Sexta-feira, Maio 25, 2007
O amor, o frio, o Papa
Terminei de ler "Amor nos Tempos do Cólera", de García Marquez. Presente pedido e dado por amigas queridas. Não foi uma leitura rápida. Muito mais por conta do material que já habitava minha cabeça do que pelo enredo do livro. Cada linha, porém, valeu a pena. É preciso ser muito bom para contar uma história de um homem que espera pela mulher amada por mais de 50 anos sem ter medo que o leitor pense que o sujeito à espreita é um idiota.
O bom dos livros de García Marquez é que, ao final da leitura, a gente pode até chorar, mas vai guardar um sentimento bom. Algo como "este mundo ainda tem jeito". Diferente de Guimarães Rosa - que também está no meu altarzinho de escritores preferidos. Os finais de Guimarães Rosa servem pra nos chocar/chorar e pensar: "que mundinho filhadaputa". Pelo menos me senti assim com "Grande Sertão: Veredas" (ainda sim, o melhor livro que já li).
Não sei qual será o próximo livro. "Crônica de uma morte anunciada", talvez, já que eu sempre cismo com algum escritor durante alguma fase da vida. Ou então, algo de Clarice Lispector. Quem sabe depois que eu conseguir ir ao Museu da Lingua Portuguesa ver a exposição sobre ela.
Nem venham me zoar dizendo que eu estou escrevendo tudo isso para parecer intelectual. Depois, não reclamem quando eu contar que já fui no show da Perla ou que chore com Fagner.
***
Não suporto frio. Quem convive comigo já ouviu isso. Especialmente nestes dias, em que repito a frase toda vez que bate algum vento cortante no rosto. Minha saúde também não suporta frio. Nem minha garganta que fica rouca e dolorida de tempos em tempos.
***
O Papa veio, foi embora, e eu nem falei nada sobre o alemão. Apesar de toda a revolta com os discursos do Sumo, nada me surpreendeu. Surpresa eu ficaria se o homem canonizasse o Chico Mendes. Quer dizer, fiquei surpresa com uma coisa: a alegria do alemão ao ver a povarada acenando pra ele. Depois, vi em algum lugar que o público era bem menor se comparado ao das visitas de João Paulo II. Mas ninguém deve ter se importado com isso.
Confesso que lembrei dos meus tempos igrejeiros. Sim, eu dediquei horas e horas da minha vida aos estudos bíblicos, músicas de missa, liturgias. Confesso de novo que até me imaginei, por algumas frações de segundo, com aqueles jovens que lotaram o Pacaembu. Há 10 anos, isso talvez fosse possível. Hoje, não. Como lembra André Abu em uma música do Karnak: "o mundo muda, a gente muda, o mundo muda, tudo muda, a gente muda". Ainda bem que sobraram preciosos amigos deste tempo.
O bom dos livros de García Marquez é que, ao final da leitura, a gente pode até chorar, mas vai guardar um sentimento bom. Algo como "este mundo ainda tem jeito". Diferente de Guimarães Rosa - que também está no meu altarzinho de escritores preferidos. Os finais de Guimarães Rosa servem pra nos chocar/chorar e pensar: "que mundinho filhadaputa". Pelo menos me senti assim com "Grande Sertão: Veredas" (ainda sim, o melhor livro que já li).
Não sei qual será o próximo livro. "Crônica de uma morte anunciada", talvez, já que eu sempre cismo com algum escritor durante alguma fase da vida. Ou então, algo de Clarice Lispector. Quem sabe depois que eu conseguir ir ao Museu da Lingua Portuguesa ver a exposição sobre ela.
Nem venham me zoar dizendo que eu estou escrevendo tudo isso para parecer intelectual. Depois, não reclamem quando eu contar que já fui no show da Perla ou que chore com Fagner.
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Não suporto frio. Quem convive comigo já ouviu isso. Especialmente nestes dias, em que repito a frase toda vez que bate algum vento cortante no rosto. Minha saúde também não suporta frio. Nem minha garganta que fica rouca e dolorida de tempos em tempos.
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O Papa veio, foi embora, e eu nem falei nada sobre o alemão. Apesar de toda a revolta com os discursos do Sumo, nada me surpreendeu. Surpresa eu ficaria se o homem canonizasse o Chico Mendes. Quer dizer, fiquei surpresa com uma coisa: a alegria do alemão ao ver a povarada acenando pra ele. Depois, vi em algum lugar que o público era bem menor se comparado ao das visitas de João Paulo II. Mas ninguém deve ter se importado com isso.
Confesso que lembrei dos meus tempos igrejeiros. Sim, eu dediquei horas e horas da minha vida aos estudos bíblicos, músicas de missa, liturgias. Confesso de novo que até me imaginei, por algumas frações de segundo, com aqueles jovens que lotaram o Pacaembu. Há 10 anos, isso talvez fosse possível. Hoje, não. Como lembra André Abu em uma música do Karnak: "o mundo muda, a gente muda, o mundo muda, tudo muda, a gente muda". Ainda bem que sobraram preciosos amigos deste tempo.
Domingo, Maio 06, 2007
A Virada Cultural não foi só tumulto (mas eu saí antes...)
Fui à Virada Cultural ontem. Vi Alceu (mais ouvi durante a maior parte do tempo) e tentei ver O Teatro Mágico. Não consegui. Muita gente, empurra-empurra e fanáticos com uma falta de educação que não condizia com o que eu sempre vi nos shows que fui do TM. Aliás, aquele vuco vuco me preocupou e me irritou muito. O TM sempre foi independente, eu já fiz matéria sobre os caras para sites pequenos, tenho trecho de música deles em perfil do Orkut e fico muito feliz em ver que eles estão aparecendo, de maneira espontânea, em programas e outras publicações de grande circulação. Mas vi ontem que toda essa febre vai exigir estrutura. É muito bonito ver o crescimento de um grupo independente. Só que não é bonito ficar espremida entre milhares de pessoas e lutar para sair de um lugar para não morrer de asfixia. O sucesso do boca-a-boca é fantástico. Mas qual será o preço de se pregar sempre a independência? Como quem vê algo de longe, só acho que será preciso cada vez mais estrutura para se ver um show da banda. Vou pensar algumas vezes antes de voltar a um novo show deles. Não pela música e nem pelos discursos, mas pela simples necessidade de poder cantar sem ser empurrada. (Acho que estou ficando velha. Não vou nem comentar sobre a geração teen que é fã da banda. Eu já passei por essa idade. E, justamente por estar velha, ando facilmente irritável).
Só vi hoje a confusão durante o show dos Racionais. Uma pena. Porque o Centro estava cheio, era possível passar por ruas que, normalmente, são desertas e sempre evitáveis. Muita gente na frente do Teatro Municipal, nas ruas ao redor, nos bares... O quebra-quebra deu a impressão de que a Virada foi só isso, mas não foi. Alguns momentos foram tensos, mesmo em um show tranquilo como o de Alceu Valença, e no pouco que vi do Teatro Mágico. Convém também lembrar que este é o terceiro evento do tipo, e os outros não registraram ocorrências parecidas.
***
Na semana passada, o Santos perdeu o jogo e eu lamentei não conhecer nenhum santista pra zoar. Nesta semana, o São Caetano perdeu o título e eu ainda lamento não conhecer nenhum torcedor do Azulão. Triste vida de secar os times alheios. Pra piorar, o jogador mais bonito que o Corinthians já teve foi dispensado. Tudo bem, Roger já não jogava mais nada há tempos. E só vai aumentar o, digamos, déficit de boniteza do time, que sempre esteve em alta (o déficit, não a boniteza).
Só vi hoje a confusão durante o show dos Racionais. Uma pena. Porque o Centro estava cheio, era possível passar por ruas que, normalmente, são desertas e sempre evitáveis. Muita gente na frente do Teatro Municipal, nas ruas ao redor, nos bares... O quebra-quebra deu a impressão de que a Virada foi só isso, mas não foi. Alguns momentos foram tensos, mesmo em um show tranquilo como o de Alceu Valença, e no pouco que vi do Teatro Mágico. Convém também lembrar que este é o terceiro evento do tipo, e os outros não registraram ocorrências parecidas.
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Na semana passada, o Santos perdeu o jogo e eu lamentei não conhecer nenhum santista pra zoar. Nesta semana, o São Caetano perdeu o título e eu ainda lamento não conhecer nenhum torcedor do Azulão. Triste vida de secar os times alheios. Pra piorar, o jogador mais bonito que o Corinthians já teve foi dispensado. Tudo bem, Roger já não jogava mais nada há tempos. E só vai aumentar o, digamos, déficit de boniteza do time, que sempre esteve em alta (o déficit, não a boniteza).