Sábado, Fevereiro 24, 2007

Os últimos e os primeiros

Depois de crescida, emancipada e trabalhadeira-operária, descobri que muitos dos meus amigos sofreram um dos mesmos traumas na escola: ser um dos últimos a serem escolhidos nos times durante a aula de educação física. Isso bem naquela época do final da infância e começo da adolescência, em que a aceitação no grupo é a coisa mais importante das vidas. Eu não era a única a ficar entre os últimos escolhidos para fazer parte dos times de vôlei/handebol e congêneres.

O processo de escolha durante as aulas de educação física na maioria das escolas (ao menos as públicas) era assim: dois alunos muito bons seriam os líderes de times diferentes. E eles escolhiam entre o amontoado da sala aqueles que queriam em suas equipes. Até a turma se reduzir aos poucos que não eram bons em esporte nenhum.

“Você, vem aqui”. “Você!”. “Vem aqui, meu!”. Nós, os últimos escolhidos, ficávamos nessa angústia, esperando que aquilo tivesse um fim. “Tomara que eu não seja a última”, eu pensava. Ser a penúltima escolhida já era um consolo. “Entre eu e o outro gordinho o fulano me preferiu”. Ledo engano. O fulano só me escolheu porque eu era quietinha, enquanto o gordinho era super briguento. (O único esporte em que eu não era tão horrenda era – pasme – futebol. Até fui uma boa goleira e, com minha delicadeza, saía dando bicuda em tudo quanto era bola e canela dos meninos, só de vingança).

De tanto ser a última a ser escolhida, já nem me incomodava mais. Mas foi engraçado ver, tempos depois, que tantas outras pessoas conhecidas sofreram do mesmo tipo de exclusão. O que me fez pensar: o que aconteceu àqueles que escolhiam os times? Onde estão? O que fazem hoje?

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São Paulo está com um céu limpo, mas não consigo ver estrelas. Tenho saudades de ver um céu estrelado de verdade.



Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Hoje eu só queria viver pra escrever

- O que você mais gosta de fazer?

A maioria das crianças responderia a esta pergunta com verbos bem comuns: brincar, correr, pular, comer (doces, chocolates). Embora todas as opções também fossem verdadeiras para mim, eu sempre respondia:

- De ler e escrever.

Assim mesmo, de bate-pronto, sem coação dos pais ou familiares. Aprendi a ler – e, conseqüentemente, a escrever – cedo. A primeira literatura foi a Turma da Mônica. Que evoluía para qualquer coisa que fosse possível de ler dentro de casa. Revistas, os Notícias Populares que meu avô trazia da banca, os almanaques que minha mãe trazia da Bahia, as folhinhas do Sagrado Coração de Jesus, com todos os dias do ano, e as bulas. Até hoje sou a leitora oficial das bulas de casa. Dito isto, acho que todas as opções feitas até agora levaram em conta este gosto. Os hábitos, o vício na internet, os livros, e até os amigos – afinal, escolhemos conviver com as pessoas que vivem nos ambientes que gostamos.

Aí, quando bate a vontade de largar tudo na vida, uma das poucas vontades que permanece é a de escrever. Viver pra escrever. E não qualquer coisa. Mas escrever com a alma, deixar o sentimento transbordar ao elaborar um parágrafo, descrever um perfil, explicar uma paisagem ou inventar uma história. Se bem que eu nem sou tão boa de inventar. A não ser quando tenho as crises de “será?” “Será que eu estou sendo muito chata e fulano nunca mais vai falar comigo? Será que beltrano entendeu errado o que eu disse e por isso atravessou a rua correndo? Será, será?”. Pois bem. Além das neuroses, não sou boa de contos que não existem. Por isto, se um dia eu viver pra escrever contos, tudo vai ser baseado em algum fato real. Fatos reais floreados. Pensando bem, todos os contos ficcionais devem ser assim.

Quem compraria meus livros se eu vivesse de escrever? E sobre o quê eu escreveria? Será que eu teria de fazer lobby pra virar escritora? Eu nunca teria coragem de me candidatar para a Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Coisa brega do caramba. Brega, não: ultrapassada. Porque as coisas genuinamente bregas são muito divertidas.

Tudo isso pra dizer que hoje é um dos dias em que eu queria largar tudo e viver só de escrever. Começar uma viagem pelo Brasil e contar de tudo o que eu vi pelo caminho, de todas as pessoas com quem encontrei e as histórias que soube. E largar o mundo dos mailings, planilhas, relatórios e das buscas por bolas de cristal que adivinhem os desejos dos clientes (e dos chefes).

Ta bom. Quando a gente larga uma neurose, vem outra. Assim como os empregos: a gente troca de lugar, mas as neuras continuam as mesmas – porque nós as levamos de um lugar para o outro. Mas agora eu só queria viver pra escrever. Just.

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Eu já tinha esquecido o quão deprimente pode ser um carnaval em São Paulo.

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E já estava quase esquecendo o quanto gosto de REM.


Sábado, Fevereiro 17, 2007

Acabou o inferno astral

Amigos, amigos. Este post é dedicado a todos meus amigos, que são capazes de garantir momentos únicos. E viva o fim do inferno astral!!!!!

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Carnaval em São Paulo. Há quatro anos eu não sabia o que era isso. E estou achando muito, muito estranho.

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Ai, que vontade de estar no Recife.

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A inspiração foi embora. Fico por aqui. Bom carnaval.

Sábado, Fevereiro 10, 2007

Curtas ao final de um inferno astral

Eu nunca levei muito a sério a história do inferno astral. Achava que meus infernos astrais eram em junho, mês em que coisas estranhas sempre aconteceram na minha vida. Mas a coincidência de uma série de coisinhas nos últimos dias me fez eleger como culpado o período de 30 dias que antecede o aniversário. Portanto, fico feliz em saber que este período está acabando.

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A minha lista de shows engraçados ganhou mais uma banda: Roupa Nova. Parte de evento de trabalho. Mas confesso que foi bem difícil me segurar calada ao longo do show. Até porque não deve existir um ser humano no Brasil acima dos 20 anos que não conheça uma música dos caras. Aí, não agüentei e comecei a cantar, ainda que discretamente, o verso "baby, mais que a luz das estrelas, meu universo é você! Baby, ah se eu puder ter a chance eu juro todo teu amor merecer". E ainda senti falta de amigos mais chegados pra poder pagar mico junto comigo e cantar a plenos pulmões outros hits. Tá bom, confessei.

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Adquiri um novo hábito: fuçar lojas de materiais de construção, aquelas que, além de pisos, também têm pias, louças, espelhos de banheiro. Tudo por conta de uma reforma em casa. No banheiro. Eu sempre odiei reformas e continuo odiando. Não tenho noção de espaço, não consigo imaginar, na prática, a planta de uma casa quando está no papel. Mas até que me diverti enquanto escolhia os materiais, via os preços e imaginava todas as coisas em minha casa. Meu novo sonho de consumo passou a ser um chuveiro com diâmetro enorme, desses que parecem ter uma ducha super forte e excelente para dias frios. Mas meu novo sonho foi tolhido pelo preço e por comentários sensatos. "Você vai gastar mais água e, pior, vai ficar duas horas embaixo do chuveiro". Sonho desfeito, parti para um Lorenzetti simples. Como nossas aspirações mudam com o passar da vida.

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Até quando eu vou sentir esse cansaço? Até que ponto algumas coisas valem a pena?

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Update: Pirituba recebeu mais um ponto turístico insólito (até porque não existem outros no bairro). Se antes o local mais conhecido era o correio que explodiu (nem encontrei registros no Google), há alguns dias o bairro foi o local da briga entre o prefeito Kassab e o pobrinho Kaiser. Agora, na ausência de pontos de referência mais nobres, posso dizer: "moro a 10 minutos do posto onde o Kassab teve uma crise histérica".

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