Sexta-feira, Março 31, 2006

Hoje...

... Damien Rice me faria bem.
Isso porque o dia nem acabou.

Feliz ano novo astrológico.

Sábado, Março 25, 2006

A quem interessar possa

Estou lendo Grande Sertão: Veredas. E é impressionante como é bom. Dá vontade de acrescentar mais umas 10 estações à linha do trem que eu pego todo dia, só pra não tirar os olhos da narrativa do Riobaldo. Já ouviu história contada por gente do interior, sertaneja? Eu já. Antes do livro. Muitos causos daqueles que a gente fica atenta e de olho arregalado, esperando o final. Pois é. A diferença é que esse é um grande causo, um causo que encheu um calhamaço. E contado por Guimarães Rosa. Que teve uma filha e botou nela o mesmo nome que eu tenho. Esse nome que não rima com nada. Mas que eu aprendi a gostar um pouco mais quando descobri que tinha uma xará com sobrenome ilustre e filiação nobre.



Segunda-feira, Março 20, 2006

Mais sobre o Teatro Mágico?

Vai aqui, ó!
Ou veja nos links ao lado.

Sábado, Março 11, 2006

Terapia

Deu vontade de algo, mas não sei de quê. Aquela vontade urgente, latente, de soltar algo que está preso no peito, que parece que aperta e comprime, que parece que vai sair com um grito. Isso, um grito. Daqueles bem fortes, bem potentes, aqueles capazes de fazer acender muitas luzinhas à noite, quando as ruas estão vazias e escuras. Aqueles para deixar quem ouviu de longe pensando se quem deu o grito estava louco, perturbado, sentindo dor ou tudo isso junto, ao mesmo tempo. Um grito pra limpar os pulmões, pra fazer arder a garganta e expulsar por ela tudo aquilo o que oprimiu durante a semana: as contas, os gastos, as filas, as conduções, as chuvas, mais filas, os telefones que gritam, as pessoas que estão nas conduções que também gritam, a dor que grita, o sono que chega na hora errada, a dor que não vai embora e o remédio que traz o sono de volta quando ele já parecia ter ido embora.

Quem ouvisse esse grito poderia pensar em tudo o que também está preso no peito. E, já que algum louco gritou, ele também poderia gritar. E colocaria para fora suas dores, suas amarguras, as vezes em que foi ignorado, os nãos que levou na vida, os olhares que não recebeu, os telefonemas que não deu. E gritaria também, para fazer ecoar tudo aquilo o que ele também carregava na prisão de seu peito.

Em alguma outra casa, a mãe também ouviria o grito e, em um primeiro momento, imaginaria que os filhos poderiam acordar assustados. Mas, ao perceber a intensidade e a duração do berro, ela também teria vontade de gritar. Seus filhos eram lindos, mas o casamento não tinha mais o viço dos primeiros tempos. O marido não trazia mais para casa o brilho do sonho, a vontade de ter uma casa na praia, a alegria em levar a mulher para um jantar, a satisfação de ver a casa cheia de crianças correndo. Tornou-se apenas um homem burocrático, que trabalhava em um emprego estável durante o dia, encontrava alguns amigos depois do expediente, tomava cerveja no bar e ia para casa assistir ao futebol. Ela também havia deixado de ser a moça alegre que conheceu o rapaz cheio de sonhos. Os cabelos, antes longos, agora eram curtos e quebradiços, porque ela não tinha mais tempo de cuidar. A unha, que anos antes era feita cuidadosamente todas as semanas, agora era opaca e curta, rente às cabeças dos dedos para não arranharem as crianças. Que são lindas, mas que dificilmente conhecerão um pai cheio de sonhos e uma mãe que foi bonita. Um longo grito iria acorda-los. Mas também a manteria acordada, mesmo que por alguns segundos.

E o grito dela provocaria o grito de outro, e mais outro, e mais outro... Até que a cidade acordaria com uma só gritaria. E, no dia seguinte, pessoas aliviadas e tranqüilas procurariam as farmácias para comprar pastilhas refrescantes. Que confortariam a garganta. Até o próximo grito.

** Inspirado no cotidiano de qualquer cidade, feito com a lembrança de quando eu chegava em casa, quase de madrugada, e ouvia aquele silêncio sepulcral, morrendo de vontade de quebrá-lo com um grito bem forte.


Terça-feira, Março 07, 2006

A importância da cultura inútil

Ainda hoje, falei rapidamente com minha vizinha de mesa sobre a importância da cultura inútil. Foi um comentário quase solto no meio dia, inspirado por um “eu não vejo novelas, elas não me viciam”. Não que as tramas da novela das 8 também me viciem. Mas, se estou em casa, vejo sim. E se eu sei que é o último capítulo, ou venho pra casa ou dou um jeito de arrumar a minha cadeira em frente a alguma televisão no lugar onde eu estiver. Disfarçadamente. Mas tento.
Mas então. Voltando sobre a cultura inútil. Não acho que alguém consiga viver só dela. Quer dizer, muita gente consegue sim. Ainda assim, acho que, se aplicada em momentos-chave, ela consegue dar leveza a uma vida sisuda.

Conseguir fazer uma leitura truncada é bom, entendê-la é mais recompensador ainda. Ir assistir a um filme iraniano é importante (embora eu não me lembre de ter visto um – sou quase analfa em cinema, confesso), ouvir Chico Buarque é enobrecedor e assistir a um show de Nana Vasconcelos com Zélia Duncan fazendo o “papel” de Itamar Assumpção também é muito bom. Mas a gente só faz graça do que é trash, mal feito e, conseqüentemente, inútil. Chuto até que esse é um dos motivos das superlotações das festas estilo Trash 80’s.
Quem aí já conseguiu fazer piada com Dostoievski? E quem já caiu na gargalhada vendo João Gilberto? Alguém já fez escracho com... com... algum cineasta muito do fodão que eu não conheço? Mas com ícones da cultura inútil, como a enxurrada dos anos 80 que foi ressuscitada e os hits da lotação – vide Calypso, funks, Brunos e Marrones – é muito fácil cair na gargalhada. Só a imitação de uma coreografia de Luis Caldas pode fazer alguém se divertir mais do que um ensaio de Total Eclipse of The Heart. Assim como a lembrança de algumas músicas do Latino ou as fotos dos personagens de Carrossel crescidos.
Veja bem, não é nostalgia da infância, adolescência e não sei o quê. É diversão com tosqueira, pura e simples. Um tipo de cultura que, pensando bem, nem é tão inútil, mas ajuda a ver que o nosso cérebro armazena muito mais coisa do que imaginamos. Tudo bem, vai, ele guarda essas baboseiras todas e tem horas que apaga o que deveríamos ter feito pela manhã. O que importa é manter lá no HD dos cérebros o espaço destinado à cultura inútil. Em muitos casos, é ela quem pode salvar o dia. Além disso, com este tipo de conhecimento ninguém precisa fingir ser mais inteligente ou bem informado. Ou sabe ou não sabe. Ou lembra a coreografia de Ilariê ou nunca ouviu “Se ela dança eu danço”. Simples assim.

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Tem horas que eu queria ter um laptop acoplado ao cérebro, pra escrever direto, sem digitação até. Eu estava pensando em escrever uma coisa muito mais consistente quando estava no trem hoje. Ia ficar legal pra caramba. Mas deve ter ficado pelo trem.

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Inclusive, quando eu pensei nisso que escreveria, o alto-falante da estação Presidente Altino (sempre na Alpha) tocava It must have been love, um dos clássicos mais clássicos do Roxette que, para mim, também pode ser considerado outro ícone da cultura inútil. Viva Roxette!

Quarta-feira, Março 01, 2006

É assim mesmo, eu juro


O Pouso da Cajaíba é um dos lugares mais lindos que eu já visitei, e justamente um dos poucos pra onde não levei máquina fotográfica. Mas é assim mesmo, eu juro.

À noite, o balanço do ônibus parecia o balanço do barco que levava até Paraty. Que, por sinal, lembrava a água calma onde fiquei boa parte destes dias. Agora, viva o Caladril.

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Já fazia tempo que eu não acompanhava apuração de escolas de samba e o déissshhh tão esperado. Deu Vila Isabel. Não que eu tenha preferência no Rio. Mas, ainda assim, foi engraçado voltar a ouvir o déisssshhh.

Aqui em SP, garfaram bonito a Gaviões. Lucraram com ela no desfile de acesso do ano passado, vão lucrar de novo no ano que vem. Pior é o seguinte: sempre que a Gaviões ganha o carnaval, o Corinthians ganha algum título (qquer coisa). Quando foi rebaixada a primeira vez, o time não foi rebaixado, mas também não ganhou nada.
Sai pra lá, zica.

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