Sábado, Janeiro 28, 2006

Pra não deixar passar

Quando tiver mais tempo (fiquei a tarde toda sem fazer muita coisa, mas já fiquei atrasada), eu escrevo mais. Mas tenho q registrar: o Teatro Mágico já é uma das coisas mais encantadoras que eu já conheci.
Geniais em muitos sentidos, do palco ao esquema de divulgação. Mas não posso viajar sobre isso agora: um show gratuito do Kleber Albuquerque me espera.

Sábado, Janeiro 21, 2006

Portal Encantado ou Como a Adolescência é Infame

A adolescência é uma das fases mais imbecis da vida de uma pessoa. Por isso mesmo, é uma das mais divertidas. Tudo bem, pra não ficar com um tom negativo, podemos ignorar o imbecis e ir direto pra divertidas.

Isso me ocorreu hoje enquanto eu estava na plataforma do trem, onde toca Alpha FM. A música era Spanish Eyes, da Madonna, de um disco da década de 90, a mesma da minha adolescência. Por conta de uma amiga, conheci por osmose toda a discografia da cantora. Ela adorava a Madonna, colecionava tudo dela, e eu adorava os meninos do vôlei. Mas, voltando a Spanish Eyes. Acho que nem era hit. Mas eu ouvi e adorei. Ela embalou muitos sonhos platônicos de adolescência.

Enquanto eu ouvia a Madonna berrar algo como “tears on my pillow” lá em Presidente Altino, lembrei que fiz, aos 14 ou 15, uma lista com as coisas que eu certamente faria em médio prazo – eu já usava essa expressão. Assim, até antes dos 20, digamos. Esta lista está em uma agenda que eu não achei, mas que eu li de novo nem faz tanto tempo. Um dos itens dessa lista era “aprender a tocar violão”. Ok, aprendi o basiquinho no ano seguinte. Mas, em seguida, veio: “aprender o solo de Spanish Eyes”. Ao lembrar disso, segurei o riso e olhei pra frente (se o tiozinho do amendoim passasse, poderia pensar “oba, a loira tá me dando bola”. Será que eu ganharia amendoim?).

Aí eu lembrei de outros itens da listona. Um deles era fazer o solo de uma música que hoje me dá vergonha. Mas, como não se pode contar as coisas pela metade, lá vai: era a da trilha de Dom Juan de Marco, com o insuportável Brian Adams (a que ganhou versão de Chitãozinho e Xororó – eita coisa difícil pra escrever!). Foi uma pena eu não ter achado a agenda agora. Porque tinha mais coisa sem noção.

A música acabou, o trem veio e eu continuei pensando nas coisas que a gente imagina pro futuro quando é adolescente. Parece que a fase adulta é um portal encantado, onde tudo será possível. Trabalho, baladas, chave de casa, sair à noite, viagens, dinheiro, amores... É como se tudo isso fosse fácil de ser conquistado depois de passarmos pelo portal. Eu ainda não achei o meu portal mágico.

De todo jeito, preciso reencontrar aquela agenda, pra saber se algum item da minha listinha foi cumprido. Ou pra dar mais risadas mesmo.

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Lembrei de outra coisa: aos 12 ou 13 anos, eu e minha amiga sonhávamos com uma festa de 15, baile de debutante. Não tivemos, tudo era caríssimo. Mesmo assim, fizemos uma lista de convidados de nossas festas: 15 homens e 15 mulheres. Pra quem achava que um dia ia fazer o solo de Spanish Eyes, imagine o naipe dos convidados. Com sonho e muito chute no balde, minha lista teve quase todos os jogadores de vôlei campeões olímpicos em 92, mais o Raí e algum outro bonitinho de novela da época. Na lista da minha amiga, tinha vários bonitinhos de novela mais a Madonna. Acho que emprestamos convidados e convidadas uma pra outra. Minha amiga, num lapso de realismo, chegou a dizer:

- Faltam menos de dois anos, você acha que essa festa vai acontecer?

E eu, em uma crise de otimismo, respondi:

- Mas muita coisa pode acontecer em dois anos!

Isso porque eu nem bebia.

Em tempo: nossas festas de 15 anos foram com bolinho nas nossas respectivas casas. E sem baile de debutante. Mas devia ter mais de 15 convidados. 30, quem sabe.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Inúteis

Imagine um DVD em um Fiat 147. Foi mais ou menos isso a instalação do speedy no meu micro.
Mas até q o bichinho tá andando.

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Acho que está começando a temporada de boas notícias. Mesmo com inferno astral.

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Não quero acompanhar Big Brother. Cansei. Prefiro o Wagner Moura na seqüência.

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Preciso de mais um livro pra ler.




Sábado, Janeiro 07, 2006

O sobrinho da estrangeira

(continuação do post do dia 04-12, que era a continuação de outro post q não lembro quando foi publicado)

De volta a São Paulo, a tia ligou para Maria. “Vamos na casa de meu sobrinho”. “Mas vai parecer que eu estou correndo atrás dele!”, quis recusar Maria. “Imagina, você vai como minha amiga, ninguém precisa saber”. E lá foi Maria, do civilizado bairro de Moema até a barrenta Pirituba, ainda pouco povoada e com asfalto em poucas ruas. Ao entrar na pequena casa dominada pelo tom azul, conheceu a simpática e extrovertida futura sogra e o futuro marido. Que, pelas roupas, em pouco lembrava um príncipe. A babá fora alertada no caminho. “Olha, ele é um rapaz ótimo... Mas é um pouco largado, não liga muito pras roupas que veste dentro de casa...”. A primeira visão ao vivo do futuro pai de sua filha comprovava os conselhos da tia. Com um short de idade avançada e camisa semi-aberta, o noivo consertava uma fiação da casa em cima de um banquinho. Uma mão, de vez em quando, consertava os óculos de grossas lentes, que usava graças a funções em gráficas escuras onde forçava demais a visão. Mesmo sem traje de gala, Maria sabia que o príncipe era aquele mesmo.
Mais tarde, ele levou a tia e Maria para a casa de uma prima, onde as duas pegariam ônibus para voltar aos empregos. A tia pediu para Maria ver o quintal, de onde era possível avistar o Pico do Jaraguá e o matagal da região, e chamou o sobrinho em um canto. “Tá vendo essa moça? Bonita, não? Se interessou por você! E é moça séria, responsável, trabalhadora, inteligente... E solteira!”. O rapaz também já não era considerado mais jovem para casar. Aos 36 anos, o estado civil provocava até algumas brincadeirinhas de primos sobre sua masculinidade, que rapidamente calavam com as leves ameaças da ação dos braços pesados do filho de húngaros. Era o filho preferido da dona Wilma e o apoio de muitos familiares, que o chamavam em qualquer situação – até depois de casado. Merecia ter um bom casamento, pensavam todos. Ele também já estava pensando nisso. E julgou com ótimos olhos o interesse da pequena baiana franzina de cabelos negros e jeito tímido. O problema agora era livrar-se dos casos – ou cachos, ou encrencas. Precisava mesmo tornar-se responsável. Ficou com o telefone da casa onde a moça trabalhava.

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Passaram-se dias e meses. Quase um ano. E o moço alto e loiro nunca tinha dado um telefonema sequer. “Por que essa tristeza, Maria”, perguntava a irmã, Helena. “Impressão tua”. Não era impressão. O rapaz não deu sinal de vida. E, se desse àquela altura, poderia não encontrá-la mais em sua casa. A família onde Maria trabalhava estava de mudança. Enquanto ajudava a encaixotar os objetos da casa, o telefone tocou. A patroa veio chamar a empregada. “Você conhece algum Francisco? Está no telefone”. Finalmente ele havia ligado. E explicou que queria vê-la, que sumiu para resolver outros problemas, mas que não a tinha esquecido. E marcaram um encontro. Que foi boicotado justamente pelo porteiro do prédio onde Maria trabalhava.
“Ela está viajando”. “Como assim?”, indagou o moço. “Viajando, ué. Não tá aqui não”. Enfurecido, Francisco deu meia-volta e se arrependeu de todos os “acertos” feitos só para encontrar a moça. “A gente é trouxa, essa mulherada só quer brincar, eu sou um burro”, pensava, ao volante do fusquinha vermelho reluzente. Até descobrir, por meio da tia, que tudo fora um blefe do porteiro. Que só não sentiu o peso do braço do moço loiro porque Maria não gostava de brigas.Apesar da descrição indicar o contrário, o então namorado de Maria era uma pessoa calma e paciente, apenas sujeita a explosões de fúria, como todos os calmos e pacientes.

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

Eu não...

Eu não comi sete uvas pra guardar as sementes;
Não pulei sete ondinhas (até porque nunca passei o reveillon no mar);
Não fiz contagem regressiva;
Não fiquei com o pé erguido esperando entrar a meia-noite, para supostamente entrar com o pé direito;
Não vesti branco;
Não usei lingerie recém-comprada;
Não procurei as cores que também supostamente dão sorte;
Não fiz muito esforço para ver fogos de diferentes cores e intensidade;
Não comi peru, pernil, tender ou chester;
Nem nozes ou castanhas.

Mesmo assim, minha passagem de ano foi muito boa, melhor que muitas outras que passei. Não quis me prender a nenhuma tradição imposta justamente pra me sentir livre de qualquer imposição. Não sei se terei mais ou menos sorte, dinheiro, amor ou saúde. Pelo menos, tive mais paz. Obedecer regras pelo simples fato de que todos a obedecem é muito chato.

Feliz ano novo.

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O blog fez um ano dia 02. Achei que a data seria outra. Comecei o ano passado com muito mais lamúrias. Credo. Quem se aventurar a ver os arquivos ao lado vai ver que algumas coisas parecem não ter mudado: o Luxa voltou para o Santos e eu continuo não o querendo no Corinthians. Nem ele e nem o Romário.

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