Quarta-feira, Julho 27, 2005
Ansiedade
Nem sei explicar porquê.
Aliás, talvez eu saiba e nem queira explicar. Vai dar mto trabalho.
Sábado, Julho 23, 2005
Satisfações etc
Outra coisa: tb resolvi falar do detalhe das estrelas pq estou com uma saudade imensa daquele céu estrelado da Bahia. Não é aquele céu em que a gente procura as estrelas e aperta os olhos para não perdê-las de vista. É aquele céu farto, todo pontilhado, que começa quando se olha para o horizonte e só termina quando olhamos para o outro lado do horizonte. E, no alto, aquilo tudo de brilho que se perde conforme o ônibus roda, roda e chega às cidades em que os postes rivalizam com as estrelas. Infelizmente, eles ganham.
Acho que nem sei pq voltei do mato.
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Eu fui no Anima Mundi. E já adoro Wallace & Gromit
O tear e as estrelas
De nada adiantou a madrasta Naca percorrer Tabocas de joelhos. Joana casou-se sim com Felipe e teve quatro filhos. Três meninas – Maria, Ana e Helena – e um menino, Joaquim. Assim que começaram a pisar firme no chão, todos passaram a trabalhar nas roças, diariamente, de sol a sol. Alimentar as galinhas, engordar porcos, ordenhar vacas, arar terras, colher milho, vigiar arrozais para que os pássaros não acabem com a plantação, pastorear ovelhas, pisar o milho, o café e o arroz no pilão: nada disso foi mistério para os quatro irmãos. Além das atividades pesadas, as meninas aprenderam também a fiar. O algodão colhido era matéria-prima para os vestidos usados na roça. Cada pedaço de algodão colhido deveria ser aberto, para que as sementes fossem devidamente guardadas. Em seguida, era esticado e amarrado a uma espécie de pião, que girava e transformava o pedaço em fio. Uma roda movida por um pedal fazia esse pião girar e o fio render. Joana era especialista nesse serviço.
As noites da Vereda eram iluminadas apenas por candeeiros. Exceto quando era época de lua cheia. Quando a lua entrava nessa fase, Joana levava as filhas para o quintal da casa e fiava metros e metros de algodão sob o céu repleto de estrelas que só é capaz de imaginar quem já viu um céu de interior, bem longe dos refletores da cidade. As meninas estendiam no chão couros de boi já secos, que serviam também de colchões para dentro de casa. Lá, sob a luz da lua e das estrelas, Joana ensinava às filhas os cânticos religiosos que aprendeu na adolescência, as orações, ladainhas, e ouvia delas as músicas sertanejas que tocavam no rádio. Contavam causos, falavam dos dias e riam, até chegar a hora de ir dormir. Não conheciam ainda nenhum luxo de cidade grande, às vezes a comida faltava e as roupas, surradas, dependiam dos fios que Joana tecia para serem remendadas. Mas tinham uma felicidade cuja dimensão só é reconhecida hoje: a de ter vivido a plenitude conhecida nas situações mais simples.
Segunda-feira, Julho 18, 2005
Da fuga ao testemunho silencioso
Grande parte dos salários de Maria eram enviados para a Bahia. Quem cuidava de dar um destino para as remessas recebidas era seu Felipe, que, além de Maria, tinha outros 3 filhos: Ana, casada, Helena e Joaquim, solteiros. Havia ainda a dona Joana, a esposa e mãe. Porém, o resto da família nunca soube ao certo para onde foi o dinheiro vindo de São Paulo. Calmo, mas avarento, Felipe costumava tomar as rédeas de tudo e dar poucas satisfações do que fazia, como convinha aos homens de meia idade criados naquela época no sertão da Bahia. Até hoje, tudo o que pode ter sido feito com o dinheiro vindo de terras paulistas é apenas suposição. Ele teria comprado terrenos, investido nas próprias terras, comprado rolos e rolos de arames de boa qualidade e... pode também ter emprestado aos conhecidos da rua. Enquanto dentro de casa o controle era implacável, fora, quem precisasse poderia ter dinheiro emprestado. E, quanto mais remessas eram enviadas, mais dúvidas surgiam. A casa da Vereda não via reformas há muito. A criação de alguns animais, como o gado, prosperava, mas a de ovelhas teve de ser extinta, pois já não havia mais quem a pastoreasse. Uma praga matou muitas delas. E, as que sobraram, foram vendidas. Ninguém também sabe para onde foi este dinheiro.
Calada, dona Joana testemunhava tudo o que acontecia. Rezava muito todos os dias para que a filha estivesse bem, para que os parentes a protegessem e, principalmente, para que Deus a livrasse dos males de uma terra desconhecida. Dona de uma fé inabalável, só conheceu a felicidade quando todos os filhos ficaram adultos e puderam lhe dar o mínimo de conforto na vida, como uma casa nova, com luz elétrica, água encanada e muita atenção. Antes disso, teve uma vida também marcada por muito sofrimento. Aos quatro anos, sua mãe morreu de parto. Não teve a lembrança do rosto da mãe. Recorda-se apenas que, quando tentou entrar na sala onde ela estava quando morreu, a puxaram de volta. Sempre achou que, se entrasse naquela sala, teria a recordação de como era a sua mãe.
Foi criada, com outras duas irmãs, por uma tia extremamente severa, a “véia Naca”. Integrante do Apostolado da Oração e católica fervorosa, Naca parecia nunca ter absorvido nada a respeito dos ensinamentos sobre a misericórdia divina. Espancava Joana e suas irmãs e controlava suas saídas. Passeios, só para ir à missa ou a festas religiosas. Com as vestimentas corretas e o comportamento adequado. Risos, gargalhadas, tudo isso era pecado. Casamento, só com quem fosse de seu agrado. Um homem que fosse trabalhador, religioso devoto e respeitado. Mas esses homens pareciam não existir.
Joana tentava de tudo para ter um mínimo de independência. Durante algum tempo, tentou vender doces – brevidades – que fazia em casa para ter um pouco de dinheiro e os vestidos que escolhesse. Naca desdenhou e não levou a sério o empreendedorismo da sobrinha. Quando viu que as vendas começavam a fazer sucesso, exigiu o dinheiro delas. E Joana parou de vender as brevidades.
Já estava com 23 anos sem casar. Na década de 40, isso era preocupante. Todas as meninas de sua idade já estavam casadas. E, mais do que um casamento, Joana queria a liberdade. Queria ter sua casa, sua vida, seus filhos. Sem precisar mais da aprovação ou desaprovação – esta última mais freqüente – da tia Naca. Foi quando Francina, sua cunhada, decidiu dar uma ajuda. Havia um solteiro na cidade que era de uma família respeitada na região. Alto e cortês, Felipe era filho de Pedro Alexandrino – ou Pedro Xandu, pois muitos não sabiam falar Alexandrino – e Maria Carolina, parteira a quem a grande maioria das gestantes recorriam quando estavam para dar à luz.
Para variar, Naca desaprovou a união entre Joana e Felipe. Ele vinha de uma família boa, mas tinha fama de ser festeiro. De fato, Felipe não perdia uma só comemoração que acontecesse nos arredores. De dia de santo a festas de formatura, estava lá ele, com a roupa alinhada, botas novas e seu cavalo selado. Ora, um festeiro não poderia ser um bom marido, impunha Naca. Mas Joana cansou de esperar pela aprovação da madrasta. Se fosse preciso, fugiria para se casar. E fugiu.
Todos os detalhes do casamento foram acertados por Francina. Na casa da cunhada, Joana se arrumou e seguiu para a igreja. E, na hora do casamento, Naca saiu às ruas de Tabocas, de joelhos, rogando tudo o que de pior poderia existir para recém-casados. “Eu amaldiçôo essa união! Joana nunca mais me pedirá a bênção! Eu nunca vou abençoar!”. A cena tragicômica, digna das novelas de Dias Gomes, teve muitas testemunhas. E até hoje provoca gargalhadas de quem se recorda.
Quinta-feira, Julho 14, 2005
Eu quero
A realidade não pode ser tão chata.
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Tb vou torcer pro Atlético PR hoje. Acho q o São Paulo leva. Mas, se o Atlético tivesse o Washington, seria mais fácil. E mto mais legal.
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É inveja sim. Pq, nunca sentiu inveja, não? Se fosse o Palmeiras, eu estaria é com raiva. Mas, nesse caso, é inveja mesmo.
Terça-feira, Julho 12, 2005
Só estava no começo
Foi no Hospital São Paulo que Maria fez sua derradeira cirurgia para extrair o quisto do queixo. Talvez até com um dos médicos que pudesse ter passado pela hospedaria que foi seu primeiro emprego.
A operação foi delicada, mas, por não ter contribuído para o Sistema Único de Saúde da época, Maria só pôde permanecer um dia no hospital. Ao sair, precisou ficar cerca de 15 dias com um curativo enorme, que dava uma volta na cabeça, começando pelo queixo. Era feito de uma faixa que deu à migrante o apelido cruel de astronauta. E não pôde falar durante uma semana. Não conseguia emitir sons. Nem por isso a rotina de trabalho foi aliviada. Tinha que se comportar como se não tivesse feito cirurgia alguma. Limpar casa, lavar louças, comprar mantimentos. Para ir à padaria, levava bilhetes com a quantidade de coisas a ser trazida. A situação provocava a compaixão de todos, menos da patroa. Dormir também era complicado. Mas, depois de tirar o curativo, Maria se viu livre da doença que a trouxe para São Paulo. Poderia até ir embora. Mas agora, ela não era apenas uma pessoa em busca de tratamento. Já tinha virado fonte de renda para os pais na Bahia.
Quarta-feira, Julho 06, 2005
O começo
A noite trazia o frio, a garoa e a vontade de desaparecer assim que tivesse conseguido operar e se curar dos problemas que a trouxeram para São Paulo. O primeiro emprego conseguido por Maria foi em uma hospedaria para estudantes de medicina que faziam residência no Hospital São Paulo, na Vila Mariana. Após o jantar, Maria lavava a louça, panos de chão e jogava água na cozinha. Tudo era atentamente observado pela dona da hospedaria, que economizava no pagamento e na generosidade. Foi ela, inclusive, responsável por um dos programas mais macabros para um dia de folga de uma retirante nordestina: uma “visita” ao necrotério do hospital vizinho. Horrorizada, Maria achava que o passeio seria para outro lugar, e nunca se esqueceu das cenas vistas. Aliás, a memória prodigiosa guarda muitos episódios, contados até hoje com as mesmas palavras e com o mesmo roteiro. Se, em alguns momentos, as histórias cansam os ouvidos de quem sempre as ouviu, em outros, facilitam muito a narrativa de quem quer colocar essa história no papel.
Não ficou mais que 2 meses trabalhando na tal hospedaria. De lá, foi trabalhar em uma casa grande no Jabaquara, que pertencia à família de um famoso advogado criminalista que estava no segundo casamento e morava com os dois filhos adolescentes do primeiro casamento. “Dois desocupados”, pensava sempre que via os irmãos passarem as tardes no telefone aplicando trotes. Com raiva, contava tudo para seu patrão, que na casa era o mais compreensivo com os empregados domésticos. Por conta disso, os filhos a chamavam de dedo-duro. Não se importava. Quando tentaram se vingar com um trote para ela, utilizou a sabedoria do interior e a perspicácia que é traço da família até hoje. “Alô, é do açougue?”, ouviu do outro lado da linha. “É sim, quer que eu chame tua mãe? Ela está aqui esperando tua ligação”. O telefone foi desligado e, por um bom tempo, Maria não atendeu mais trotes.
Enquanto estava trabalhando nessa casa, Maria fez a cirurgia que tanto esperou. Precisou cortar os cabelos pretos e compridos para fazer mais um corte profundo no queixo, o definitivo.
São Francisco e São Paulo
O quisto no queixo foi o responsável pela saúde frágil que Maria teve a vida toda. Tinha febres freqüentes desde a infância e sua agilidade ao andar no meio do mato não era a ideal para quem trabalhava na roça. Caía com facilidade no barro, não agüentava correr muito e subia com dificuldades encostas ou barrancos. Tudo era motivo de piada para as irmãs que, mesmo mais novas, não seguravam o riso diante de algum acidente de percurso.
Havia poucos médicos na época e, dos poucos que haviam, apenas um curandeiro tinha a confiança da família do sr. Felipe e da dona Joana, pais de Maria. Era o velho Bazu, que, além de receitar remédios homeopáticos, também benzia os doentes e as casas de quem precisasse. Foi a ele que a família recorria em muitas das febres. Mas já era preciso procurar alguma solução para aquele problema do queixo. Foi quando Felipe levou Maria a Bom Jesus da Lapa, às margens do Rio São Francisco. Conhecida nacionalmente por atrair peregrinos a suas grutas transformadas em igrejas, a cidade conhecida apenas como Lapa tinha também a estrutura inexistente na Vereda, com hospital, médicos, restaurantes, hospedarias. Mas foi lá que Maria viveu alguns dos dias mais horríveis de sua vida: as tentativas de operações para a retirada do maldito quisto.
Os plurais são verdadeiros. Foram 3 operações, em um período de cerca de um ano. Nenhuma delas solucionou o problema de saúde de Maria. E todas foram dolorosas. Sentia uma sede tão grande que seria capaz de secar o São Francisco. Mas não conseguia colocar uma gota de água na boca. Comer também era muito difícil. Chegou até a ouvir, no leito, que estava desenganada. Mas voltou para a Vereda em todas as vezes. Depois de uma das cirurgias, enfrentou uma crise de depressão, da qual os outros lembram mais do que ela. Mas as febres não passavam. O jeito era tentar ir para outro local, maior, com bons médicos e oportunidades de trabalho. O local escolhido foi São Paulo, para onde outros primos e parentes já tinham ido.
Difícil
Essa metáfora pode ser usada também para todos aqueles que votaram na esperança, como eu. Foram campanhas cheias de emoção aquelas de 2002. O sindicalista, o migrante, a esquerda no poder... Ao longo do mandato, mesmo sem ter porque ter esperança, tentávamos alimentar sentimentos positivos, como os que eu alimentei assim que vi Entreatos. Agora, parece que tudo caiu, tudo ruiu. Não estou mais na faculdade, mas, em quem os universitários vão votar? Quem os movimentos sociais e de base vão apoiar? Como é que nós, que sempre defendemos justiça social, vamos analisar em quem votaremos? Para onde vai todo aquele discurso de ética, de responsabilidade, que me faz sempre digitar o número 13 em todas as eleições que votei?
Sinceramente, acho besteira acreditar na tal teoria conspiratória, que já vi várias pessoas defendendo. É óbvio que a imprensa toda ia cair babando nos erros que o PT e o Governo Lula cometessem. Afinal, o PT sempre foi o fiscalizador. É natural que se tornasse vidraça. E outra. Como disse Heloísa Helena ontem, a elite que supostamente degolaria Lula permanece no poder. A quem interessa o golpe?
Estou órfã. Tudo o que eu defendi foi pro ralo. Tentei convencer minha família que o governo atual seria a chegada dos trabalhadores ao poder. Pfff. Que finalmente a direita viraria oposição. Hmpft. Que teríamos mais ética na política. Claro. Aí, como argumentar contra as frases feitas que dizem que políticos são todos iguais, que só tem gente ruim, que todos são ladrões? Como?
Em que partido eu voto nas próximas eleições?
Qual será o número do PSOL?
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Agora, difícil mesmo é aturar Roberto Jefferson como o novo herói nacional. É o grande momento da vida do cara. De capacho do Collor, passou a ser símbolo de patriotismo. E o Lula disse que daria até um cheque em branco para ele. De fato, deu. E olha só o preço.
Hoje, é atração no Jô. Que, por sinal, melhora muito seu programa com as crises. Foi assim em 92, está sendo assim agora. Outra coisa: pelos próximos meses, vão se esquecer um pouco do egocentrismo do apresentador. E ele vai colaborar muito com isso.
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Melhor continuar os capítulos com histórias de quem chegou. Já que não consigo embarcar na teoria conspiratória das elites contra o governo Lula, procuro outra coisa pra preencher meu cérebro de desempregada.
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Meu Deus, ele está até cantando no Jô. Ainda bem que a CBN cortou a transmissão. Ou meu rádio foi amigo.
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Mais uma, a última, juro, pro muro de lamentações: Gamarra estréia no Palmeiras justo no clássico contra o Corinthians. Quantos punhais num mesmo período. Logo o Gamarra?