Domingo, Janeiro 27, 2008
Quem não tem Sawyer vai de Seu Madruga
Guardei minhas roupas rapidinho para poder ir dormir. E, no dia seguinte, guardei meus livros nas prateleiras que quase foram separadas com cadeado. Com a satisfação que um homem deve ter ao lavar e polir um carro. Com a mesma satisfação que eu própria já experimentei em fazer um bom prato na cozinha. Agora eles, os livros, estão um ao lado do outro – exceto os emprestados ou o que está sendo lido, que me acompanha pelos diferentes cantos da casa.
Mais coisas vão chegar – ou já chegaram - neste ano.
Um novo plano na academia para combater os quilos extras trazidos por um período de ansiedade e sobremesas repletas de chocolate.
O aniversário, que neste ano não parece me trazer grandes crises. A chegada dos 25 até que me apavorou mais que a chegada dos 28. E o inferno astral ainda não disse a que realmente veio. Até achei que os últimos dias estivessem influenciados por ele. Mas era só TPM.
Este ano também está trazendo a segurança em atividades corriqueiras que eu já fazia bem, mas sem saber que eu fazia muito bem, ou sem acreditar que era realmente bem feito. Para algumas pessoas, disseminar a insegurança é bom negócio. Felizmente, para outras, não.
Não sei chutar o que mais vai chegar neste ano. Na realidade, eu sei chutar sim. Mas neste momento prefiro esperar em silêncio. Aquele silêncio calmo de quem sabe que outras coisas excelentes estão a caminho para muitos. O mesmo silêncio de quem foi atendida com o que precisava, mesmo sem achar que um dia seria ouvida. O mesmo silêncio de quem se cala para observar o que há ao redor. Que é o mesmo silêncio quebrado na presença de amigos reunidos por motivos solenes ou inventados.
***Este blog fez três anos. Novamente, eu não achava que ele chegaria a tanto.
O Orkut fez quatro anos. Eu também não achava que ele chegaria a tanto. Pensando bem, eu não sou boa em futurologia virtual.
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Domingo, Janeiro 06, 2008
Ele está pra chegar
Meu 2008 começa com algumas coisas novas e uma delas (já diria o rei Roberto) está pra chegar.
É um novo guarda-roupa, cuja chegada implica em uma nova arrumação de objetos. É preciso retirar todos os itens do móvel antigo, separar o que deve ser jogado fora para, finalmente, inaugurar o novo móvel no quarto.
Estou nesta fase de transição. E o que mais me animou na história foi o ritual de rever os objetos e poder fazer uma nova limpa. Me desfazer de coisas e dar espaço para o que virá. Já fiz uma limpeza em minhas roupas há alguns meses, e foi libertador. Mas, se depender de meu senso prático, metade das coisas presentes no guarda-roupa antigo iria para o lixo.
Foi aí que percebi a medida dos valores que damos aos objetos. Para mim, meus livros eram mais importantes que o tanto de pano velho guardado em uma caixa. Mas, para a minha mãe, todos aqueles panos tinham algum significado. Para ela, não haveria mal em colocar meus livros em uma caixa e deixar em um armário que fica no quintal de casa. Claro que a idéia foi reprimida por mim, assim como ela reprimiu minha iniciativa de tocar fogo nos panos velhos.
Respeitados os valores de lado a lado, fui ver no meio dos meus livros e papéis o que poderia ir para o lixo. Foi quando eu respirei fundo e criei coragem de jogar algumas revistas guardadas há alguns anos e até papéis da faculdade que acumulavam poeira. Já fiz muitas limpezas nestes papéis. E percebi também que, nem sempre, estamos prontos para nos livrar de alguns itens.
Muitos papéis precisam de anos para irem para o lixo, pois necessitamos de algum tempo para perceber que eles nem eram assim tão importantes. É a velha mania de achar que tudo é útil. Até percebermos que um rascunho não é necessário. Não que ele nunca tenha sido útil. Ele nos fez decorar um número, reter uma informação ou mesmo anotar algum dado que seria depois memorizado. E teve sua finalidade. Para quê guarda-lo então, se o mais importante está comigo, em minha cabeça, e se até já foi empregado em minha vida?
Foi esta conclusão que me deu coragem para mandar para a reciclagem algumas revistas, apostilas que nunca li e que não lerei, agendas de anos anteriores com poucas folhas preenchidas e cadernos nos quais anotei informações hoje desatualizadas e telefones que nem existem mais.
A limpeza ainda não acabou. Meu quarto está cheio de pilhas de livros e sacolas (com os benditos panos). Quando eu finalmente puder arrumar as coisas em seus (futuros) devidos lugares, sei que passarei os olhos por livros que comprei e não li (os vi rapidamente hoje) e livros que amei. Talvez sentirei falta dos livros emprestados – sei onde estão alguns, não faço idéia de onde estão outros. E terei desculpa para me desfazer de mais roupas (ou panos) antigos, com o pretexto de abrigar melhor meus livros.
Mas um guarda-roupas não serve para, bem, guardar roupas? Sim, serve. E eu gosto de minhas roupas. Também gosto de comprá-las. Mas sempre quis ter um local para meus livros, desde quando era pequena e sonhava em ter muitos deles. Uma prateleira seria o ideal. Mas, como o ideal muitas vezes fica longe, um providencial ataque de cupins me fez procurar um móvel com divisórias internas nas quais caberiam os livros. Será um imenso prazer abrir o guarda-roupa e me deparar com eles lado a lado, de maneira que eu possa ver os títulos, lembrar de quando li, poder encontrá-los com facilidade para emprestar para os amigos ou, apenas, folheá-los e colocar de volta ao lugar.
As roupas? Bem, vai ter muito espaço para os cabides e três grandes gavetas. Se nem todas couberem, farei nova limpeza, separar o que não uso mais, o que não serve, o que não quero que sirva e dar de presente. É depois destas limpas que percebemos o tanto de objetos supérfluos que somos capazes de guardar.
***Meu ano não começou apenas com arrumação. Fui novamente à Ilha do Cardoso, um dos lugares mais especiais que conheço. Com sol, chuva, trilhas, mato, porvinhas, amigas, histórias, filosofias e peixe. Esta viagem, aliada ao ataque de cupins no velho guarda-roupa, talvez ajude a explicar o espírito de reforma e “menos é mais” com o qual começo este novo ano.
Amigos, feliz 2008. Com ou sem novo guarda-roupa, viagens, listas, objetos novos ou limpeza de armário. Com tudo de bom que vocês desejem. Com muito sol, saúde, alegria e o que mais vocês gostarem. Com o melhor sabor das frutas de época (esta frase foi escrita apenas porque lembrei das ameixas vermelhas que estão em minha geladeira, e que eu adoro). Enfim. Um 2008 cheio de causos pra todos vocês.