Sábado, Janeiro 27, 2007

O que São Paulo é capaz de fazer por você

São Paulo fez aniversário e é uma cidade feia, cheia e muitas vezes irritante. Mas eu reinvindico o direito se não deixar que outros falem mal dela. Defendo-a e a trato como a um parente: brigo, xingo, me emputeço, mas tomo as dores se outra pessoa vier esculhambar.
Pode parecer (e é) contraditório. Mas é assim mesmo. Quem lê razoavelmente isso aqui e quem convive comigo conhece minhas diferenças com a cidade em que nasci - e também sabe que já repeti o quanto pude que não terminarei meus dias aqui. Mas, justamente pela aridez desse lugar, São Paulo sobrevive com o que tem de melhor: as pessoas.
Claro que uma cidade tão cheia, tão atarefada e com tanta fama de trabalhadora tem muita gente ruim também. Mas são as pessoas boas que fazem este lugar ser habitável, e são elas que nos fazem ter saudades quando estamos longe. São as pessoas que fazem as festas e a noite de uma cidade que não tem praia, ou que fazem uma festa em um boteco pé-sujo que nem está nos guias culturais. São elas que se divertem por qualquer motivo, que se apóiam, andam andam e andam pra chegar aos seus destinos e que lotam as filas comuns na cidade.
Apesar de feia, lotada e, em alguns momentos, sisuda, São Paulo é responsável por momentos inesquecíveis na existência de muita gente. Pelo menos, seu último aniversário teve instantes destes para mais de 50 mil pessoas, que testemunharam no Brasil a volta dos Mutantes.
Eu fui sem conhecer muito, curiosa como sempre. Tinha show do Nação Zumbi, tudo era de graça, o feriado estava bonito... Mais uma vez, não me arrependi pela minha curiosidade: foi um dos melhores shows que já assisti - de graça, deve ter sido o melhor. Muito cuidado com tudo: iluminação, repertório... Não pode ficar só nesse show. Nem vou me arriscar a mais comentários pra não parecer redundante (que Sérgio Dias é excepcional, que Zélia Duncan deixa Rita Lee no chinelo). Vou me ocupar em procurar a discografia pra recuperar o tempo que passei sem conhecer Mutantes.

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Vi jovens Emos no show do Nação Zumbi. E não entendi nada. Aliás, eu ainda não entendo o que é Emo. Acho que nem quero.

Sábado, Janeiro 20, 2007

Eu quero reprise da Casa dos Artistas I

Eu quis começar o ano sendo mais tolerante e blablablá. Mas eu confesso que a tolerância anda bem pouca com um programa que se tornou comum durante o começo dos últimos anos: Big Brother. Cansei.
Não vou usar o discurso batido de primeiro ano de faculdade, de que a televisão lobotomiza as pessoas e blé. Nem posso: vejo muita tranqueira na TV, pelo simples gosto de ver tranqueira. Acompanhei a primeira edição da Casa dos Artistas, aquela clássica em que Alexandre Frota ia e voltava, chamava um melão de Silvio, em que a loirinha lá namorada de pagodeiros-jogadores de futebol (Mari Alexandre? Algo do tipo?) viviiiiiia chorando por um pagodeiro, com a menina que era namorada do Marcos Mion (!), com o Supla fazendo guerrilha pra vender CD, e nos amassos com a Bárbara Paz, a cinderela daquela edição.
(Aliás, se não fosse agora o You Tube, eu nem ia lembrar que o "Bial" era o Silvio Santos, e tb nem ia lembrar que a casa teve até Leandro Lehart, ex-Art Popular! Ou seja, só sub-celebridade! E tb era o Silvio quem comandava as ligações, que eram ao vivo! O homem do baú foi, com certeza, um dos responsáveis pelos momentos mais divertidos da TV brasileira! Olha aqui a abertura! Taiguara? Quem é Taiguara?)
Esse post ia ficar com um tom muito mal humorado se eu não recuperasse esses vídeos. Mas, no fim, serviu pra explicar o porquê da minha falta de tolerância com o atual Big Brother e coisas do tipo. Além da repetição, cada vez mais procuram tipos homogêneos e distantes da realidade. Sem contar que cansa ver um bando de vagabundo trancado falando asneira. Pra fazer isso, chamo meus amigos (que não são vagabundos), vou pra um bar, cada um financia seu aditivo e falamos besteira do mesmo jeito. Com a vantagem de estarmos com pessoas reais.

- Ora, mas a Casa dos Artistas I também não tinha um monte de vagabundo falando asneira? podem me perguntar os mais... mais... implicantes.

- Claro que tinha, mas em que outro reality show seria possível ver Supla, Alexandre Frota, Matheus Carrieri e o famoso Taiguara? Ainda por cima com as conversas semanais entre os participantes da casa e Silvio Santos? responderia eu, se fosse perguntada.

PS: Fica um protesto: com tanta tranqueira no YouTube, achei um absurdo encontrar só 2 vídeos decentes sobre a primeira edição da Casa dos Artistas, o mais clássico de todos os reality shows já exibidos até agora. Não é possível que ninguém tenha gravado o Supla vestido com a camiseta que tinha a estampa do CD que ele lançava. E nem o episódio final, com a presença de Marta Suplicy e o corte que um repórter deu no Supla pai, quando ia falar do Renda Mínima. E, por todos os deuses, como não encontrar no YouTube o Frota falando com o Silvio Melao????????????? Alguém tem que reparar logo este erro.

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UPDATE FRASE: "Cada formiga sabe o pau que rói". Colhida pelo meu tio diretamente para os meus ouvidos. Fantástica.



Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Turbilhão

Já aconteceu um turbilhão de coisas nestes primeiros dias do ano, e mais coisas ainda vão acontecer. E, de tudo o que passou, só posso dizer que ficou a vontade de dar um abraço em quem eu não vou mais encontrar.
Eu poderia ter colocado como mais uma resolução de ano novo não regular a cota de abraços. A gente nunca sabe até quando nossas pessoas queridas permanecem entre a gente.

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Sábado, Janeiro 06, 2007

O primeiro post do ano e a primeira corrente deste blog

Mawex me ajudou a dar um norte para o primeiro post do ano e me incluiu em uma TAG, um meme entre blogueiros ou, para facilitar, uma corrente entre amigos. Naquele mesmo estilo das cartas que chegavam aqui no correio de casa, dizendo que era preciso escrever mais 30 cópias senão a casa seria queimada, seu pai perderia o emprego e sua mãe viraria uma senhora de vida fácil (acredito que essa definição possa gerar discórdia. Mas é desse jeito que entendo há tempos).
Entre os blogs, porém, as TAGs não têm a pretensão de semear o pânico por meio de pragas. Ela é apenas um jogo ou brincadeira em que cada participante escreve cinco itens relativos ao assunto em questão e convide outros cinco blogueiros para fazer o mesmo (explicação descaradamente quase copiada do Merigo).
O tema da vez é... resoluções de 2007. Logo eu, que tenho evitado fazê-las - nunca consigo cumprir. Mas, vamos lá. Pq eu pensei a tarde inteira nestas benditas.

1- Voltar a fazer algum exercício físico regularmente. Pode ser nadar (que eu gosto bastante) ou até mesmo correr (coisa que eu odeio - mas que queima calorias mais rápido e gasta mais energia acumulada).

2- Juntar dinheiro. Ainda que seja no momento em que o salário caia na conta (pra não ter a desculpa de que não sobrou nada mesmo)

3- Ter mais tolerância com as capacidades e incapacidades humanas (mas é tolerância mesmo, não aquela cara de fastio que acompanha a contagem de 1 a 10 e a revolução dos sucos gástricos do estômago causadas pela raiva)

4- Não cavucar as cutículas dos dedos polegares das minhas mãos. FIca horrível e dói. (Mas para isso vou ter que escolher outra mania na hora do nervoso...)

5- Estudar. Inglês, espanhol, húngaro ou uma pós. Inglês eu já faço. Mas estou adiando a pós há um bom tempo.

Agora, os meus ilustres convidados: Palavra Nômade, Der Freie Wille, Sweet, Diário de Cocotas e Mar de Letras. Vamos lá!

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Agora que falei destas cartas anônimas que chegavam em casa, lembrei que morria de medo de todas elas. Uma eu comecei a ler, em voz alta e, no fim, estava com o coração disparando. Especialmente depois de ler um trecho que dizia algo como "a sra Buckinghan leu esta carta e não deu importância. No dia seguinte, seu marido perdeu o emprego e seus filhos sofreram um grave acidente. Foi quando ela lembrou da carta na gaveta e deu seqüência à corrente milagrosa de Santa Fulana de Tal, que nunca foi quebrada desde 1718". Foi quando a minha mãe tomou a carta de minha mão e disse: "Você tá com medo disso? Eu vou é queimar rezando o Creio-em-Deus-Pai!". O antídoto foi ensinado por um padre que viveu muitos anos na região. E meu medo era o de que meu pai perdesse o emprego e de sofrer um grave acidente...
Tempos depois, me veio a seguinte questão: se a corrente nunca foi quebrada, como é que souberam das desgraças que aconteceram com quem quase quebrou a corrente? Se a mesma carta sempre foi distribuída, como adicionaram essa informação? Foi quando eu passei a não ter medo mais das cartas. Até porque hoje, no correio, só chega conta.

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Hoje é dia da Folia de Reis, uma das tradições que eu acho mais bonitas no nosso folclore - quase chorei quando vi uma na Bahia. Queria muito achar um reisado em São Paulo pra acompanhar... Mas não consegui. É dia de desmontar o presépio (tradição pelo menos na minha casa).

E, no final das contas, o período das festas deste ano não teve tanta tristeza.

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Este blog completou dois anos. Sinceramente, não imaginei que ele chegaria a tanto.

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