Domingo, Março 30, 2008

Brinquedo

Estou me divertindo com novo brinquedo. Um micro novo em casa, depois de um com quase 10 anos de uso. 10 anos, a idade de um pré-adolescente. Ao contrário de um pré-teen, o meu veinho não tinha mais tanta energia, abria diferentes janelas a duras penas e com ruídos reclamosos que até me davam compaixão. Está descansando agora. E nem vou reclamar mais do pobre, que me ajudou muito nos tempos de faculdade, quando os trabalhos em grupo ainda eram feitos pelo ICQ, quando consegui bico pra fazer em casa, quando mandei email para os amigos... Um minuto de silêncio pelo micro antigo.

Pronto, o minuto já passou.

Mais legal que os recursos até então inéditos para mim (como gravador de CD/DVD) foi descobrir o iTunes e o tanto de coisa deixada por lá. Sim, porque a montagem foi feita por amigos. O que me permitiu ouvir novamente o CD mais lindo do mundo: a trilha sonora de I Am Sam, com as regravações ma-ra-vi-lho-sas de Across the Universe, Lucy in the sky, You get to hide your love away e todas as outras 13 da trilha. Sem falar em clássicos como os de Bezerra da Silva, que ouço agora, com frases que contém o máximo da sabedoria popular, como "urubu não vem na terra pra pegar seu rango porque tá com medo de virar galeto" ou "seqüestraram minha sogra / bem feito pro seqüestrador / ao invés de pagar o resgate / foi ele quem me pagou".

Deu vontade de ouvir tudo, de vez, ao mesmo tempo.

Obrigada, amigos! (escorre uma lágrima, ao som de Macy Gray).

Domingo, Março 16, 2008

O neurônio sóbrio

Eu acredito que amnésia alcoólica realmente exista. Mas eu não sofro dela. Por isso eu digo: é pior lembrar. Tenho mais experiências sobre histórias nas quais eu mesma consigo contar sobre os tombos levados (esta é uma frase metafórica, esclareço). O que me serve de defesa em alguns momentos. Se alguém disser “você tava torta aquele dia, hein?” posso responder, dependendo do caso, com bastante tranqüilidade: “é, mas vc também estava... Eu, pelo menos, lembro e sei que estava torta. E você?”, emendando um risinho sarcástico.

De toda maneira, beber e lembrar pode ser tão ruim quanto tomar um porre e esquecer porque, em tese, a gente sabe o que está fazendo. Tem um neurônio sóbrio que te diz “lá vem m...”. Mas, para cada neurônio sóbrio, há milhões já breacos. Então, mesmo sabendo que estamos prestes a fazer uma porcaria, ela será cometida. Ponto. Está escrito no livro da vida, devem pensar os neurônios alcoolizados. O neurônio abstêmio avisa da porcaria enquanto a besteira está sendo cometida. E, no dia seguinte, em meio a litros de água que não curam nunca a sede, o neurônio não atingido aponta o dedo na cara de todos os outros e diz “eu não avisei? Eu avisei!”.

Também chamam a este neurônio sóbrio de superego.

***

Preciso confessar, no entanto, que confio em poucas pessoas que não bebem. Apenas porque as conheço de longa data e tive outras manifestações de que elas são dignas de minha confiança. No geral, sempre digo que não confio em quem não bebe.

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