Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Sobre as eleições, finalmente

Dias atrás, ao fazer o último post, eu estava aflita por não saber o que dizer. Mas hoje acontece o contrário: tenho muito sobre o que opinar, e não sei bem por onde começar.

Então, vai pelo assunto mais fresco na memória. Sim, as eleições, finalmente. Eu senti muita tristeza ao saber que ontem o Lula não iria ao debate. Porque, mesmo dizendo aos quatro cantos que votarei na Heloisa Helena, queria dar mais uma chance ao meu voto petista e à emoção que dominou a campanha de quatro anos atrás. Para mim, era a chance do presidente se defender, ainda que tudo fosse apenas peça teatral.

Hoje, ouvi opiniões diferentes sobre a atitude dele. Alguns, como eu, lamentaram. Outros ficaram furiosos e já disseram que não votam mais nele. Os mais escolados, menos ingênuos e já sem a esperança do slogan de Duda Mendonça, já esperavam. Era uma desistência estratégica. Lula não ia saber se defender da metralhadora de acusações. Se fragilizaria. Para quê prejudicar uma eleição em primeiro turno, às vésperas de acontecer um fato histórico destes?

A política é um jogo muito racional, mas o dia de ontem me fez ter muita saudade da comoção das últimas eleições presidenciais. Preguei adesivo do PT na janela, saí às ruas de vermelho no dia seguinte ao segundo turno. Vi pela TV o discurso do Lula na Paulista e chorei, pois sempre tive a crença firme de que o Brasil só começaria a mudar quando o andar de baixo ocupasse o poder. São os habitantes deste andar que conhecem um mundo apenas analisado por intelectuais, que teorizam a pobreza, mas vão dormir em suas casas com a infraestrutura burguesa, de acordo com suas próprias denominações. A festa da posse e aquele povo todo em uma cidade que não parece ter sido feita para o povo... Guardei uma série de coisas desta época. Fica para a posteridade, pensei.

Três anos depois, as denúncias do mensalão me fizeram passar a primeira e maior vergonha com minhas escolhas. Não me senti arrependida, mas traída. Pega de surpresa, assim como quem vai a uma festa e vê parente dar vexame. Tive vergonha de comentar o fato. E de esclarecer qualquer dedo na cara me apontando um “ta vendo? O PT é pior que os outros!!!”. Fui o primeiro e talvez o único voto petista da minha casa desde que tirei meu título de eleitora. Tentei a todo custo desfazer a ojeriza que muita gente tinha ao partido, ao Lula e aos demais “barbudinhos”, ainda que nem todos tivessem a tal barba. Era óbvio que, no primeiro tropeço, eu ia ser cobrada.

Depois da sucessão deles, pararam de me cobrar. O PT tinha se tornado um partido como os outros e as pessoas começaram a se acostumar com a reeleição de Lula. O escândalo dos dossiês foi mais uma grave mancha, mas seu peso foi amenizado pela descoberta do mensalão, das CPIs, das declarações de Roberto Jefferson a José Dirceu, do afastamento de Antonio Pallocci do Ministério da Fazenda. Afinal, este já é um partido igual aos outros.

Mas, enquanto tudo isso aconteceu, Lula fez seu eleitorado no andar de baixo, principalmente com o Bolsa Família. E eu não vejo nenhum mal nisso. Distribuir um cartão que dá direito a 50 reais por família não é o ideal mesmo. Mas o que ninguém parece querer ver é que, se Lula construiu um eleitorado com o Bolsa Família, não foi apenas por causa de uma política supostamente assistencialista para a criação de massa de manobra. Ele criou este eleitorado porque NINGUÉM antes havia chegado até ele. Simples assim.

Outro programa que pode ter criado eleitores cativos foi o ProUni, que dá direito a bolsas integrais ou parciais em universidades particulares. “Ah, particulares? Mas devia ser nas universidades públicas!”. Claro, em um mundo ideal, sim. Mas, uma vez que tem acesso ao ensino, um jovem que sempre batalhou por aquilo vai ter condições de competir em igualdade de condições no mercado de trabalho, ainda que tenha que fazer curso de inglês simultâneo ao emprego e ao curso superior, ou que tenha de ler todos os livros que seus colegas leram ainda nos bancos da escola, ou mesmo que não possa contar nas rodinhas da empresa que nunca foi à Disney e que precisa se apertar para pagar as contas.

E é ao analisar tudo isto que eu continuo indecisa. Comecei falando que o Brasil só mudaria no dia em que o andar de baixo tomasse o poder. Lula investiu bem neste andar e sua reeleição será decidida por seus habitantes. Que não são a pária da sociedade, como em uma Índia dividida em castas. Aqui, eles têm seus títulos de eleitor. Mas o engraçado é que eles não parecem ser considerados cidadãos, ao menos para os meios de comunicação. Apenas massa de manobra. Cidadãos somos nós, a classe média estudada. Que fica assim, indecisa, quando um candidato resolve trocar um debate por um comício em São Bernardo do Campo.
Acho, sinceramente, que só conseguiremos analisar a era Lula nos livros de história. E isso é tarefa para daqui 20, 30 anos, com fontes como jornais, revistas e, por que não, blogs. Como este aqui.

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Acho q esse post bateu o recorde de tamanho. Se ficar chato, me desculpem. Prometo que os próximos serão mais leves.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Silêncio não é igual a falta de assunto. E outros temas aleatórios

É sempre assim. Eu cheguei aqui pra fazer uma coisa e acabei me perdendo em outra. Como neste post aqui. Que nem sei pra que rumo vai. Porque eu não sei sobre o que escrever hoje.

É terrível não saber o que dizer. Aqueles silêncios intermináááveis... Ou a tiradinha q vc tem na ponta da língua, mas que não pode dizer ainda porque está num ambiente novo e desconhecido. “E se pensarem que eu sou muito podre?” é o pensamento que impede as palavras de saírem. Os dias subseqüentes mostram que isso é uma bobagem, já que todo mundo percebeu que você é podre mesmo. E aquele argumento indefensável que poderia ter sido dito na reunião de trabalho? Aquele, que ia te fazer ser um pouco mais respeitada por um bom tempo?


E aqueles silêncios que deveriam ser preenchidos por uma resposta mal educada, à altura da patada levada? São estes os que mais me torturam. Pq, depois que o assunto não precisa mais ser remexido, vêm à mente todas as respostas. É bem verdade que eu já dei respostas mais rápidas que meu pensamento (daquelas de se pensar depois: mas eu disse isso mesmo?). Mas tb é fato que eu já fiquei muda em outras muitas vezes. Especialmente quando estava desarmada. Também fiquei muda quando não era possível argumentar. Sabe murro em ponta de faca? Então. Já dei muitos e senti que dói. Melhor economizar o cérebro com coisas mais úteis.


E então, assim se fez um post. Isso porque eu não falei do “se” que invariavelmente acompanha o silêncio. Claro. “E se eu falasse isso agora...”, e o assunto muda de rumo. “E se eu perguntasse isso...”, e a pessoa que era o alvo da pergunta sai e não volta. “E se...”, e aí, você mesma começa a fazer outra coisa e até esquece o motivo do primeiro “se”.


Isso pode ser coisa de gente tímida.


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Reestréia aqui: sim, Mawá é com W e o cafofo da minha querida amiga está reformado, em novo endereço e com novos móveis. Bem profiça. Foi por conta do rosh hashana? Se foi ou não, shana tová para todo mundo, inclusive para os cristãos que não sabem muito bem como funcionam todos os rituais judaicos (engraçado pensar que, lá atrás, todo mundo era da mesma religião).


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Sweet já pediu um pra ela aqui, tb quero pedir pra mim. Me mandem testes! Podem ajudar o blog a não ficar tãão cheio de poeira :)


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Ah. Eu vi o vídeo pornô com a Daniela Cicarelli. Quando eu estava achando que Tapa na Pantera ia ser o maior sucesso do Youtube neste ano, a bocuda lá rouba as atenções de novo. (mas que lindo o homem berinjela dela, hein?). Não vou entrar em campanha de defesa e nem atirar pedras. É só pra comentar o fato. Será que eu tb posso ser processada?

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É. Fugi de novo de comentar política. Não quero. Estou com vergonha e com preguiça.

Domingo, Setembro 10, 2006

O poder do medo

Acabei de ver uma matéria no Fantástico sobre mãe e filha que foram descobertas presas em um barraco velho no interior da Bahia. Elas ficaram lá por nove anos – a idade da filha - sem nenhum contato com o exterior. A criança nunca foi à escola, nunca viu torneira e mal sabia falar. Não conhecia brinquedos. As duas ficavam trancadas por corrente e cadeado enquanto o pai, lavrador, passava o dia fora de casa. A matéria foi exibida logo depois do caso da menina austríaca, que todo mundo soube.

Em ambos os casos, minha pergunta foi: por que não fugiram? A mãe e a filha da Bahia estavam em um barraco de madeira, que podia ser destruído com uma cadeira, um facão, a panela, os utensílios domésticos que as duas usavam. E, no caso da menina austríaca: por que não saiu correndo, se o homem que a aprisionava a levava para sair, para ir ao mercado, por exemplo?

Aí que eu pensei no medo, que é um sentimento capaz de aprisionar muito mais que qualquer cadeado. Para mim, para quem eu conheço e para um monte de gente com uma vida parecida às nossas, sentir medo de fugir de situações como as descritas acima pode parecer um absurdo, já que a vidinha que é levada é uma coisa besta, que não pode ser pior. Mas o medo não é racional. E é por isso que ele provoca situações que não podem ser julgadas pela lógica, assim como o dia do pânico que o PCC impôs a São Paulo em 15 de maio. E também como a desconfiança coletiva despertada após o 11 de setembro de cinco anos atrás, que legitimou a paranóia dos EUA contra todos e tudo o que pareça muçulmano radical. Muito já vai se discorrer sobre isto nesta semana, por isso, fico por aqui.

Na preguiça de analisar o mundo pós-11 de setembro, prefiro lembrar em como eu estava há cinco anos. Recebi a notícia no trabalho, tinha acabado de chegar. Ouvi o burburinho (era uma empresa de sites, eu era uma das responsáveis pelo conteúdo), os comentários “você viu que os prédios caíram?”. Ainda sob o efeito sonolento das 9h, vi as fotos dos prédios pegando fogo e associei aos episódios do South Park. Aquilo não podia ser tão sério assim.

Mas era. E provocou o caos na internet, tirou o Uol e o IG do ar temporariamente, fez os provedores ficarem com páginas provisórias que suportassem o tráfego intenso, e fez o mundo ficar solidário, ainda que por alguns dias, com os EUA. As pessoas que morreram eram comuns, que tinham ido ao trabalho, que tentavam começar seus dias, que planejavam os finais de semana ou suas noites depois do expediente.

O prédio onde eu estava ficava no Itaim, um bairro mais ou menos próximo do aeroporto. Sempre vi muitos aviões passarem por trás dos prédios, tantos que nem percebia. Naquele dia, acho que devo ter visto todos os aviões, sempre com a frase paranóica na cabeça: “aquele vai bater naquele prédio! Aquele também! Aquele outro também!”.

O mundo ficou muito mais estranho depois daquilo.

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Pra não ficar com esse tom de "o mundo não tem jeito": a José Paulino merece análise sociológica. Todos os extratos das camadas da população feminina parecem se encontrar lá. Todos. Desde quem é largada e precisa comprar umas coisinhas arrumadinhas pra enganar durante a semana até as fashions que parecem ir arrumadas pra Oscar Freire. (Não preciso dizer em que grupo me enquadro). Meus pesadelos com calças continuaram. Pelo menos, não sofro o mesmo com as blusas. Tem até divisão de classe por lado de calçada: o da esquerda, pra quem desce, é o mais povoado, com mais baciadas.. O da direita tem mais lojas arrumadinhas, com baciadas e cabides que só enganam e nem marcam preços, o que dá medo.
Senti aquela inenarrável alegria de pobre, que é achar blusinha fofa e boa a 5 reais. A mesma que eu sinto quando eu corro atrás de ônibus, consigo entrar e ainda vejo o 0,00 na catraca, sinal de que o bilhete único ainda está valendo. Algumas pequenas coisas nos fazem ganhar o dia.


Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Retalhos

Os comentários do post abaixo estavam tão divertidos, e eu estava com tão pouco tempo, que foi dando uma preguiça de atualizar o blog. Várias idéias me ocorreram, é verdade. Mas também é verdade que eu me senti na obrigação de atualizar em alguns dias. Aí, esperei o sentimento de obrigatoriedade passar. Já fazemos muita coisa por obrigação. Isso aqui é lazer: pra quem escreve, pra quem lê, pra quem comenta.

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Na semana passada, eu fiquei bem chocada com a história do plágio que um colunista de um jornal de Santa Catarina (O Estado) fez do Querido Leitor, da Rosana Hermann. Assustada mesmo. O tal Miltinho Cunha revelou-se um vampiro ladrão não apenas dos posts, mas de expressões próprias dela. Sempre fiquei mto irritada quando descobria, via google, que algumas matérias publicadas tinham frases, parágrafos e períodos chupinhados de outras. Neste caso, então, a coisa é absurda. Ela fez a coluna do cara, mas a assinatura foi do sujeito. Não ficou por isso mesmo: a justiça foi acionada e um bom barulho foi feito. Td bem que, por aqui, o barulho foi feito com atraso... antes um eco que o silêncio!

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Claro que eu acompanho, na medida do possível, o horário político. E tenho dois preferidos. Um é o Clodovil, já que, afinal, depois dele Brasília nunca mais será a mesma. E a outra é a substituta da Havanir no Prona, PA-TRÍ-CIA. O que eu acho mais engraçado é que ela parece uma menina comum, dessas que dividem o elevador na hora de ir ao trabalho. Até ela começar a vociferar que trabalha há quase dez anos com o Dr. Enéas, é recém-formada em Direito é que o NOME DELA É PA-TRÍ-CIA! 56 - TRE-ZEN-TOS!

É engraçado e é triste. Há quatro anos o Brasil tinha outro clima... Estou com vontade de ir às urnas com nariz de palhaço. Principalmente depois de ter visto isso aqui. Por protesto, por raiva, por desencanto, por desencargo, digitarei o número 50 na urna eletrônica.

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Pra acabar: eu estou já faz um tempo pra comprar mais alguma coisa de Guimarães Rosa. Por indicações confiáveis, eu ia procurar Primeiras Estórias. Mas Sagarana caiu na minha mão, folheei, li a introdução... e trouxe! Será minha próxima leitura de ônibus. Primeiras Leituras ficou na fila.
A próxima compra será de Ventura, de Los Hermanos. Me rendi.

Vcs sabiam que eu tenho o mesmo nome que uma das filhas do Guimarães Rosa? Sabiam? Sabiam que serviu pra eu ter pelo menos um consolo, já que sempre achei que Vilma fosse nome de vovó?.

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Ah é, foi BlogDay dia desses. Feliz BlogDay pra vcs todos, seja lá quando tenha sido ou o que isso signifique.



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