Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

Mãe e migração

Falando em mãe e em exercício de ver o mundo pelo outro, lembrei que a vinda da minha mãe para SP é uma história linda, que dá pra ser contada em vários posts. E não só a dela.
Aliás, acho as histórias dos anônimos muito mais interessantes que a de muitos famosos. Isso porque os anônimos são de verdade, vivem entre nós. Os famosos já viraram heróis, já foram glamurizados... Não são mais de verdade.
Decidido. As próximas histórias serão sobre os migrantes de minha família.
A primeira, claro, será minha mãe.
Mas em outro dia, para que a história fique muito bem contada.


A ótica do outro

Dia desses, estava tentando me colocar no lugar de minha mãe. A preocupação com minhas idas e chegadas diárias, com o meu tio, com a família longe, a saudade do meu pai, o sofrimento da chegada em São Paulo, o prazer simples de ir a uma missa. E até consegui. Quer dizer, não consegui ver de maneira igual. Mas me senti diferente. Principalmente porque tentei, com sinceridade, entender o mundo no qual ela vive.

Isso tem me ajudado muito no relacionamento com ela. Era um relacionamento bom. Mas era, por vezes, sufocante. Por isto, a tentativa de ver o mundo com as lentes dela me deu a sensação de compreensão, de tolerância. As pessoas não são iguais. E o jeito delas verem o mundo também não é.

A frase é simples, mas acho que pode nos ajudar em várias situações complexas. Tenho tentado este exercício com outras pessoas também. Nem sempre consigo, claro. Mas só a tentativa parece fazer com que o mundo se amplie. Não ficamos mais presos apenas ao nosso mundo e ao nosso universo, ao nosso umbigo. Quando tentamos ver o mundo pela ótica do outro, algumas atitudes alheias parecem compreensíveis. Ou, pelo menos, justificáveis.

Como é possível praguejar contra um velhinho que anda vagarosamente pela rua? Nós podemos estar com pressa, mas, pra onde vai aquele velhinho? Por que anda tão vagarosamente? Vai para a fila do INSS? Para um laboratório, fazer um exame? Para a casa do filho ou para lugar nenhum?

Como xingar aquela moça que demorou pra te dar o troco no caixa? Aonde está a cabeça dela neste momento? Será que foi desprezada pelo namorado que ama? Ou terá sido humilhada antes de começar o expediente? Será que cuida de um parente doente e perdeu a noite de sono à procura de médicos?

E aquela criança birrenta? Será que ela só recebe atenção quando faz birra? Quantas vezes já apanhou tentando chamar a atenção? E os pais? De que jeito trataram aquele moleque?

Pode sim parecer pieguice. Até porque, ultimamente, toda preocupação com o ser humano pode parecer pieguice. Mas é interessante tentar o exercício de colocar os óculos alheios. Nossos valores não chegam a mudar, afinal, eles estão lá e fazem parte de nossas vidas. Mas é um exercício que nos ajuda a, principalmente, tentar ajudar o outro. Nem que seja apenas ouvindo. Ao tentarmos descobrir as necessidades de quem está por perto, tentamos dar um pouco do que existe sobrando em nós. Ou então do que falta, para que seja multiplicado. Também pode ser que, ajudando, tentemos procurar aquilo que nos falte.

***

Isso tudo não quer dizer que eu tenha virado Poliana, pra ver um lado bom em tudo. Quem me conhece sabe que eu assassino diariamente a tal Poliana que existe em mim. O que é ruim é ruim, ponto. Há males que vêm pra estragar mesmo. E, se me atirarem pedras, vou juntar tudo pra tacar no FDP que fez isso, pra ele ver como pedrada é bom.

Mas, mesmo com essa afabilidade toda, eu tento sempre o exercício de ver o mundo pela ótica do outro. É interessante. Tente. Mas sem deixar de cuidar da própria vida.


Domingo, Fevereiro 27, 2005

Os 25

Celebrei duas vezes a chegada dos meus 25 anos. Foram duas festas. (Uma para comemorar de verdade e outra só de pretexto pra entrar de graça em uma balada. Mas foi uma celebração também).
Eu estava com muito medo de ter uma crise monstro com a chegada desta idade. Mas, passados 11 dias desde que completei este jubileu, a crise ainda não chegou.
Me sinto muito feliz. Não sei se é pelas celebrações. Mas, por enquanto, é uma felicidade sem motivo. Talvez possa ser a espera de que algo bom vá chegar. Mas não é legal ficar esperando.
Aos 25 anos, uma pessoa já não é mais tão novinha. É adulta, mas ainda não é velha. Pode sim tentar uma pós, mas as pessoas estranharão se ela resolver mochilar pelo mundo. Pode trabalhar, mas não pode largar tudo pra formar uma banda. Pode entrar numa faculdade, mas conviverá com uma legião de moleques nascidos entre 1986 e 1987, épocas em que já éramos crianças até crescidas, brincávamos de imitar a Xuxa e de montar cidades com Lego e Playmobil. (Será que a atual geração de adolescentes brincou com Lego e Playmobil?)
Muitos casam aos 25. Muitos também têm suas vidas arrumadas aos 25. Empregos estáveis, noivados, relacionamentos também estáveis.
Mas o que pode marcar meus 25 anos é a total falta de rumo da minha vida.
Não estou triste, não ando depressiva e nem decepcionada com algum fato específico. Estou sem rumo, só. Sempre tive objetivos na vida. Mas acho que idealizei todos eles. Agora, que vi que as minhas expectativas não foram como as coisas que sonhei, estou sem rumo. Fiz a faculdade certa. Até acho que escolhi a profissão certa. Só ainda não sei qual é o lugar certo para mim.
Tenho amigos, muitos e bons. E, pensando bem, até me divirto mais agora do que quando era mais nova ou do que quando estava na faculdade. Também dá pra sentir a maturidade que veio com a idade e com muitas coisas que aconteceram na vida. Os conselhos passam a ser embasados, não mais chutes que a gente tenta dar para que o amigo fique feliz. A família também passa a te olhar com mais respeito (no meu caso). Afinal, você já tem 25 anos.
Mas a falta de rumo ainda continua presente, firme e forte. Tanta coisa passou... Dá a impressão de que tantas coisas poderiam ter mudado a minha vida... Fiz muita coisa, mas as outras tantas que deixei de fazer ainda me martelam.
Mas, e aí? O que os 25 anos vão trazer de diferente à minha vida?
Eu não faço a menor idéia. Melhor esperar o resultado e ir vivendo. Espero que seja uma idade boa. E espero que as celebrações tragam bons fluídos.
Mas seria bom que a tal crise dos 25 permanecesse bem longe de mim.

Sábado, Fevereiro 26, 2005

Eu não sou poeta (e nem poetisa)

Eu não sou poeta e nem poetisa. Apesar de preferir a palavra poeta, mesmo para o feminino.
Eu não tenho lirismo.
Eu não sei fazer rimas.
Mas acho lindo quem sabe fazer isso.
E essa frase não esconde nenhuma frustração. É apenas uma constatação.
Então, se quiser poesia, vá aqui e aqui
Porque eu ainda não me esforcei pra colocar meus blogs preferidos nesta barra à direita.

Sábado, Fevereiro 19, 2005

O que há de errado?

- O Bush foi reeleito;
- O Serra ganhou (quando a Marta tinha ótimos índices de popularidade como prefeita);
- Agnaldo Timóteo foi eleito vereador em São Paulo;
- Wadih Mutran também foi reeleito vereador e é corregedor da câmara dos vereadores;
- O Severino do PP é agora presidente da Câmara dos deputados depois de um cochilo monstro do PT e seus pseudo-negociadores;
- A freira Dorothy Stang, defensora dos direitos dos trabalhadores rurais do Pará, foi assassinada em pleno governo Lula, depois de pedir inutilmente a atenção da Polícia Federal para Anapu, a pequena cidade onde ela foi morta (Para aumentar um pouco a indignação sobre este caso: o fazendeiro Francisco Alberto de Castro disse hoje à Folha de S. Paulo que Dorothy Stang seria a culpada pelo conflito de terras na região. Conseqüentemente, ela foi culpada também pela própria morte, na visão do fazendeiro. Que jeito curioso de cometer suicídio).
- Marina Silva, que voltou a aparecer no noticiário ao cobrar justiça pela morte de Dorothy Stang, parece ser voto vencido com a pasta do Meio Ambiente no governo Lula (a bancada ruralista deve ter trânsito livre na mesa do ministro da Agricultura Roberto Rodrigues).

Tem muita coisa errada. Aliás, parece que tá tudo errado. Desde que eu voto, eu faço isso acreditando em mudar o País.

Há pouco mais de 4 anos, votei para tirar um representante do que havia de pior na política e ajudei a eleger a Marta Suplicy. Nesta mesma eleição, vi o povo renovar toda a câmara dos vereadores, tirando gente como Brasil Vita de um cargo quase vitalício de vereador.

Há 2 anos, vi tomar posse um cara que poderia ser meu parente ou meu vizinho, com uma história de vida semelhante à da minha família e à de tantas famílias brasileiras.

Hoje, não consegui reeleger a prefeita em quem votei também há 4 anos, e tive que saber que a câmara perdeu importantes nomes e ganhou outros duvidosos, como o cantor citado nas primeiras linhas.

Também hoje eu vejo um governo federal que não consegue eleger um presidente para a câmara dos deputados, que aprovou a MP dos trangênicos passando por cima do Ministério do Meio Ambiente, que quer porque quer fazer logo a temerária transposição do São Francisco - sem esperar laudos ambientais. Tudo isso parece ser, no mínimo, uma visão desfigurada diante de tantas expectativas. Parece que jogaram nossas esperanças no lixo.

***

Talvez tenha besteiras e coisas infundadas no parágrafo acima. Mas, eu só queria entender: isso tudo é sinal de que algo está errado? Ou os errados somos nós em acreditar em causas perdidas?

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

Lá vai alguém

Essa música é uma das coisas mais simples e lindas que eu tenho ouvido nestes tempos. Ela me veio pelo msn como presente de um dos meus melhores amigos, que descobri ontem ser um leitor freqüente deste blog (sim, tenho um leitor!). Composta por Paulo Tatit e de Zé Miguel Wisnik, ela é singelamente interpretada por Virgínia Rosa. É uma canção que, segundo o Google, está no CD "Canções de Ninar", produzido por Sandra Peres e Paulo Tatit, do selo Palavra Cantada. (Neste link aqui é possível ouvir todas as outras músicas, que são cantadas por gente como Ná Ozzetti, Arnaldo Antunes e Monica Salmaso - apesar de eu não gostar de Monica Salmaso). Ainda de acordo com o mestre Google, "Lá vai alguém" está também em "Dreamland", um CD com uma coletânea de canções de ninar em diferentes línguas.
Ainda não tenho filhos para ninar. E, por enquanto, nem estou preparada para isto. Mas, para ninar meu sono e o de quem mais quiser dormir com uma canção delicada e bonita, aí vai a letra.

Lá vai alguém (De Paulo Tatit e Zé Miguel Wisnik. Int: Virgínia rosa)

Lá vai alguém
E será quem
Parece ir sem ter ninguém
Mas mesmo sem
Sem ter, porém
Se vê que vai tão bem!

Lá vai alguém
Na noite além
Levando só tudo o que tem
De estimação no coração
Vai indo e a noite vem

Lá vai alguém
E sempre alguém
Alguém levando, sempre alguém
Alguém sem fim
Alguém assim
Que nem você pra mim

Lá vai alguém
E será quem?
Parece ir sem ter ninguém
Mas mesmo sem
Sem ter, porém
Se vê que vai tão bem!

Lá vai alguém...

***

Pensando bem, essa música até parece comigo.

***

Aprendi a usar os recursos do hiperlink. Agora, só falta colocar os links pra outros blogs na barra ao lado. Ainda terei paciência para fazer isso.

***

Corrigi agora o post. Ao invés de Dreamland, coloquei Neverland. Culpa do julgamento do Michael Jackson.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

É um tirin de espingarda

Bueno Brandão é uma cidade de figuras. É quase na divisa com São Paulo, mas nem parece, de tão mineiro que é o sotaque dos habitantes locais. Mineiríssima também é aquela comida. Deus, o que era aquela comida que a gente podia pegar à vontade por 8 e 10 reais... Eu nunca comi tão bem em uma viagem. Ainda mais levando em consideração que nossos esquemas de viagem nunca levam em conta a gastronomia local.
Aliás, a comida foi a melhor coisa da viagem. Não que as cachoeiras não sejam lindas e que o povo não seja hospitaleiro. Mas, por não termos carro, só conhecemos duas das não sei quantas cachoeiras da região. Tentávamos sempre ir a pé. Em alguns casos conseguíamos carona mas, o tempo que gastávamos tentando ir ou voltar, já matava todo o dia. Por isso, conhecemos só a cachoeira do Félix e a do Mergulho.
Mas eu quero voltar pra Bueno. Que gente educada e que gente bonita! Claro, tem que descontar a pilantragem da tia do camping que, pra tudo, queria empurrar os serviços do irmão pra que ele faturasse uma graninha. E também o guia que nos mostrou os diplomas pendurados no bar dele mas que não sabia a distância entre a cidade e uma da cachoeiras. E que arregalou o olho quando dissemos que íamos na Cachoeira a pé.
Na realidade, Bueno Brandão não deve ser assim tão preparada para receber turistas. Uma agência, a Gava, pareceu ter mais estrutura e opções de esportes radicais. Mas, como saímos daqui sem muitas perspectivas, o carnaval foi até bom. Ah! O Carnaval é uma mini mini Sapucaí. A cidade tem duas escolas: Unidos da Vargem Grande e Zunidos da Saudade. Vimos só o desfile da Zunidos. Com carro alegórico, bateria e tudo. Até ala das baianas. Divertidíssimo.
Em junho tem o Arraiá do Zé Bagunça. Vamos ver até lá.


Sábado, Fevereiro 05, 2005

Rio e Bueno Brandão

Na semana passada fui ao Rio e pude ver que, de fato, a cidade é linda. Paulista acha (e muitos têm certeza) q carioca é metido a besta. Mas, quando se visita o Rio, a gente entende um pouco o porquê. E também a gente (paulista) perde um pouco (ou um muito) da resistência quando vê aquela cidade com montanhas e mar, com verde, com sol forte e um clima muito mais leve que o de São Paulo. Tem pobreza sim, tem favela sim. Mas quem mora na Rocinha ou no Vidigal vê o mar. E quem mora na parte de baixo da cidade (q não é o morro) diz que há sim convivência entre o morro e a parte baixa. Bem, este ponto é muito delicado. O ideal ia ser não existir fronteira entre morro e cidade. Dessa maneira, a convivência seria comum, e não seria contada como um fato supostamente bom. Enfim. Isso dá muito o que pensar.
Não sei se foi por ter ido a trabalho, mas me senti muito bem tratada também. Com medo de ser zoada, eu sempre dizia que, quando fosse ao Rio, iria me passar por alemã. Poderia até me passar por argentina, de tantos que eu vi por lá. Mas também maneirei nos paulistismos: controlei os meu, os RR dobrados e as expressões típicas, como farol e guia. Ah, acho até que caprichei na concordância. Era fácil, eu não precisei ir na padaria pedir dois pãozinho e nem comprar dois pastel.
Essa ida, de apenas um fim de semana e com trabalho debaixo do sol da Barra, me fez ter vontade de voltar só para passear. Da próxima, quero conhecer a Lapa - Circo Voador, Fundição Progresso e botecos. Também quero dar um mergulho. Coisa que espero fazer neste carnaval em Bueno Brandão, cidade mineira que ninguém da turma conhece. Só sabemos que tem cachoeira.

Mas estou me roendo mesmo é de vontade de ir pro Recife. Pelo menos em Bueno Brandão não acessarei a net, não lerei e-mails e não verei a programação do Carnaval do Recife. Eu já vi, é verdade, e já sei o que vou perder. Mas lá eu não terei como me martirizar mais.

Eita sono da porra.


Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

só pra atualizar

O Rio é lindo.
Dor de garganta é horrível.
Unha vermelha é legal.
O Carnaval está muito próximo.
É bom fazer festa de aniversário.
Os 25 dão crise.

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