Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Rápidas impressões do final de semana
Ah, chega de reflexões.
Ando fazendo coisas, pelo menos. Sábado foi um dia cheio delas. Participei da Virada Cultural. Varei a noite no Sesc Pompéia, um dos meus lugares preferidos na cidade. Vi metade da peça do Gero Camilo. Na outra metade, eu estava de corpo presente, mas eu não lembro de nada. Disse a Aline que eu pesquei. Enfim. Depois, foi o show da Orquestra Manguefônica. Estava bom, mas tb não lembro de tudo. Era o cansaço.
Por conta disso, o domingão foi de sono. E de nervosismo. Tive a certeza de que o Corinthians, nunca, mas NUNCA ganhará um campeonato de forma tranqüila. Tem que ser nos pênaltis, tem que ganhar os pontos finais só na última rodada, tem que ser com gol aos 52 do 2o tempo. Só que, dessa vez, ninguém pode reclamar de falta de ajuda da arbitragem. Até eu fiquei com vergonha. Só não deu vergonha de usar a camisa do Corinthians surrada, com o patrocínio da Suvinil de 1995 e cheia de bolinhas e ainda com o número 7 que na época era do Marcelinho Carioca, hoje apenas um ex-jogador em atividade no rebaixado Brasiliense. Hm, acho que foi a camisa que não deu sorte. No próximo jogo, uso uma blusinha branca qualquer.
Semana q vem, quero ver o Fim e o Princípio, de Eduardo Coutinho. Melhor: quero levar minha mãe para vê-lo. Isso vai render um post lindo. Quer dizer, eu espero.
Secadores, preparem-se: o Mundial de Clubes vem aí. A secagem mudará de alvo.
Quarta-feira, Novembro 02, 2005
O trem ou Tudo a um real
Voltei a trabalhar. Longe de casa, pra variar. Comecei a utilizar o trem pra encurtar o tempo de percurso. Funcionou. E me ajudou também a conhecer um pouco sobre o tipo de transporte mais marginalizado que existe. Acho que, nesse quesito, o trem só perde pras carroças.
(Parêntese: dia desses, li na Folha que uma estação de metrô no Morumbi foi “apagada” porque teria também um terminal de ônibus. E os moradores colheram mais de 500 assinaturas para que o terminal nem chegasse perto deles. A região nobre ia sofrer com a chegada de ônibus, camelôs, enfim, gente pobre. Essa classe média-alta paulista é nojenta. O Movimento dos Sem Teto devia acampar no quintal deles e tomar banho em suas piscinas. Malditos. Pronto, fecha parêntese e o texto segue novamente).
São dois os trens que me levam diariamente até a Berrini. Um, que não é um primor de higiene e conservação, me leva até Osasco. Outro, até a zona Sul. Este tem um perfil mais “metrô”, por levar um povo mais arrumadinho e ser mais bonitinho, com bancos estofados e ar condicionado. Na plataforma desta linha, a rádio escolhida é a Alpha FM, com os hits da década de 80. Tudo é preparado para uniformizar o ambiente. Só não avisam isso para os camelôs, os reis dos produtos a um real. “Caroless Whisper”, de George Michael, já foi trilha para a venda de “cinco paçoquinha a um real!”. E, ao som de algum sucesso do A-ha, um moleque recém-saído da adolescência conta os trocos que conseguiu depois de vender “dois chicrete trident a um real”, ou “dois amendoim”, sempre, sempre a 1 real. O leque de produtos oferecidos é grande: chocolates (charge, hersheys, suflair), agulha, livro de receitas, água, refrigerante, cerveja... O teto costuma ser um real, exceto uma trena (ou metro), de 30 metros, oferecida a cinco reais. “Lá fora isso não sai a menos de oito, na minha mão é cinco!”, urrava, às 8h30, o vendedor.
Falando em urrar, de manhã são mais freqüentes os pedintes. Como o repentista de Cristo que, com um pandeiro barulhento, cantava rimas de louvor e atraía olhares odiosos daqueles que queriam ouvir tudo, menos um pandeiro ruidoso àquela hora. Também aparece o cego, o mudinho que vende canetas, a mãe de muitas crianças que chegou em São Paulo outro dia e não tem com o que sustentar os filhos. Também já vi pastor em pregação. Aliás, foi um dos dias mais divertidos. Porque, enquanto o pastor anunciava que o reino de Deus estava próximo dos que fossem fiéis, outros gritavam que a cerveja custava um real e mais ambulantes entravam nos vagões anunciando o amendoim e o charge. Tudo assim, ao mesmo tempo, no mesmo período.
Não é preciso muita reflexão para acreditar que a origem dos produtos vendidos é suspeita. Até porque muitas das mercadorias têm a mesma marca, ainda que os marreteiros sejam diferentes. E, em alguns dias, a oferta é a mesma. Chocolates do mesmo fabricante, amendoins com a mesma embalagem, balas do mesmo tipo. O charge (meu preferido) por exemplo, sumiu das bandejas há umas duas semanas. Justo quando eu queria comprar.
Em outro post, quero falar sobre o submundo que os trens cruzam. Sim, porque trilhos são coisas feias, não são avenidas onde funcionam lojas, restaurantes, onde ficam casas. Eles cortam a cidade por vias preparadas só para eles. Então, eles passam por fundos de casas, de prédios, de um jeito que dá pra sentir o abandono. Algumas estações mantém árvores em seus muros, mas muitas só têm os ratos como habitantes. À margem da cidade, da civilização. Mas fica pra outra vez. Porque esse aqui ficou longo. E demorei muito mais que o habitual para escrevê-lo.
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A vida anda me pregando surpresas.
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Conseguiram: o jogador mais lindo que o Corinthians já teve está fora do campeonato. Fratura, que dó. E como esse povo ta secando o Timão. Estou até com medo. E nem vou roncar papo aqui. Vai que a uruca pega.
Ah, Roger... E lembrar que, na minha época de torcida mais fanática, tinha menina que era apaixonada pelo Viola. E tínhamos que nos contentar com Marcelinho e/ou Dinei. Por isso que repito: Roger é o jogador mais lindo que o Corinthians já teve. E joga bem, e fala bem, e... está solteiro! (Como se eu tivesse chances, hahahahaa...)