Domingo, Agosto 20, 2006
A queda de uma birra
Eu confesso: tinha a maior birra do mundo pelos Los Hermanos. Tudo culpa da overdose de Anna Julia de sete anos atrás. E da seqüência de Primavera, que tocou um pouco menos, mas ainda era insuportável para os meus ouvidos. Na época, um primo até tentou me mostrar que não era uma banda apenas com hits chiclete, tinha outras faixas interessantes naquele primeiro CD. Não teve jeito. A birra instalou-se e pronto.
Os álbuns seguintes trouxeram críticas melhores. Mas ainda não tinha me animado a ouvir para tentar gostar. Até acreditava que eles realmente eram bons, principalmente porque eles aniquilaram a insuportável Anna Julia do repertório. Só que outra coisa me irritava então: aquela tristeeeeza e melancolia. Era over demais pra mim - mesmo que eu amasse REM, Travis e coisas do gênero. Eu achava que aquela postura "sou triste e o mundo me faz mal" não era verdadeira e não podia vir de quatro rapazes cariocas, nascidos em uma cidade quente e ensolarada. Aquilo tudo me cansava. E já tinha muita gente idolatrando o grupo. Eu não ia ser mais uma.
Essa birra me impediu de conhecer algumas músicas de letras lindas. E ela começou a ser quebrada há pouquíssimos dias, em um show que nem era deles. Foi na voz de Rubi que eu descobri a música que martela minha cabeça há dias: "De onde vem a calma". Eu certamente já tinha ouvido antes. Mas não com o coração aberto de quem conhece algo novo. E eu pude perceber que conheci, com três anos de atraso (a música é do álbum "Ventura", de 2003), versos tão tocantes como "Eu não vou mudar não / Eu vou ficar são / Mesmo se for só / não vou ceder / Deus vai dar aval sim, / o mal vai ter fim / e no final assim calado / eu sei que vou ser coroado rei de mim". Na voz de Rubi, dá vontade de chorar (para quem gostar do estilo. Ou não. Enfim).
Uma birra solidamente construída durante sete anos não vai acabar apenas com a descoberta de uma letra. Mas já será um caminho. Por isso, agora vou começar a prestar atenção de verdade às letras dos Los Hermanos. Sem esquecer do Rubi.
***
"Puxa, eu ouvi essa música e não senti nada disso", podem pensar alguns. Eu estava no momento de ouvir isso ou outra coisa e choraaar convulsivamente. Nenhuma mulher fica imune ao efeito dos ciclos vitais.
Os álbuns seguintes trouxeram críticas melhores. Mas ainda não tinha me animado a ouvir para tentar gostar. Até acreditava que eles realmente eram bons, principalmente porque eles aniquilaram a insuportável Anna Julia do repertório. Só que outra coisa me irritava então: aquela tristeeeeza e melancolia. Era over demais pra mim - mesmo que eu amasse REM, Travis e coisas do gênero. Eu achava que aquela postura "sou triste e o mundo me faz mal" não era verdadeira e não podia vir de quatro rapazes cariocas, nascidos em uma cidade quente e ensolarada. Aquilo tudo me cansava. E já tinha muita gente idolatrando o grupo. Eu não ia ser mais uma.
Essa birra me impediu de conhecer algumas músicas de letras lindas. E ela começou a ser quebrada há pouquíssimos dias, em um show que nem era deles. Foi na voz de Rubi que eu descobri a música que martela minha cabeça há dias: "De onde vem a calma". Eu certamente já tinha ouvido antes. Mas não com o coração aberto de quem conhece algo novo. E eu pude perceber que conheci, com três anos de atraso (a música é do álbum "Ventura", de 2003), versos tão tocantes como "Eu não vou mudar não / Eu vou ficar são / Mesmo se for só / não vou ceder / Deus vai dar aval sim, / o mal vai ter fim / e no final assim calado / eu sei que vou ser coroado rei de mim". Na voz de Rubi, dá vontade de chorar (para quem gostar do estilo. Ou não. Enfim).
Uma birra solidamente construída durante sete anos não vai acabar apenas com a descoberta de uma letra. Mas já será um caminho. Por isso, agora vou começar a prestar atenção de verdade às letras dos Los Hermanos. Sem esquecer do Rubi.
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"Puxa, eu ouvi essa música e não senti nada disso", podem pensar alguns. Eu estava no momento de ouvir isso ou outra coisa e choraaar convulsivamente. Nenhuma mulher fica imune ao efeito dos ciclos vitais.
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Memorias
Alto, discreto e silencioso, o seu Francisco tinha uma sensibilidade objetiva, se é que se pode definir com objetividade um sentimento tão subjetivo. Não era dado a grandes arroubos de emoção e deve ter chorado poucas vezes na vida. Mas sempre conseguiu captar, na hora, que alguém não estava bem, se estava triste ou se tinha chorado. E não era de uma maneira invasiva e inquisidora daqueles que julgam ter a autoridade pra perguntar em voz alta “mas o que é que você tem??? Me conta agora!!!”. Era com a voz mansa e o jeito calmo que ele apenas dizia: “Você chorou. Eu percebi. Mas fique tranqüila. Tudo se ajeita”. Para, em seguida, complementar com uma passada de mão na cabeça e um beijo na testa. Assim, sem alarde, sem escândalo e sem perguntas. O suficiente para que alguém abrisse toda a vida e os motivos das lágrimas. Ou, apenas, para sentir confiança.
Convivi apenas 20 anos com o seu Francisco. O suficiente para herdar sobrenome, cor de cabelo, tipo físico (os pés são quase iguais), gênio, reações, comentários e até hábitos, como cavucar os dedos no limite entre as unhas e as cutículas. O resultado é desastroso em mim assim como era nele. E a mania sempre foi inconsciente para ambos. Nossos aniversários eram separados por apenas três dias, o que já me fez confundir as datas em pelo menos três ocasiões. E o time de coração também permaneceu. Inclusive, as poucas vezes em que vi o seu Francisco elevar a voz foram as vezes em que o time nos deu alegria. Mas isso sem ir a estádios – ele tinha aversão a multidões. Me ensinou a torcer e a gritar em casa mesmo, para que todos os vizinhos soubessem que aquela era uma casa de corintianos.
Não temos mais a sua companhia física há seis anos, o que nos faz ir algumas vezes visitá-lo onde estão os seus últimos sinais materiais, digamos assim. Como as lembranças ao longo da vida foram muito boas, nunca achei que fosse conveniente sentir aquela tristeza sem fim ao falar o nome dele. Também acreditei sempre que devia presenteá-lo com sinais alegres. Por isso, me recuso a levar flores murchas e tristes. Sempre levo girassóis. São as flores que seguem o sol, a vida. E uma pessoa que motiva até hoje lembranças e histórias não pode ser lembrada apenas como alguém que morreu. O que o seu Francisco deixou continua vivo.
Inclusive o dia dos pais que passei ontem. Um dos mais gratificantes dos últimos anos, com direito a histórias da família do lado húngaro, os hábitos dos nossos avós e até a característica desagregadora de uma colônia que não é colônia no Brasil. Os húngaros são muito complicados.
Convivi apenas 20 anos com o seu Francisco. O suficiente para herdar sobrenome, cor de cabelo, tipo físico (os pés são quase iguais), gênio, reações, comentários e até hábitos, como cavucar os dedos no limite entre as unhas e as cutículas. O resultado é desastroso em mim assim como era nele. E a mania sempre foi inconsciente para ambos. Nossos aniversários eram separados por apenas três dias, o que já me fez confundir as datas em pelo menos três ocasiões. E o time de coração também permaneceu. Inclusive, as poucas vezes em que vi o seu Francisco elevar a voz foram as vezes em que o time nos deu alegria. Mas isso sem ir a estádios – ele tinha aversão a multidões. Me ensinou a torcer e a gritar em casa mesmo, para que todos os vizinhos soubessem que aquela era uma casa de corintianos.
Não temos mais a sua companhia física há seis anos, o que nos faz ir algumas vezes visitá-lo onde estão os seus últimos sinais materiais, digamos assim. Como as lembranças ao longo da vida foram muito boas, nunca achei que fosse conveniente sentir aquela tristeza sem fim ao falar o nome dele. Também acreditei sempre que devia presenteá-lo com sinais alegres. Por isso, me recuso a levar flores murchas e tristes. Sempre levo girassóis. São as flores que seguem o sol, a vida. E uma pessoa que motiva até hoje lembranças e histórias não pode ser lembrada apenas como alguém que morreu. O que o seu Francisco deixou continua vivo.
Inclusive o dia dos pais que passei ontem. Um dos mais gratificantes dos últimos anos, com direito a histórias da família do lado húngaro, os hábitos dos nossos avós e até a característica desagregadora de uma colônia que não é colônia no Brasil. Os húngaros são muito complicados.
Sábado, Agosto 05, 2006
Estréias e outras coisas aleatórias
O nobre espaço ao lado, dedicado apenas aos links que quero, tem duas estréias.
Uma delas é o blog do Thiago, amigo que lutou muito para ir ao Velho Mundo e hoje está em Dublin. O moço deve estar mto ocupado em terras européias, já q o material não está assim tãão atualizado. Mas as impressões q ele deixou por lá sobre a Irlanda são ótimas.
A outra novidade foi descoberta sem que eu procurasse. E dizem que as coisas acontecem sem que a gente procure, não é mesmo? Pior é que parece que quando a gente procura só um pouquinho, tchum, o objeto vai embora. Saco.
***
Agora vai: meu Timão conseguiu ganhar e sair da lanterna isolada. Uhu. Nem sem pq não soltei fogos.
***
Nimesulida aliviou, mas não curou a dor de garganta dos infernos. Aceito novas indicações de medicamentos.
Uma delas é o blog do Thiago, amigo que lutou muito para ir ao Velho Mundo e hoje está em Dublin. O moço deve estar mto ocupado em terras européias, já q o material não está assim tãão atualizado. Mas as impressões q ele deixou por lá sobre a Irlanda são ótimas.
A outra novidade foi descoberta sem que eu procurasse. E dizem que as coisas acontecem sem que a gente procure, não é mesmo? Pior é que parece que quando a gente procura só um pouquinho, tchum, o objeto vai embora. Saco.
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Agora vai: meu Timão conseguiu ganhar e sair da lanterna isolada. Uhu. Nem sem pq não soltei fogos.
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Nimesulida aliviou, mas não curou a dor de garganta dos infernos. Aceito novas indicações de medicamentos.
Quinta-feira, Agosto 03, 2006
Para encher espaço
Ao pegar nesta caneta para escrever estas mal-traçadas linhas, o faço com o desejo de enviar-lhe minhas notícias e o anseio de receber as suas. Esperamos que este papel o encontre em perfeito estado de saúde e prosperidade. Se assim acontecer, estará completo o meu desejo.
As mal-traçadas linhas acima obviamente não foram feitas com caneta e, se estivessem em um papel, ocupariam metade da pauta. São dizeres assim que serviam de cabeçalho para cartas enviadas antigamente, escritas pelos "letrados" (ou alfabetizados, apenas) do interior, como favor para os pais que queriam ter notícias dos filhos na capital. Mas o empolamento da introdução não servia apenas para se dizer que sabia ler. Como neste post, ele serve para ganhar espaço quando não temos absolutamente nada para dizer.
Não é que não esteja acontecendo nada. É justamente porque está acontecendo muita coisa.
Por isso, palavras soltas de quem está se recuperando de uma dor de garganta.
Nimesulida rules! Muito obrigada a quem me deu a indicação. Vou tomar a cartela inteira. Por minha vontade, de uma vez, pra dor passar logo. Mas não quero uma overdose neste momento.
***
Tá bom, dos meus 5 leitores, pelo menos 3 já me zoaram por causa de futebol. Por causa da campanha do meu time, que tá vergonhosa. Nem o Palmeiras faz companhia lá embaixo. Isso me fez receber mtos e-mails com as mesmas piadas que eu repassava há uns 3 anos, mas com meu time como personagem. Triste. Pior é que até eu acabei inventando uma, pra deleite do são-paulino que ouviu, e ainda durante um jogo da Libertadores. "Mas tio, o Corinthians está indo rumo a Tóquio. Só que resolveu cavar pro fundo, pra ver se chega mais rápido!".
Se a gente não rir da própria desgraça, os outros continuam rindo do mesmo jeito. Pior é que eu cantei a bola (ai, trocadilho imbecil) várias vezes: se esse time não fosse longe na Libertadores, arriscava até ser rebaixado. Só não vou procurar isso por aqui pq deu preguiça. Mas minha memória seletiva é ótima. Como todas as memórias seletivas.
As mal-traçadas linhas acima obviamente não foram feitas com caneta e, se estivessem em um papel, ocupariam metade da pauta. São dizeres assim que serviam de cabeçalho para cartas enviadas antigamente, escritas pelos "letrados" (ou alfabetizados, apenas) do interior, como favor para os pais que queriam ter notícias dos filhos na capital. Mas o empolamento da introdução não servia apenas para se dizer que sabia ler. Como neste post, ele serve para ganhar espaço quando não temos absolutamente nada para dizer.
Não é que não esteja acontecendo nada. É justamente porque está acontecendo muita coisa.
Por isso, palavras soltas de quem está se recuperando de uma dor de garganta.
Nimesulida rules! Muito obrigada a quem me deu a indicação. Vou tomar a cartela inteira. Por minha vontade, de uma vez, pra dor passar logo. Mas não quero uma overdose neste momento.
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Tá bom, dos meus 5 leitores, pelo menos 3 já me zoaram por causa de futebol. Por causa da campanha do meu time, que tá vergonhosa. Nem o Palmeiras faz companhia lá embaixo. Isso me fez receber mtos e-mails com as mesmas piadas que eu repassava há uns 3 anos, mas com meu time como personagem. Triste. Pior é que até eu acabei inventando uma, pra deleite do são-paulino que ouviu, e ainda durante um jogo da Libertadores. "Mas tio, o Corinthians está indo rumo a Tóquio. Só que resolveu cavar pro fundo, pra ver se chega mais rápido!".
Se a gente não rir da própria desgraça, os outros continuam rindo do mesmo jeito. Pior é que eu cantei a bola (ai, trocadilho imbecil) várias vezes: se esse time não fosse longe na Libertadores, arriscava até ser rebaixado. Só não vou procurar isso por aqui pq deu preguiça. Mas minha memória seletiva é ótima. Como todas as memórias seletivas.