Sexta-feira, Junho 24, 2005
Histórias de quem chegou
Vai abaixo o primeiro capítulo da história da chegada de minha mãe a SP.
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O abril de 1971 teve dias de inverno rigoroso em São Paulo, com dias úmidos – ainda era a terra da garoa – e cinzentos. Enquanto a maioria das pessoas que estavam nas ruas se protegiam em seus casacos grossos e calças, aquela jovem migrante tinha apenas uma blusa amarela, a única de mangas compridas que trouxera em sua mala. O agasalho insuficiente servia para os ventos mais frescos do sertão da Bahia, especialmente entre os meses de maio e agosto. Mas era uma casca fina e com pouca utilidade naqueles dias de vento gelado, que pareciam chegar até os ossos.
Quase 2 mil quilômetros separavam a franzina Maria, que aos 23 anos saiu pela primeira vez do Estado onde nasceu. São Paulo era muito, mais muito diferente de tudo o que já tinha conhecido. A Vereda – povoado onde nasceu e cresceu -, Tabocas, a cidade mais próxima do povoado, Bom Jesus da Lapa, onde procurou tratamentos para a saúde frágil.
Foi a fragilidade que a trouxe até a cidade que exigia tanta força para ser suportada. Muitos parentes e amigos já tinham vindo para o Sul. Encontrar trabalho nem era tão difícil, e era por isso que muitos trocaram a lida nas roças pelos empregos em construções, casas de família, fábricas e o que mais aparecesse. Um dia de trabalho na cidade grande valia por muitos nas plantações de milho, na criação de gado, na engorda de porcos. Mas, mesmo assim, não foi a vontade de ganhar dinheiro que trouxe Maria a São Paulo. Se não fosse aquele quisto no queixo, ela continuaria na roça, cuidando de galinhas e das ovelhas, que eram sua paixão. Tão dóceis, tão carinhosas, tão diferentes daquelas pessoas que andavam com pressa naquele frio cinza e doloroso.
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Continua em um próximo post.
Quinta-feira, Junho 23, 2005
Que preguiça
Voltei leve. Dormi até não sentir mais sono. Achei que nunca mais eu ia ter essa sensação. Pensei muito, muito na vida. Na vida que estava levando e na vida que eu quero. Não sei se cheguei a conclusões. Mas consegui encontrar todos os elementos para fazer um mundo perfeito. Vi que esse mundo perfeito não existe da maneira como quero. Mas vi que é possível ter um mundo que não seja só de imperfeições.
A decisão que marcou meu temperamento em outros tempos tb parece que voltou. Pelo menos a vontade de ser mais decidida. Andei tão perdida... Não acho ainda que tenha me encontrado totalmente. Mas acho que encontrei uma bússola pra continuar procurando o rumo.
(suspiro)
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Não encontrei um mundo de sonhos realizados. Encontrei foi uma terra gelada, que me fez sentir ainda mais falta da quentura que até me bronzeou um pouco. Quanto aos sonhos: não estão prontos ainda. Mas serão realizados.
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Queria escrever coisas menos vagas. Mas estou com preguiça.