Quinta-feira, Maio 19, 2005

Auto-exílio

Chegou finalmente o dia de partir pro meu auto-exílio.
Sumirei e, qdo reaparecer, quero um mundo de sonhos realizados me esperando.
Ok, menos.
Nem vou pensar no que quero qdo voltar, pq nem fui.

***

Talvez eu escreva coisas, no papel, pra depois postar aqui. E talvez eu escreva coisas legais, interessantes, e sem me achar na obrigação de postar, como agora. Isso não é legal.

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Serviço para a humanidade

O Passarella caiu e eu estou conseguindo dar cara a uma matéria espinhuda. Ontem fui assistir a um show do Kleber Albuquerque. Por tudo isso, vou prestar um serviço à humanidade: colocar aqui a letra de uma música linda, linda, gentilmente cedida por meu grande amigo. Agora, quem digitar no Google "deu meu coração", "coração trespassado", ou outros trechos de "Ai", encontra a letra abaixo.
Mais serviço: ela estará no próximo CD do Kleber Albuquerque. Mas não sei o nome e nem quando será lançado.

Ai

(Kléber Albuquerque e Tata Fernandes)

deu meu coração de ficar dolorido

arrasado num profundo pranto

deu meu coração de falar esperanto

na esperança de ser compreendido


deu meu coração equivocado

deu de desbotar o colorido


deu de sentir-se apagado

desiluminado

desacontecido

deu meu coração de ficar abatido

de bater sem sentido

meu coração surrado deu de arrancar o curativo

deu de cutucar o machucado

deu de inventar palavra

pra curar de significado

o escuro aço denso do silêncio

do coração trespassado


Segunda-feira, Maio 09, 2005

Duas palavras

Duas palavras para começar a semana:

FORA PASSARELLA!

Vá tocar o terror bem longe, lá pra tua raça. Miserável.

Quinta-feira, Maio 05, 2005

Chatice

Esse blog tá chato.
Eu tou chata.
Ainda não consegui descansar.
Parece praga.
Quero aprender a benzer contra olho gordo.

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Poemas de correntes

Olha só.
Eu ouvi um texto hoje, no Provocações (Cultura), dito pelo Abujamra. Tinha tudo a ver com meu atual momento. Os créditos finais diziam que o poema era da Clarice Lispector. Lindo! Dei uma busca no Google, até coloquei uma das frases no meu msn. O nome do texto é Mude! É falta de originalidade, mas queria reproduzi-la aqui nesse blog. Mas aí veio a dúvida: em muitos sites, o crédito é dado a Clarice Lispector. Mas em (poucos) outros, o autor citado é Edson Marques. Em outubro de 2003, ele deixou aqui um comentário onde afirma ser o autor do texto.
Pesquisando agora, vi que a "troca" dos créditos gerou uma celeuma muito maior do que a simples falta de reconhecimento. O blog dele mostra uma matéria da Veja sobre supostos textos de escritores famosos que circulam na net, e ele é citado como o autor real de algo que foi atribuído a Clarice Lispector. E a Fiat fez uma propaganda institucional com a obra, citando-a como sendo da escritora
. Foi isso que deu o rolo maior, pois a automotiva pagou direitos autorais aos filhos de Clarice, ganhou prêmios, divulgou a campanha utilizando o nome da escritora e... Depois reconheceu, em release, a real autoria de Edson Marques. Ele move ação contra a Leo Burnett, agência que criou a campanha.
Marques ofereceu, em anúncio no Propaganda & Marketing, 10 mil dólares para quem provasse que o texto era de Clarice. Isso foi em 2001. Não sei como está a história agora, já que o site que tem todas essas informações não deve estar atualizado. Mas o fato é: ele registrou o texto como dele. Então, ele é o autor do texto.
Dito tudo isso, como que a equipe do Provocações também foi cair nessa? Ou já descobriram prova de que foi a real escritora de Mude?

Bom, o poema vai abaixo. Para as horas de mudanças.

Mude

Edson Marques

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

"Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena"
(Clarice Lispector)


Seguinte. Tudo leva a crer que a confusão se armou quando foi colocado esse último trecho de Clarice no texto. O primeiro a repassar apagou o crédito de cima achando que era suficiente o de baixo. E gerou-se a celeuma.
Parece simplista, mas eu acredito que possa ter sido uma coisa besta assim também em outros textos atribuídos a famosos.

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