Segunda-feira, Novembro 20, 2006
Quanto tempo dura um padrão?
Com tantas notícias sobre anoréxicas, lembrei da minha infância. Não que eu fosse magrela. Mas justamente porque eu era considerada gordinha para os padrões da época (época = 15 anos atrás, aproximadamente). E crianças são seres cruéis. Aqueles quilos a mais renderam muitos traumas. Eu poderia me tornar uma criança ainda mais quieta e introvertida. Mas preferi me tornar vingativa e destilar veneno também, como pura forma de defesa. Se a molecada mirava diferentes apelidos em mim, eu tentava rebater com a distribuição de apelidos para eles, com toda a maldade presente em um ser de 10 ou 11 anos de idade. Nem os amigos ficavam impunes.
E hoje eu também lembrei que eu tentei fazer regime com esta idade. Inspirada em uma propaganda de calça jeans (terá sido a US Top?), em que uma menina vai experimentar a peça em uma semana, não cabe, e vai na outra, depois de fazer regimes e exercícios, eu tentei fazer o mesmo. Folheei revistas velhas de casa, formulei um cardápio com várias refeições fracionadas ao dia e cuidava da parte aeróbica no quintal de casa, chutando uma bolinha contra a parede ininterruptamente até ficar encharcada de suor. E ia tomar banho. Era época de greve na escola e, quando voltei, um monte de gente reparou na perda de peso. Fiquei orgulhosa.
Devo ter engordado de novo, até menstruar pela primeira vez e crescer, esticar como qualquer adolescente. E aí, já tinha desenvolvido o gosto por atividades físicas (talvez por conta do monte de aulas vagas? E dos amigos? E da zoeira?), ainda que fosse muito ruim em qualquer uma delas. O complexo de gordura sempre rondou minha vida. Mas nunca mais fiz voluntariamente regimes como aquele. Eles passaram a me lembrar recomendação médica, por causa das crises de gastrite manifestadas desde os 15. Por isso, desenvolvi horror a eles.
Contei tudo isso pra dizer que, antes de condenar as meninas que morrem de inanição, não seria melhor ver a importância que o mundo dá para a aparência? Nem me venham com esse discurso de beleza interior. O ser humano é maldoso com qualquer tipo que fuja ao padrão comum. Na escola, sofriam os gordinhos, mas também os magricelos – Cazuza era o apelido mais carinhoso para eles, em uma época em que o cantor estava definhando. O que dizer dos que usavam óculos? E aparelhos?
Também é verdade que, se todos os que foram zoados na infância se matassem, o mundo não teria mais habitantes. Mas, até que ponto se incentiva a beleza de acordo com o padrão de cada pessoa? Será preciso mesmo ter um peso de subnutrido para ser bonito? Eu me lembro que, nessa mesma infância, menina com peitão era chamada de vaca leiteira. Se alguma fez cirurgia na época, deve ter se arrependido hoje, quando tantas procuram próteses de silicone.
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Tenho falado pouco sobre futebol. Motivos têm me faltado.
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Outra coisa que me revoltou nesse final de semana prolongado: o assassinato do casal de Perdizes e a acusação irresponsável feita ao filho do casal. Esse cara deveria processar o Estado. Ainda que o DHPP tenha tentado corrigir a acusação no dia seguinte, ainda que o culpado tenha se entregado, quem era vítima se tornou suspeito por longas 24 horas. Tempo suficiente pra ter sua casa pichada em um breve ensaio do que foi a Escola Base. O mais curioso para mim foi: se o cara matou os pais, ele foi muito ninja de dar uma facada na própria nuca. PS: Caçando estes links, me dei conta de que a imprensa não deve ter aprendido muito com o caso da Escola Base, e preferiu de novo cair na histeria. É o Boatojornalismo que continua fazendo sucesso, e desta vez em sites tidos como sérios.
Depois, o povo ainda me olha com cara de interrogação qdo eu digo que quero largar tudo e ir pro meio do mato.
Sábado, Novembro 18, 2006
Fica aí até surgir coisa melhor
Quando criança, eu tinha amigos imaginários e me divertia com eles. Precisava sobreviver em um mundo lúdico sendo filha única. Cresci, aprendi que falar sozinho é coisa de gente louca. Mas alguns traços da ligação com o mundinho próprio permaneceram: às vezes, estou tão mergulhada em alguns pensamentos que chego a gesticular sozinha. Na rua. Sim, é deprimente. Mas é daquelas coisas que a gente só percebe depois que fez. E depois que viu alguém olhar com uma cara de estranhamento.
Aliás, é engraçado. Preciso sempre estar rodeada de pessoas, ao mesmo tempo em que não gosto de esperar a companhia de alguém pra me ajudar a resolver meus problemas. Conta em banco, fila de caixa, compra rápida de roupa ou de outros itens, troca de bilhete único? Me deixem fazer sozinha, por favor. Ando mais rápido, entro em atalhos, fico nos locais apenas o tempo necessário. Quer ir comigo? Então, por favor, siga meu ritmo. Rápido, rápido, que eu odeio lerdeza no meio da rua. Pensando bem, só gosto de estar rodeada por pessoas que eu conheço. Porque evito ao máximo, por tudo que é mais sagrado, aglomerações em lojas, ruas ou mercados. Um monte de gente disputando a mesma roupa na baciada, cruzes. Nada contra as baciadas. Desde que só eu esteja escolhendo.
Q postzinho mais xoxo. Queria sempre ter coisas interessantes pra escrever. Acho que não foi o caso agora.
Ele até merece ser deletado. Mas fica aí, enquanto não vem algum outro melhor.
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Acho que é possível ser suave, leve, e profundo ao mesmo tempo. Pelo menos tive essa sensação depois de ver "O ano em que meus pais saíram de férias". Lindo, real e simples. E bom pra me fazer voltar a ir ao cinema mais vezes - não sou cinéfila, e confesso ser bem preguiçosa.
Terça-feira, Novembro 07, 2006
Cara de pobre ou Poor Life Style
Em muitos momentos da vida, tenho a certeza de que tenho cara de pobre. Especialmente quando experimento ir além dos limites tolerados para a tentativa do exercício da democracia em um lugar cheio de luxo. Nossa, que sociologuês. Vou reescrever a frase. Me sinto especialmente com cara de pobre quando cismo de ir além da C&A, Lojas Americanas ou Mc Donalds do Shopping Iguatemi. (Aliás, é curiosa a localização da C&A e Americanas no Iguatemi: elas ficam num mesmo canto, à esquerda, que permite que se entre e saia das lojas sem passear por dentro do shopping. Quer comprar em oito vezes no cartão? Nem precisa entrar no shopping inteiro e passar pela Louis Vuitton. Quer comprar um tablete grande de chocolate ao leite a três reais? Ande uns passos a mais depois de parcelar a meia em oito vezes e pronto).
Mas, voltando à cara de pobre, proletária, moradora de perifa. Minha expressão de “não estou entendendo P**%@ nenhuma” se traduz em meu rosto com um franzido de testa. Isso vale pra qualquer situação de dúvida ou de “como é que vou me virar pra fazer isso?”. Pois é. Devo repeti-la também quando vejo uma coisa que considero excessivamente cara. Muito além do custo-benefício imaginado. Como uma bolsa custar mais de 5 mil. Tá certo que essa bolsa vai levar uma carteira muito mais recheada do que a minha e não vai ver, nem de perto, um bilhete único. Ainda assim, minha bolsinha financiada em três vezes no cartão lá na Teodoro carrega coisas muito mais importantes para mim – sem contar que ela já me acompanhou na presença de figurões, especialmente durante o trabalho.
Devo ter feito a mesma cara ao ver o preço de uma bola de um sorvete Haagen Daas. Sete reais. Dá pra fazer a festa na vila em dia de Cosme e Damião, pensei. E dá mesmo, especialmente se eu fosse comprar um monte de doce no Mercado da Lapa. Tudo bem, é Haagen Daas e dizem que é uma delícia. Eu até queria experimentar. Mas a vocação para o “isso ta pela hora da morte” foi mais forte.
Taí, outra coisa que sempre digo. A pobreza não está na conta bancária, está no sangue. Ainda que eu fique um dia muito rica, não vou querer uma bolsa Louis Vuitton. Vou preferir pegar uma mochila, jogar nas costas e rodar o mundo.
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Falando em pobreza life style: vi na capa do jornal uma foto da primeira-dama com um maiô branco com uma estrela vermelha estampada. Não achei nem que fosse foto, mas que fosse uma charge do Angeli. Precisei ver, ver mais uma vez e depois folhear o jornal para ter certeza de que era uma foto mesmo. Também tive a certeza de que, depois daquele maiô, vou acreditar para sempre que a primeira-dama é, na realidade, uma criação de Angeli, que ganhou vida assim como Wood & Stock.
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Por sinal, vi neste final de semana “Sexo, Orégano e Rock&Roll”, animação com um monte de personagem do Angeli que eu só lia nas tirinhas da Folha. Muito bom: a mesma ironia das tiras, o mesmo nonsense dos desenhos animados. Raulzito em miniatura e com uma bíblia debaixo do braço, tal qual um pastor (e tido por muitos como tal) é impagável. Além da voz de permanente ressaca de Rê Bordosa, dublada por Rita Lee. A mesma produtora deste filme também planeja lançar, em 2008, um longa dos Piratas do Tietê, de Laerte. Que eu também vou querer ver.Quinta-feira, Novembro 02, 2006
Eu sei, eu sei
Eu sei, o blog está parado. Eu sei, deixei escapar mto sobre o que poderia ter dito. Mas, eu sei, meu cérebro anda bem, bem, bem ocupado. Só trabalho. Tudo bem, confesso que até lutei pra chegar a este ponto. Mas agora busco o equilíbrio novamente.
***Que saudade da Ilha do Cardoso.
***Pensando bem, que saudade de Tabocas do Brejo Velho. Me disseram outro dia que ela foi até citada na novela das sete. Está virando metrópole.
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Então, já que falei no meu pequeno refúgio, vão mais comentários eleitorais. Sim, fiz parte dos 58,2 milhões que deram o segundo mandato a Lula. Se no primeiro turno eu votei envergonhada, quase me escondendo atrás da urna, neste segundo turno eu tive vontade de ir votar vestida de vermelho. A campanha do oponente conseguiu devolver um terço da raiva que eu achei que tinha adormecido com os escândalos do mensalão etc. Os caras conseguiram aguerrir de novo os petistas que tinham pendurado a estrela, principalmente depois dos quilos de spam recebidos com as mais criativas teorias da conspiração. Sim, foi uma eleição polarizada. Mas não sei se foi tanto de ricos X pobres, como se falou. Aqui em SP, vi muita gente que poderia ser intitulada como pobre/desfavorecido andar com adesivo do Alckmin no carro ou no capacete das motos. Acho que isso reflete a grande temporada PSDB em São Paulo.
Aí eu volto pra meu refúgio, a famosa Tabocas (pelo menos entre meus amigos, vide testemunhais no orkut) para dizer que os resultados que mais me deixaram feliz nestas eleições foram os das urnas do Estado que sedia a pequena cidade. Depois de um bom tempo, conhecidos neofeudalistas perderam o poder local logo no primeiro turno. Por conhecer muitos dos métodos neofeudalistas, tive vontade de soltar fogos daqui de casa. Vou continuar torcendo para que daqui dois anos as pequenas filiais do feudo sejam desmontadas. E também para, daqui a quatro, ver o símbolo-rei deste regime feudal se retirar da vida pública com o esquecimento dos servos nas urnas.
Se você não é baiano, não convive com alguém da terra e nem entendeu nada do que foi escrito no parágrafo acima, me pergunte. Acho que a parábola está bem contada. Mas, do jeito que o povo anda raivoso, não convém citar nomes ou explicar a piada.
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A Macabéa bateu forte nestes dias, especialmente hoje. Nestas horas, acho que ela é mais feliz.
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Numa fase pré-orkut, eu gastava meu tempo na net com o google. E descobria coisas mais legais. Agora, nestes tempos pós-orkut, gasto mto mais meu tempo no site roxinho. Parece um mundo paralelo. Pra controlar os fuça-fuças de minha parte, resolvi agora habilitar a função que mostra quem viu meu perfil. Assim, evito ver os dos outros e perder meu precioso tempo com essa coisa inútil que é a fofoca. Nossa, como minha alma está nobre. Qto tempo será que eu consigo mantê-la assim?
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Eu quero assistir “Cada um com seus pobrema”.