Segunda-feira, Agosto 13, 2007

Romaria

Dias desses, eu estava lembrando de outra música que já me fez chorar. Foi Romaria, de Renato Teixeira. Quando era pequena, só a conhecia com a voz de Elis Regina. E me sentia meio envergonhada quando as lágrimas vinham no canto dos olhos. Depois de crescida fui entender que a letra tratava da história de alguém que tinha fé, mas não sabia rezar. Já adulta, também fui perceber o quanto me comoviam as manifestações mais simples de confiança, vindas das pessoas que só tinham essa crença a se apegar.
Lembrei também de uma das tantas histórias de minha avó da Bahia ao final de sua vida. Já na cama, ela assistia a alguma missa pela TV. Sempre devota, com os olhos brilhando, disse à minha tia. "Eu queria morrer logo". Pra logo ser repreendida por uma filha com os olhos arregalados: "Como assim, mãe? Por que a senhora diz isso?". "Se aqui na Terra existem coisas tão bonitas, imagine só como será no céu? Por isso é que eu queria ir logo".
Acreditando ou não em céu, inferno, purgatório ou em missas, eu nunca me esquecerei desta história.

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Essa e outras me fazem querer voltar sempre para o meu refúgio. Para lembrar sempre que é preciso entender o que é essencial para se querer ir além. Até setembro.

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Tecla mágica

Estou num estágio pré-férias. Isso significa: cansaço acumulado, olheiras aparentes, cérebro hiperlotado. Apesar dos sintomas negativos, esse estágio também traz uma sensação peculiar: a de estar quase apertando a tecla mágica. Aquela que tira as nossas preocupações, que mostra que o mundo é mais importante que essa rotinazinha competitiva e medíocre.
É a tecla foda-se, amigos.
Porém, ela não pode ser utilizada a todo momento. Primeiro, porque alguns tipos de pessoas nunca conseguirão acioná-la quando quiserem. Segundo, porque o acionamento desta tecla não pode ser feito de maneira repetitiva ou exagerada. Isso inclui aquela vontade de subir na mesa do escritório e gritar bem alto: EU VOU SER FELIZ CRIANDO GALINHA!!. Tá, essas palavras não são usuais. Para mim, fariam sentido. Mas não para todos.
Em breve, estarei novamente na estrada, a caminho do auto-exílio novamente. Basta um mês de Bahia pra muita coisa se ajeitar na minha cabeça. Talvez dois meses me fariam uma criadora de galinhas, efetivamente.

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