Quinta-feira, Abril 28, 2005

O presidente e o tio do churrasco

Em meio à polêmica de mais um discurso improvisado do Lula, sobre o "comodismo" dos brasileiros que não levantam seus traseiros para correrem atrás de juros baixos em bancos (como se eles existissem), fui assistir Entreatos, que passou no festival dos melhores filmes de 2004 no Cinesesc. Queria emendar com Peões, que passou depois, mas ia ficar muito tarde pra quem está com preguiça e pra quem está com frio (ele chegou em SP).

Antes, um adendo: votei no Lula com esperança, acompanhei a vitória com alegria e acho que uma das coisas mais importantes que testemunhei (mesmo que pela TV) na história do Brasil foi a festa da posse dele. Confesso que os rumos tomados me deixaram decepcionada... Eu (e mta gente) sonhava com um governo "puro" do PT, com a coerência que o partido sempre teve... Ok, não é possível governar sozinho. Mas muitas alianças me deixaram, pra dizer o mínimo, com o pé atrás. E o que dizer do ocaso de uma pessoa como Marina Silva nesse governo em que os ruralistas batem o pé e aprovam o que querem?

Apesar disso, ainda tento, de verdade, continuar com a esperança e acreditar que aquela coisa linda de 2 anos atrás não foi em vão. Entreatos mostra os bastidores da campanha de 2 anos atrás. O mais legal: Lula não é apenas o candidato favorito à presidência, não é o principal dirigente do PT, não é só o representante mais forte das esquerdas no Brasil: ele é um ser humano. Sente dores, cansaço e é figuríssima. Daqueles que você acredita que poderia até ser teu parente e assar churrasco em dia de reunião de família. A comparação pode parecer até depreciativa, mas não é. O documentário transparece um homem que aprecia o contato humano e que é muito intuitivo - também, pudera. A ausência do diploma, que tanto foi questionada durante sua vida política, foi superada com o aprendizado na vida prática e a rapidez de raciocínio. Só a vida ensina certas coisas - quem conhece aqueles velhinhos sábios do interior, que nunca freqüentaram uma escola, sabe do que estou falando.

A ânsia por quebra de protocolos e por levar uma vida próxima do que ele considera normal é constante também. Para mim, uma das melhores passagens desse documentário é o diálogo, em um avião, entre Lula, José Alencar, Palocci e outros assessores. Lula se compara, na juventude, a Didi (o Folha Seca) e diz que poderia ter sido um grande jogador. José Alencar diz que também jogava. Nessa conversa furada, Alencar sugere: "Poderíamos jogar umas peladas no campo do palácio da Alvorada". Lula acata: "Vou colocar umas traves lá". E complementa: "Aquele palácio é triste porque o FHC nunca jogou futebol, nunca dançou, nunca bebeu um gole"

Parece esculhambação? Sim, parece. Mas qual de nós - nós, pessoas que gostamos de encontrar os amigos para falar bobagem - não gostaria de fazer isso?

Isso me faz voltar ao exemplo do parente em dia de churrasco: uma das coisas que faz com que eu queira continuar acreditando no Lula é o destino parecido com tantas famílias e também com a minha. Ver um migrante que já foi metalúrgico na presidência me faz pensar que ele é alguém que poderia muito bem ser meu parente (sem nepotismo), vizinho ou amigo. Ou seja, o cargo mais alto do País está sendo ocupado por alguém que poderia fazer parte da minha vida.

Mesmo com a popularidade em queda agora (deve cair mais por causa dos arroubos de improviso), essas coisas podem explicar, em parte, porque a aprovação ao Lula presidente é maior que a aprovação dada ao governo que ele faz.

O título e conteúdo podem fazer parecer que eu só votei no Lula e continuo acreditando nele porque acho que ele é, no fundo, um tiozão do churrasco. Não, outros motivos me levam ainda a apostar que uma hora dará certo. É a primeira vez que um representante legítimo do povo assume o poder. É a primeira vez também que o PT, sustentado por tantos movimentos sociais, tem a chance de ser testado no governo federal. Ok, acabaram-se meus argumentos. Mas eu quero ter o direito de acreditar até o fim. Sem cegueira. Caramba, 2006 está chegando. Provavelmente eu vote nele para a reeleição. Não quero devolver o poder aos oligarcas de sempre. Embora eu saiba que eles, espertos, já estão tomando suas cadeirinhas devidas neste governo.


Quinta-feira, Abril 21, 2005

Não gostei

Todo mundo viu que o novo papa é o cardeal Joseph Ratzinger, atual Bento XVI.
Não gostei da escolha. Os cardeais devem ter apostado em um papa de transição, já que ele está bem velhinho, 78 anos. Mas, puxa, agora que podiam aproveitar que os olhos do mundo estavam voltados pra essa escolha, vão votar justamente em alguém ultraconservador, que possivelmente deixará como está a maioria das coisas que foram arrumadas por João Paulo 2o? Sem contar que o atual papa, enquanto cardeal, foi responsável pela vigilância dos "rebeldes" e ajudou a calar a Teologia da Libertação.
Pois é, mas D. Pedro Casaldáliga nunca será papa mesmo. E nem D. Evaristo. E nem é o povo que decide a escolha de um papa.


não é muito, é só meio.

Tou meio breaca.
Nunca escrevi assim.
Mas nem tou assim tãão breaca. Só meio.
Então, ainda vale o projeto q eu e minha amiga Aline temos de escrever bem, mas beeeem breacas. Pra ver o que sai escrito.
Acho que isso vai acontecer na próxima semana. Depois do Baitaclã da Libertação. Esse Baitaclã marcará as despedidas de nossos empregos.
Saravá.
A seguir, mais pitacos.

Domingo, Abril 17, 2005

Mais um comentário aleatório

Aconteceu durante a semana e todo mundo deu seu pitaco. Tb quero dar o meu (pitaco).
Eu acompanhei a história do argentino preso acusado de racismo por ter xingado o Grafite. Vi que o Galvão inflou o qto pôde a história, e vi tb q o argentino teve um puta dum azar. O secretário de justiça do Estado é são-paulino e, puxa, estava assistindo à Globo. Fez o que pôde pra sair bonito na história. Mas, quer saber? Achei foi bom.
Como corintiana, já tenho uma simpatia natural pelo Grafite, pelo simples fato dele ter feito dois gols que impediram o Corinthians de ter caído pra segundona no Paulista passado. Dito isso, achei ainda mais legal ele ter exercido um direito que é dele (sim, o racismo é crime no Brasil faz tempo) e ter ido denunciar o Desábato. Direitos têm que ser usados, e o são-paulino soube fazer uso do que lhe é devido. Claro que a mídia fez festa, que os policiais tb fizeram festa (as algemas no argentino foram exagero), mas o acontecido serviu para colocar ainda mais o assunto racismo na pauta do dia. Mesmo que por "piada", ninguém mais xinga (pelo menos por enquanto) um negro sem pensar nas providências que já foram tomadas antes.

Motivos?

Depois da coisa feita, vamos aos motivos, causas ou desculpas esfarrapadas. Não necessariamente na ordem correta de importância

- Falta de liberdade
- Falta de orkut
- Falta de msn (esse podia ir pro primeiro da lista - eita maldição ficar viciada nessa coisa)
- Gente tosca em posições de comando
- Trabalho tosco
- Rotina tosca
- Cliente ignorante
- Gente suja pagando meu trabalho
- Gente burra mandando no meu trabalho

Tudo isso aliado àquela maldita vocação aquariana de não ficar presa a lugar nenhum. E esse nem foi meu recorde de permanência em empregos.
Se a vida afetiva tivesse a mesma rotatividade da profissional...

O negócio é o seguinte: aquela vontade, aquela ambição, aquela capacidade de sonhar que ficou adormecida um tempo voltou. Vou aproveitar e torcer para que ela não volte a dormir.

Decidido

Decidi não faz nem uma semana, mas parece que já tem um mês.
Vou, finalmente, virar uma desempregada, até o final do mês. A mudança não deu certo. Quer dizer: a mudança rendeu mudanças maiores, daquelas que eu sempre quis fazer mas nunca tive coragem. Só quero ver se agora eu dou um jeito na ansiedade.
Decidir acho que nem é o problema. O problema é esperar.


Domingo, Abril 10, 2005

Decisões

Em algumas épocas da vida, bate uma vontade mais forte de decidir sobre coisas que antes postergarmos. Agora me bateu a vontade de decidir pela minha vida, sem me deixar guiar por correntes. Foi bom. Aquela pessoa decidida que tomou atitudes consideradas suicidas algumas vezes está de volta. Acho isso ótimo. Só preciso ter força para arcar com as conseqüências da decisão.
Ainda tenho uma (longa) semana para pensar com calma de que maneira deverei agir. Não sei se agüento deixar passar todo esse tempo.

Queria escrever sobre mais, sobre várias outras coisas. Deixa pra depois. Pra quando as decisões estiverem devidamente comunicadas.

Domingo, Abril 03, 2005

Passado próximo

As notícias constantes sobre a morte do Papa nesse fim de semana me fizeram lembrar de uma pessoa que fui e de coisas que vivi.

Eu tive formação católica e, desde pequena, acompanhei missas, mas, durante cerca de 5 anos de minha vida eu estive envolvida com a igreja mais do que uma pessoa, digamos, normal. Fiz parte, com mais algumas amigas e amigos que fiz ao longo do tempo, de um movimento católico que tinha vários ramos, como eram chamadas as "divisões" entre as idades e membros participantes. Eu era da Juventude, e as atividades ocuparam um tempo significativo da minha vida. Eram muitas reuniões de formação, muitas idas e vindas ao Santuário que era nosso local de reuniões, muitas horas na preparação e execução de atividades - missas, encontros, festas -, enfim, muitos momentos vividos entre o fim da adolescëncia e começo da vida adulta - pelo menos pra mim e pra algumas amigas.

Como vivíamos o tempo todo ou em igreja ou em função dela, alguns assuntos eram de nosso domínio. A liturgia da missa, práticas religiosas, o comportamento religioso, os assuntos do meio. Foi lá que aprendi a tocar violão (esse que dá pro gasto, nada de fabuloso), que afinei um pouco minha voz e também que devo ter aprendido a falar em público. Eram reuniões em cima de reuniões, palestras e muito improviso. Em pouco tempo, nosso grupo deixou de ser participante dos eventos para organizá-los. Isso consumia mais horas acordadas - e menos de sono - , mais horas de preparação, mais cansaço e mais horas vividas para o movimento. Mas também nos fez desenvolver um certo domínio na hora de organizar pessoas e também na hora de entretê-las. Sempre tinha que sobrar alguém pra encher lingüiça enquanto o almoço não estava pronto ou enquanto a missa atrasava. E esse alguém tocava músicas, alongava palestras, inventava perguntas pra debates.

Líamos muito, discutíamos até bastante, mas éramos também muito patrulhadas. Nossos atos pareciam estar em vigilância constante. Esse pode ter sido um dos motivos que levou nosso grupo a ser diluído. Além disso, cada integrante viveu um pequeno problema pessoal. Ninguém agüentou mais.

Mesmo freqüentando igreja de vez em quando, e mesmo quando nos juntamos pra relembrar as coisas boas e os desafetos compartilhados (sim, vida de igreja faz desafetos, e muitos), fazia muito tempo que eu não sentia aquela vida toda de volta. Agora, com tantas notícias, com tanta cobertura sobre a morte do Papa, parece que voltei àquela época em que sabia tudo o que estava acontecendo com a igreja. Parece que aquele cotidiano é meu de novo. Mesmo afastada, sei que fiz parte daquela história.

Isso pode ser pelo bombardeio de informações, mas me bateu uma vontade muito grande de estudar religião. Não Teologia, porque acho que não teria paciência, mas de estudar o papel da religião na vida das pessoas. Mas não de pessoas consagradas, como padres e freiras, mas de pessoas comuns, de jovens, como eu fui um dia (não só jovem, mas ligada às práticas católicas). Quem são os jovens que fazem parte de movimentos e grupos católicos? O que sentem? O que pensam? Como agem? E aqueles que participaram mas saíram? Por que saíram? Algo os revoltou? Qual foi o desencanto?

No fundo, um estudo desses daria muitas respostas a mim mesma. Talvez eu tentaria me encontrar nos outros, tanto nos que deram certo como nos que deram errado (o que seria mais próximo do meu caso). Mas o fato é que isso me deu vontade de voltar a estudar, pra tentar entender. Ou não. Um curso de religião em alguma universidade me daria a oportunidade de fazer uma pesquisa dessas?

Pelo menos, veio a vontade de pensar de novo. Isso é bom.

Pq, se eu disser que, nesse momento da vida, eu estou satisfeita e feliz, estarei mentindo.

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