Quarta-feira, Agosto 24, 2005
Chama o síndico!
Não li tudo. Mas tudo o que li, gostei. Continuarei com essa tarefa nos próximos dias. Já foi para a listinha de links aqui ao lado.
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Além de Condomínio Brasil, tem outra indicação nova de blog (ah, o mundo mudou depois que aprendi a inserir links por aqui). É o Suburbia Tales, que conheci via matéria na Revista da Folha sobre blogueiros. Um blog feito por suburbanos, com histórias suburbanas e personagens idem. Apesar do termo subúrbio ser estranho em São Paulo (pobre paulistano mora é na periferia, e com muito orgulho!), a essência é a mesma tanto no Méia (assim citado por eles) como em Pirituba: vizinhas na calçada, crianças na rua, cachorros vira-latas brigando com poodles tb na rua, moças com cabelos pingando Kolene. Mudam apenas alguns termos, mas não muda o espírito. Pobre é pobre em qualquer lugar. E sem perder o orgulho dos copos de requeijão e de ter uma pindura na venda.
Tudo isso me fez lembrar do show que vi da Perla aqui perto da vila. Evento inesquecível. Merece post especial.
Sexta-feira, Agosto 19, 2005
Textos
Outra fuga
Maria já tinha se livrado do curativo imenso. Mas precisava continuar trabalhando para enviar dinheiro para a Bahia. Só que aquela casa era muito estranha. O patrão, advogado, parecia ser uma boa pessoa, mas vivia recebendo visitas estranhas. Gente que mal se apresentava e subia direto para o escritório. Maria nunca teve nem idéia do que aquele pessoal ia fazer na casa do dr.
Um dia, a polícia bateu à porta. Maria foi atender. O procurado era um rapaz que acabara de chegar. Quando ela ia dizer que sim, o moço estava, a patroa interceptou a conversa e disse que lá não havia nenhuma pessoa com aquele nome e que, se eles duvidassem, poderiam vasculhar a casa. Diante da resposta, os policiais foram embora. E Maria levou outra bronca. Se abrisse a boca, colocaria tudo a perder, disse a patroa. Que deveria tomar cuidado com o que dizia. E que nunca mais fizesse aquilo.
Aquelas palavras ecoaram até a noite. Foi quando Maria resolveu ir embora daquela casa. “Que gente mais estranha, que é procurada até por polícia”, pensou ela. A decisão foi comunicada à patroa no dia seguinte. “Você só sai quando indicar outra pessoa para começar no seu lugar”. Essa seria uma missão muito difícil. Porque Maria não ia ter coragem de colocar nenhuma amiga em seu lugar. Todos seus conhecidos já sabiam que ela não gostava daquela casa. Passada uma semana, disse à patroa que já tinha arrumado as malas. “E cadê a nova empregada? Você não trouxe ninguém ainda. Só sai quando trouxer alguém pro seu lugar, eu já avisei”.
Terça-feira, Agosto 16, 2005
Síndrome das filas de banco
Evito ao máximo pegar filas de banco. Mas, quando uma conta atrasada me obriga a enfrentá-las, vejo a transformação de algumas pessoas assim que elas adentram a porta giratória em direção ao caixa. O velhinho, pacato até 10 segundos atrás, revela-se um poderoso general, desses que têm certeza de que tudo na ditadura era melhor, do salário à segurança, porque a bandidagem não tinha a liberdade de hoje e os empregos sobravam.
A simpática senhora com sua blusa tricotada torna-se uma severa justiceira, dizendo que aquela fila é uma vergonha, que o Lula (ou o presidente do momento, que pode ser apenas trocado por um XXX) é um ladrão que encheu os bolsos e que político nenhum presta. O jeito é assassinar todos eles.
O Office-boy atrasado, então, veste a roupagem de líder estudantil. Só falta subir no balcão do caixa para fazer ecoar seu discurso anarquista. Não vota em mais ninguém, safado nenhum merece a confiança dele. Aliás, ninguém merece o esforço dele, nem o patrão trouxa que não percebe que, quando ele fala que estava um puta trânsito, estava na gastando tempo na máquina do fliperama. O patrão também é safado, paga pouco e merece ser enganado, inflama-se o menino recém-saído da adolescência.
Todos esses sintomas estão incluídos naquilo que eu chamo de Síndrome das filas de banco. Porque toda a indignação descrita só dura enquanto cada um dos acometidos por esse mal permanecem na fila. O velhinho, ao receber o seu pagamento do INSS, volta a ser um vovô simpático, que vai até passar na doceria para levar balas aos netos. A senhora da blusa tricotada também esquecerá os ímpetos assassinos para voltar logo para casa e terminar seu cachecol. E o Office-boy vai passar no fliperama, comer um dogão e, ah, sim, voltar pra empresa com todos os comprovantes do que fez no banco. Pra depois dar mais um role pela cidade, com mais tarefas que o patrão safado deu pra fazer.
É bom lembrar que nem todos são acometidos pela SFB. Existem aqueles que, como eu, apenas fazem parte da platéia. Alguns, com receio, concordam com tudo o que está sendo dito. Outros tentam olhar pela janela, para a conta que vão pagar, folhear um livro ou revista ou até fingir ler a tabela com os preços de serviços bancários pendurada na parede. Eu me enquadro nesta segunda definição. Mas apenas finjo que estou distraída. Porque, confesso, ouvir as pessoas que só querem mudar o País quando estão em fila de banco é muito divertido.
Terça-feira, Agosto 09, 2005
Aleluia! Tenho links!
Em vez de ficarem fuçando os scraps alheios no orkut, dêem uma olhada nos blogs indicados. Kamiquase é poesia pura, Maio Vinte e Seis é muito bom de ler e Mão na Cumbuca é denso e rico a exemplo da titular do blog. Posso dizer que conheço os "donos" dos três blogs citados.
Aliás, Lu, reapareça!!!!!!
Segunda-feira, Agosto 08, 2005
O fio e a meada
Não sei direito ao que quis me referir... Ah, sim. Acho que perdi o fio da meada sobre os capítulos da saga de minha mãe. Vou ver se volto a escrever. Tentar pegar mais leve no sofrimento.