005
A história do pôster
Pois é, por pelo menos 2 anos de minha adolescência eu era fanática por vôlei e, principalmente, pelos jogadores da geração de ouro (a primeira, a de 1992).
Mas eu ainda não tinha um pôster grande pra pendurar no meu quarto.
(É muito importante lembrar disso).
Durante as férias, sempre viajávamos para o interior da Bahia, visitar meus avós e os milhaares de parentes da família de minha mãe. É uma cidade pequena, com uma rua principal e um eficiente serviço de comunicação baseado no telefone sem fio. Ou na fofoca. Mas isso não vem ao caso agora.
Na adolescência, essas viagens eram um martírio para mim. Era bom rever a família, mas, no meio de 5 primos homens (passando da adolescência pra fase adulta) eu não tinha tanta companhia pra sair, conversar, falar quem era bonito ou feio. Mas, quando eu tinha de 13 pra 14 anos, passaram as férias por lá também duas meninas de Brasília, que eram irmãs e amigas de um outro primo meu. Achei ótimo. Eu tinha com quem conversar, já que as rotinas eram parecidas, e eu sempre saía pra dar voltas com elas. A irmã mais nova arrumou um namorado lá, que trabalhava em uma farmácia da família. E todos os dias íamos pra essa farmácia.
Um dia, um irmão desse cara apareceu na farmácia e entrou na conversa também. Cheio de roncar papo que tinha trabalhado em São Paulo e coisa e tal. Começou a contar que revirava a cidade inteira. Que se virava sozinho. Que trabalhou muito. Que trabalhou na gráfica da Abril. E que até pegou um monte de pôsteres de uma seleção de vôlei e distribuiu para os amigos.
Até então, a minha atenção estava mais voltada para o pé de manga em frente à farmácia do que para o cidadão. Mas a junção das palavras "abril", "pôsteres" e "vôlei" deve ter arregalado meus olhos.
- O que, você pegou pôsteres da seleção de vôlei quando trabalhava na Abril?
- Sim.
- Quantos?
- Ah, devem ter sido uns 5.
- Você não tem mais nenhum???
- Não, dei todos.
- Pra quem?
- Alguns ficaram lá em SP. Mas trouxe um aqui pra Bahia também, está na parede de um amigo que trabalha numa borracharia...
- BORRACHARIA????
O pôster da seleção de vôlei medalha de ouro em Barcelona estava sim em uma borracharia. Sim, aquele lugar aonde a gente só acha que vai encontrar foto de mulher pelada.
- Aonde fica essa borracharia?
- É logo ali na entrada da cidade... O que, você vai lá???
Não só eu fui, como foram também as duas meninas de Brasília. Eu, indignada. "Borracharia??? ISSO lá é lugar de ter um pôster da seleção de vôlei??? Lugar de pôster da seleção de vôlei é no MEU quarto". As meninas, provavelmente, estavam curiosas pra ver que fim ia ter aquele impulso.
Pequena, a borracharia tinha, na parede direita, um quadro do Vasco da Gama. Na parede esquerda, o meu sonho de consumo naquele momento. Com preguinhos e até teias de aranha, meus meninos eram testemunhas da entrada e saída de pneus, da graxa, da entrada de carros na cidade.
Respirei fundo e comecei a negociação. Hm, negociação não é bem a palavra. Comecei a insistência.
- Olha, eu soube que esse pôster foi um presente... Mas é que eu sou muito, muito fã da seleção de vôlei, esses pôsteres acabaram rapidinho, não consegui nem pra mim...
- ...
- Por favor, você não quer me dar esse pôster??
- ...
- Desde quando pôster de vôlei combina com borracharia??
- !!!!
Ao perceber a inconveniência da última frase dita, quase comecei a chorar. Pensei em arrancar o pedaço de papel e sair correndo. Mas hoje vejo que foi melhor não: eu ia ganhar a fama de louca. Foi quando passei os olhos pela outra parede da borracharia. Reparei direito no quadro do Vasco.
- Se você me der este pôster, eu te dou um do Vasco
- ????
- É verdade. Eu venho quase todo ano aqui, meus avós moram aqui, tenho parentes aqui também, é só você perguntar. E, se você me der este pôster, eu te trago, de São Paulo, um pôster do Vasco.
Resignado, o borracheiro começou a tirar os preguinhos que seguravam o pôster na parede aos poucos, com um desânimo que só. Tirou e me deu, finalmente. Nem eu acreditei que toda aquela lábia tinha surtido efeito. Era o meu prêmio! Empoeiradinho, furado, até meio amassado. Mas ia pra minha casa, longe da parede de uma borracharia!
Ao chegar em São Paulo, mandei enquadrá-lo (náo em moldura de vidro, mas naquelas de madeira mesmo, simples). Coloquei no meu quarto, onde ele está até hoje. Troquei de quarto, pintamos paredes, mas ele continuou. O Zé Roberto já tem cabelos brancos, o Tande quase não tem cabelos, o Carlão virou comentarista da ESPN, o Pampa quer virar político, o Maurício era até pouquíssimo tempo o melhor levantador do mundo e o Giovane continua lindo. Mas, no meu quarto, eles estarão sempre como os campeões olímpicos, os primeiros a ganhar medalha de ouro em esporte coletivo no Brasil, a seleção surpresa do torneio. Até a gafe de deixar a bandeira do Brasil de ponta-cabeça ficou registrada. Mas isso não tem a menor importância. Já faz quase 12 anos que este pôster está em casa. E não é isso que vai fazer com que eu o tire tão cedo de minha parede.
Ah! E eu não dei um migué no borracheiro. Voltei pra S. Paulo, soube que o Vasco tinha sido campeão de alguma coisa, fui à banca e comprei o pôster do time carioca. Nem fui eu quem levei, deve ter sido o meu tio. Segundo ele, o cara ficou felicíssimo e imediatamente pregou o time no espaço que ficou vago com a "saída" da seleção de vôlei.
E tudo ficou no seu devido lugar!!!!
Não é que eu lembrei de tudo????
Mas eu ainda não tinha um pôster grande pra pendurar no meu quarto.
(É muito importante lembrar disso).
Durante as férias, sempre viajávamos para o interior da Bahia, visitar meus avós e os milhaares de parentes da família de minha mãe. É uma cidade pequena, com uma rua principal e um eficiente serviço de comunicação baseado no telefone sem fio. Ou na fofoca. Mas isso não vem ao caso agora.
Na adolescência, essas viagens eram um martírio para mim. Era bom rever a família, mas, no meio de 5 primos homens (passando da adolescência pra fase adulta) eu não tinha tanta companhia pra sair, conversar, falar quem era bonito ou feio. Mas, quando eu tinha de 13 pra 14 anos, passaram as férias por lá também duas meninas de Brasília, que eram irmãs e amigas de um outro primo meu. Achei ótimo. Eu tinha com quem conversar, já que as rotinas eram parecidas, e eu sempre saía pra dar voltas com elas. A irmã mais nova arrumou um namorado lá, que trabalhava em uma farmácia da família. E todos os dias íamos pra essa farmácia.
Um dia, um irmão desse cara apareceu na farmácia e entrou na conversa também. Cheio de roncar papo que tinha trabalhado em São Paulo e coisa e tal. Começou a contar que revirava a cidade inteira. Que se virava sozinho. Que trabalhou muito. Que trabalhou na gráfica da Abril. E que até pegou um monte de pôsteres de uma seleção de vôlei e distribuiu para os amigos.
Até então, a minha atenção estava mais voltada para o pé de manga em frente à farmácia do que para o cidadão. Mas a junção das palavras "abril", "pôsteres" e "vôlei" deve ter arregalado meus olhos.
- O que, você pegou pôsteres da seleção de vôlei quando trabalhava na Abril?
- Sim.
- Quantos?
- Ah, devem ter sido uns 5.
- Você não tem mais nenhum???
- Não, dei todos.
- Pra quem?
- Alguns ficaram lá em SP. Mas trouxe um aqui pra Bahia também, está na parede de um amigo que trabalha numa borracharia...
- BORRACHARIA????
O pôster da seleção de vôlei medalha de ouro em Barcelona estava sim em uma borracharia. Sim, aquele lugar aonde a gente só acha que vai encontrar foto de mulher pelada.
- Aonde fica essa borracharia?
- É logo ali na entrada da cidade... O que, você vai lá???
Não só eu fui, como foram também as duas meninas de Brasília. Eu, indignada. "Borracharia??? ISSO lá é lugar de ter um pôster da seleção de vôlei??? Lugar de pôster da seleção de vôlei é no MEU quarto". As meninas, provavelmente, estavam curiosas pra ver que fim ia ter aquele impulso.
Pequena, a borracharia tinha, na parede direita, um quadro do Vasco da Gama. Na parede esquerda, o meu sonho de consumo naquele momento. Com preguinhos e até teias de aranha, meus meninos eram testemunhas da entrada e saída de pneus, da graxa, da entrada de carros na cidade.
Respirei fundo e comecei a negociação. Hm, negociação não é bem a palavra. Comecei a insistência.
- Olha, eu soube que esse pôster foi um presente... Mas é que eu sou muito, muito fã da seleção de vôlei, esses pôsteres acabaram rapidinho, não consegui nem pra mim...
- ...
- Por favor, você não quer me dar esse pôster??
- ...
- Desde quando pôster de vôlei combina com borracharia??
- !!!!
Ao perceber a inconveniência da última frase dita, quase comecei a chorar. Pensei em arrancar o pedaço de papel e sair correndo. Mas hoje vejo que foi melhor não: eu ia ganhar a fama de louca. Foi quando passei os olhos pela outra parede da borracharia. Reparei direito no quadro do Vasco.
- Se você me der este pôster, eu te dou um do Vasco
- ????
- É verdade. Eu venho quase todo ano aqui, meus avós moram aqui, tenho parentes aqui também, é só você perguntar. E, se você me der este pôster, eu te trago, de São Paulo, um pôster do Vasco.
Resignado, o borracheiro começou a tirar os preguinhos que seguravam o pôster na parede aos poucos, com um desânimo que só. Tirou e me deu, finalmente. Nem eu acreditei que toda aquela lábia tinha surtido efeito. Era o meu prêmio! Empoeiradinho, furado, até meio amassado. Mas ia pra minha casa, longe da parede de uma borracharia!
Ao chegar em São Paulo, mandei enquadrá-lo (náo em moldura de vidro, mas naquelas de madeira mesmo, simples). Coloquei no meu quarto, onde ele está até hoje. Troquei de quarto, pintamos paredes, mas ele continuou. O Zé Roberto já tem cabelos brancos, o Tande quase não tem cabelos, o Carlão virou comentarista da ESPN, o Pampa quer virar político, o Maurício era até pouquíssimo tempo o melhor levantador do mundo e o Giovane continua lindo. Mas, no meu quarto, eles estarão sempre como os campeões olímpicos, os primeiros a ganhar medalha de ouro em esporte coletivo no Brasil, a seleção surpresa do torneio. Até a gafe de deixar a bandeira do Brasil de ponta-cabeça ficou registrada. Mas isso não tem a menor importância. Já faz quase 12 anos que este pôster está em casa. E não é isso que vai fazer com que eu o tire tão cedo de minha parede.
Ah! E eu não dei um migué no borracheiro. Voltei pra S. Paulo, soube que o Vasco tinha sido campeão de alguma coisa, fui à banca e comprei o pôster do time carioca. Nem fui eu quem levei, deve ter sido o meu tio. Segundo ele, o cara ficou felicíssimo e imediatamente pregou o time no espaço que ficou vago com a "saída" da seleção de vôlei.
E tudo ficou no seu devido lugar!!!!
Não é que eu lembrei de tudo????
Leão do Norte
O mundo fica melhor depois de um show muito bom. A gente acha que tudo pode ter solução.
O show que encheu meus ouvidos hoje foi o da Orquestra Manguefônica, com Nação Zumbi e Mundo Livre S/A tocando juntos. Com 2 bis ao final. (Bis tem plural? Seria "bises"??). Muito bom mesmo. Parte da minha viagem ao Recife devo a eles, pelo fato de terem sido os precursores da vida cultural da cidade. Pode ser viagem sem embasamento. Mas, sem eles, sem o Mangue Beat (ou Bit?) e sem o manifesto dos Caranguejos com Cérebro, será que existiriam depois Mestre Ambrósio, Chão e Chinelo, Cordel do Fogo Encantado? O Mombojó (q nunca ouvi) seria a "banda-revelação" de 2004?
Será que o carnaval no Recife antigo seria como é atualmente? Haveria, em São Paulo, tantas pessoas (como eu) com blusinha da bandeira de Pernambuco?
Será que até mesmo Alceu Valença teria os mesmos fãs?? (Bom, o Alceu, talvez sim)
Viagens, viagens...
***
Esse fim de semana será para convalescer da gripe e para me livrar dessa incômoda voz fanha.
***
Amanhã: a historinha do pôster no meu quarto. É divertida. Será que eu lembro ainda de todos os detalhes? O q eu não lembrar, eu invento :)
O show que encheu meus ouvidos hoje foi o da Orquestra Manguefônica, com Nação Zumbi e Mundo Livre S/A tocando juntos. Com 2 bis ao final. (Bis tem plural? Seria "bises"??). Muito bom mesmo. Parte da minha viagem ao Recife devo a eles, pelo fato de terem sido os precursores da vida cultural da cidade. Pode ser viagem sem embasamento. Mas, sem eles, sem o Mangue Beat (ou Bit?) e sem o manifesto dos Caranguejos com Cérebro, será que existiriam depois Mestre Ambrósio, Chão e Chinelo, Cordel do Fogo Encantado? O Mombojó (q nunca ouvi) seria a "banda-revelação" de 2004?
Será que o carnaval no Recife antigo seria como é atualmente? Haveria, em São Paulo, tantas pessoas (como eu) com blusinha da bandeira de Pernambuco?
Será que até mesmo Alceu Valença teria os mesmos fãs?? (Bom, o Alceu, talvez sim)
Viagens, viagens...
***
Esse fim de semana será para convalescer da gripe e para me livrar dessa incômoda voz fanha.
***
Amanhã: a historinha do pôster no meu quarto. É divertida. Será que eu lembro ainda de todos os detalhes? O q eu não lembrar, eu invento :)
Quinta-feira, Janeiro 13, 2005
Vitamina C
Coriza, dor na testa, olhos lacrimejando, dor de garganta, dor no peito.
Garoa fina, garoa grossa, chuviscos, chuva, chuva forte, garoa, garoa fina.
Guarda-chuva na mão, guarda-chuva aberto, guarda-chuva fechado, aberto de novo e às pressas, guarda-chuva molhado, na mão.
Tosse, tosse, tosse.
Corrida pra pegar ônibus, olho grande em quem pode sair do lugar onde está sentado, ajeitar bolsas, ajeitar coisas que estão na mão, equilibrar o corpo com as freiadas.
Mais tosse, peso no rosto, nariz entupido e testa pesada.
São Paulo é muito mais ingrata com quem está com gripe.
Garoa fina, garoa grossa, chuviscos, chuva, chuva forte, garoa, garoa fina.
Guarda-chuva na mão, guarda-chuva aberto, guarda-chuva fechado, aberto de novo e às pressas, guarda-chuva molhado, na mão.
Tosse, tosse, tosse.
Corrida pra pegar ônibus, olho grande em quem pode sair do lugar onde está sentado, ajeitar bolsas, ajeitar coisas que estão na mão, equilibrar o corpo com as freiadas.
Mais tosse, peso no rosto, nariz entupido e testa pesada.
São Paulo é muito mais ingrata com quem está com gripe.
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u48719.shtml
Isso responde à minha pergunta. SBT e Globo afirmam ter os direitos sobre Bufo & Spallanzani.
Mas só deu 9 pontos contra 32 de Avassaladoras (aquela porcaria). Que pena.
Isso responde à minha pergunta. SBT e Globo afirmam ter os direitos sobre Bufo & Spallanzani.
Mas só deu 9 pontos contra 32 de Avassaladoras (aquela porcaria). Que pena.
Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
Por que?
Por que Bufo & Spallanzani passou ontem (04) no SBT se estava programado para passar hoje (05) na Globo?
Ninguém me respondeu essa pergunta ainda.
Ninguém me respondeu essa pergunta ainda.
Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
Furacão
Também sempre gostei de futebol. Sou corintiana, mas não posso me dizer fanática em comparação com a torcida imensa que vai a estádios. Nunca fui a um estádio. Mas sempre defendi muito meu time. E, claro: sempre zoei de palmeirenses.
Como torcedora, eu arrisco meus palpites sobre escalação e contratações. Também vejo com desconfiança a contratação do Tevez. Quem eu queria mesmo que vestisse o uniforme do meu folclórico Timão é o Washington, o artilheiro dos 34 gols nesse Brasileirão.
Por causa dele, eu torci muito para o Atlético Paranaense ser campeão nesse ano. Era emocionante vê-lo marcar gols e comemorar batendo a mão no peito, do lado esquerdo, lá onde ele foi operado para desobstruir duas artérias. Isso depois de conviver com a diabetes e de ter quebrado a perna umas duas vezes. E depois dele ter ficado um ano e dois meses parado. Foi dispensado do Fenerbahce quando os turcos descobriram seu problema cardíaco. Treinou meses sozinho no Paraná, depois de fazer um contrato de risco de apenas 6 meses.
Quando estreou no Atlético, foi cercado por uma ampla estrutura médica, que agiu com discrição para não assustá-lo. E marcou gols, mais gols... Viu seu time liderar rodadas já na fase final do Brasileiro. Disse até que trocaria a artilharia pelo título. Lindo, lindo.
Até que o Atlético cedeu um empate patético para o já rebaixado Grêmio, a 3 ou 4 rodadas do final do Campeonato. Estava 3 a 0. Absolutos na segundona, os gaúchos conseguiram reverter o placar para 3 a 3. O time de Washington perdeu preciosos 2 pontos que poderiam aumentar sua dianteira do Santos. Até que chegou o fatídico jogo contra o Vasco, no São Januário e na penúltima rodada do campeonato. A torcida paranaense só entrou na metade do 2o tempo, quando Petkovic já tinha acabado com o sonho do Atlético e de Washington. O resultado livrou o time carioca do rebaixamento e jogou uma pá de cal no que poderia ser a festa do título dos rubro negros. Naquela mesma rodada, o Santos ganhou do São Caetano e assumiu a liderança. Agora, o Santos virou o favorito absoluto. Apenas um empate já daria o título ao clube. E o adversário da última rodada, vejam só quem era: o Vasco. O mesmo time que caiu babando no Atlético. E o mesmo time do duvidoso Eurico Miranda.
Eu fiquei com raiva nesse dia. Puxa, que injustiça, eu pensei.
O que aconteceu, a gente já sabe: o Santos foi campeão de novo, o Luxa foi campeão de novo, seus pupilos Ricardinho e Deivid também. Washington ficou com o choro do vice, depois de um empate na Arena da baixada contra o Botafogo, outro que, com o resultado, também escapou do rebaixamento. O artilheiro fez um honroso gol de empate. Que bem poderia ter sido o gol do título.
Além de ter a certeza de que o Washington é ótimo, excelente jogador, eu acho ele lindo. Moreno, grande, forte, com cara de homem... Acho que a eficiência e a história fascinante de vida também ajudaram a, digamos, dilatar minhas pupilas. Como não achar lindo um cara com 1,90m, ombros largos, músculos definidos, expressão masculina (sem cara de bebê, como o Kaká) e que enfrentou cirurgias, desconfiança e descrença pra persistir no futebol? Sorte da mulher dele, que ele conheceu em Caxias, quando jogava pelo Juventude. E sorte também do Verdy Tokio, que leva o atacante para a próxima temporada do campeonato japonês. Sorte também do Atlético PR, que tratou direitinho do coração do homem. Por causa disso, deverá ser grande a chance de que ele volte a defender o clube.
Será que eu terei a sorte de vê-lo comemorando gols batendo no escudo do Corinthians?
Li em algum site que o Rivellino, enquanto foi cartola do Corinthians, descartou a possibilidade de contratá-lo, por causa dos problemas cardíacos. Preferiu outros, como Marcelo Ramos, Regis Pitbull, Valdson. Todos eles já dispensados.
Pelo menos, o Washington sai pra ganhar dinheiro. Espero que ele seja convocado para a seleção. E espero que ele faça ainda muitos, muitos gols. Também espero que a vida dele vire filme, com um ator tão bonitão quanto ele.
Domingo, Janeiro 02, 2005

Sempre gostei de esportes. Muito mais como espectadora do que como praticante. Não que eu não goste de atividades físicas. Eu adoro. Mas a minha habilidade sempre foi muito aquém do meu gosto. Não me frustrei, ainda bem.
Me apaixonei por vôlei graças à seleção masculina de vôlei campeã olímpica em 92. Ah, que tudo aqueles meninos. É, eu não me apaixonei só por vôlei, mas por eles também. O Maurício, o Tande, o Carlão, o Paulão e, claro, o Giovane!!! Gente, que homem lindo. Até hoje eu acho ele lindo. Tá bom, ele apareceu no programa do Maluf na época da eleição. Mas, em nome do passado e daqueles quase 2m de altura e do belo par de coxas, eu já até esqueci do que acabei de relembrar linhas atrás. Eleição? Não, num lembro.
Passei a entender as regras também e, entre os 12 e 13 anos, eu era uma anomalia na escola. Sabia tudo de vôlei, mas era um prego. Isso me obrigava a caçar as notícias dos meus ídolos em jornais, revistas, propagandas, televisão, tudo. Aí, fiz uma pasta com todos os recortes que conseguia. A pasta ficou grande e tive que fazer outra. As duas pastas cobriram tudo o que conseguir catar sobre vôlei masculino entre 1992 e 1994. Nestes dois anos, eu tinha a paciência diária de ir até a casa de uma amiga, pegar os jornais que o pai dela trazia do trabalho (ele trabalhava na gráfica do Estadão), ver tudo o que tinha sobre esporte e trazer pra casa. Trazia, riscava com uma régua pro recorte não ficar torto e, antes de colar, media no sulfite, pra ver se ia ficar bom. Se era página dupla de jornal, eu tinha o cuidado ainda maior de cortar de um jeito que desse pra ler com a pasta aberta. Ficava com os dedos sujos do jornal, e nem ligava. Aliás, até hoje não ligo.
O começo era recompensador, pelo menos pra mim. A seleção, depois da olimpíada, ganhou o super four no Japão e os meninos eram figurinhas fáceis também nas revistas Carícia e Caricia Uau, só com fotos dos "gatinhos" da época. Me lembro que briguei com uma menina só pq ela não me deu uma foto do Pampa. Do outro lado da foto, estava o Leonardo Vieira.
A segunda pasta começa (acho) com a campanha vitoriosa da liga mundial de 2003. Era no Ibirapuera, mas não fui assistir a nenhum jogo. Pouca grana. Mas chorei até. Estava pra começar a terceira pasta quando aquela geração começou a dar os primeiros tropeços. Primeiro, com a derrota nas semifinais da liga mundial de 94, contra Cuba, em um tie break. Tb chorei nesse dia. Eu estava tão fanática que viam até zoar da minha cara. "Olha, teus meninos perderam". No mesmo ano, outro tropeço. O Brasil foi eliminado do mundial, na Itália, nas quartas de final (acho). Aí, foi decepcionante. Os recortes que peguei sobre esse mundial ainda estão guardados, mas não tive coragem de deixá-los bonitinhos para colocar na pasta. Ficaram num plástico, guardados até hoje.
O Zé Roberto, outro que também é meu ídolo até hoje, ficou na seleção até as olimpíadas de Atenas, em 1996. O Brasil não conseguiu o Bi e foi derrotado pela Iugoslávia nas quartas. Deve ter sido o fim daquela geração, do jeito que a conheci. Antes disso, ainda consegui assistir a dois jogos no Ibirapuera: um em 1994, contra a Alemanha, e outro em 1995, contra a Bulgária. Depois, desliguei do vôlei. Voltei a acompanhar agora, há 2 anos, com a conquista do mundial. Essa seleção é tudo. Mas não é mais a minha geração. Fico felicíssima de ver Escadinha, Ricardinho, Nalbert... Mas esta seleção não desperta os mesmos sentimentos que a de 92 me despertou. Aquela foi a minha seleção. Foi aquele time que me fez ir até uma borracharia pra implorar um pôster que está até hoje no meu quarto.
Bem, isso é tema pra outro post.
Agora que lembrei. Ia começar este post pra falar do Washington, artilheiro do Brasileirão pelo Atlético PR que está indo para o Verdy Tokio. Tb acho ele lindo. Aliás, adoro homem grande. Tb fica pra outro post. Ah, sou corintiana e não queria que o Santos ficasse com o título. E nem queria o Luxa no Corinthians.
Estranhezas
O começo do ano é um tempo estranho. Todo mundo se mata de comer, de fazer simpatias, rituais, todos se abraçam, se amam... Isso dura um tempo. Na primeira semana do ano, o trabalho não rende (e bate saudade das férias), e, pelo menos em SP, a chuva chega, sempre intensa. Sempre que a chuva me deixa no trânsito, sinto vontade de sentar, chorar, chorar... Aliás, acho que sinto essa vontade sempre que chego a SP.
Estou com essa vontade agora, já que cheguei de viagem há 2 dias. Sertão nordestino, família, sossego... Mas pensei que a viagem ia ser melhor. A família é unidíssima, mas, pra uma família ser unida, sempre é preciso ter alguém que engula sapos. E nem todo mundo consegue engolir sapos sempre e assim, impunemente. Dessa vez, não consegui. E acho que fiz o tempo fechar. Por isso, a volta foi estranha, e acho que as conseqüências dessa fechada de tempo também serão estranhas. Acho que é também por isso que meu estômago queima, queima, queima. As comidas ajudaram. Mas elas causariam menos estragos se não fosse o tremor ocorrido a quilômetros daqui.
Ou seja, a viagem foi boa, mas não foi ótima. Por conta disso, acho que meu ano começou estranho. Não fiz simpatias, não segui rituais... Não usei roupa nova, não fiz resoluções de ano novo (acho que estou me repetindo), não fiz balanço de 2004 (talvez seja bom, ainda dá tempo). Também não listei o que quero em 2005. Acho melhor não listar nada. Vou esperar tudo me acontecer como se fosse um presente. Talvez seja mais sensato esperar pouco pra ficar contente com o que conseguir.
...
Por que as coisas não acontecem como a gente quer?
...
Ando impaciente com SP. Não quero que chegue a segunda-feira. Já estou pensando nos ônibus, no trajeto de ida, na corrida para a volta (a tentativa desesperada de sair às 19h), na corrida pra tentar chegar cedo na natação. Corrida pra tudo. Acho que aqui não é mais meu lugar. Já acho isso há algum tempo. Será que terei algum dia coragem de sair daqui? Quando será que vou descobrir o que quero?
Não sei o que anda acontecendo. Eu sempre tive objetivos, rumos... Mas atingi e segui por pouco do que planejei. Aconteceu tudo diferente. Talvez por isso eu esteja perdida.
Qdo estava lá, nos confins de tudo, estava querendo voltar, mas por causa dos amigos. Estava (estou) morrendo de saudades deles. Mas muitas mesmo. Estou estranha, essa é a verdade.
Sim, temos dias estranhos.
Estou com essa vontade agora, já que cheguei de viagem há 2 dias. Sertão nordestino, família, sossego... Mas pensei que a viagem ia ser melhor. A família é unidíssima, mas, pra uma família ser unida, sempre é preciso ter alguém que engula sapos. E nem todo mundo consegue engolir sapos sempre e assim, impunemente. Dessa vez, não consegui. E acho que fiz o tempo fechar. Por isso, a volta foi estranha, e acho que as conseqüências dessa fechada de tempo também serão estranhas. Acho que é também por isso que meu estômago queima, queima, queima. As comidas ajudaram. Mas elas causariam menos estragos se não fosse o tremor ocorrido a quilômetros daqui.
Ou seja, a viagem foi boa, mas não foi ótima. Por conta disso, acho que meu ano começou estranho. Não fiz simpatias, não segui rituais... Não usei roupa nova, não fiz resoluções de ano novo (acho que estou me repetindo), não fiz balanço de 2004 (talvez seja bom, ainda dá tempo). Também não listei o que quero em 2005. Acho melhor não listar nada. Vou esperar tudo me acontecer como se fosse um presente. Talvez seja mais sensato esperar pouco pra ficar contente com o que conseguir.
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Por que as coisas não acontecem como a gente quer?
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Ando impaciente com SP. Não quero que chegue a segunda-feira. Já estou pensando nos ônibus, no trajeto de ida, na corrida para a volta (a tentativa desesperada de sair às 19h), na corrida pra tentar chegar cedo na natação. Corrida pra tudo. Acho que aqui não é mais meu lugar. Já acho isso há algum tempo. Será que terei algum dia coragem de sair daqui? Quando será que vou descobrir o que quero?
Não sei o que anda acontecendo. Eu sempre tive objetivos, rumos... Mas atingi e segui por pouco do que planejei. Aconteceu tudo diferente. Talvez por isso eu esteja perdida.
Qdo estava lá, nos confins de tudo, estava querendo voltar, mas por causa dos amigos. Estava (estou) morrendo de saudades deles. Mas muitas mesmo. Estou estranha, essa é a verdade.
Sim, temos dias estranhos.
Eu queria ter um lança-chamas
Essa é a minha enésima tentativa de ter um blog. As minhas iniciativas frustradas já poluíram a blogosfera. Eu nem lembro dos endereços abandonados. Ainda bem. Acho que essa aqui vai pra frente. Não vou divulgar, não pretendo me identificar. Quem chegar até aqui, chegou. Não quero fazer disso um diário pra contar a minha vida. Mas vou acabar contando, claro. Só queria que o anonimato me protegesse. Aliás, acho que a vida toda quis que o anonimato me protegessse. Tem horas em que eu gostaria até de ser invisível.
Puxa vida, que belas palavras para os primeiros dias de janeiro. Ah, foda-se.
Puxa vida, que belas palavras para os primeiros dias de janeiro. Ah, foda-se.