Segunda-feira, Junho 16, 2008

Lembranças de 18 anos atrás

Conversa de bar entre três mulheres que, em tese, não costumam perder muito tempo com novelas.

Amiga 1 - E aí, você tá vendo?
Amiga 2 - Eu tou menina!!
Amiga 3 - Puxa, não vi nenhum dia...
A1 - Ah, eu não ia perder.
A2 - Nem eu! Ainda tá na primeira fase, mas tem coisa q eu lembro!
A1 - A Maria Marruá!
A2 - O Véio do Rio, que foi caçar um marruá e não voltou!
A1 - O Sérgio Reis, que casava com a Muda!
A2 - Que não era muda coisa nenhuma.
A3 - Gente, eu não lembro nada disso.
A1 + A2 - Ah, não pode ser. Então vc não viu!
A1 - E tinha um peão que fazia o pacto com o cramuião!
A2 - Nossa, bem que minha tia lembrou que tinha cramuião nessa novela. Eu achei que fosse só coisa do Tião Galinha, naquela outra novela!
A1 - Sim, e era o Xeréu, ou Almir Sater.
A2 - Ah, Almir Sater... (suspiro)
A3 - ...
A1 - Aí tinha o Marcos Palmeira, que era o enjeitado, o outro peão, que era o Frosô...
A2 - Menina, onde ficam armazenadas todas essas lembranças? Tudo isso faz 18 anos!

A lembrança provocou um pequeno silêncio na mesa. Quem entra hoje na faculdade não assistiu Pantanal. Azar de quem nasceu em 1990. E da Amiga 3 que, se não viu a novela, disfarçou bem as lembranças.



Quarta-feira, Junho 11, 2008

Orgulho sim

Há sete meses, meu time era rebaixado à segunda divisão.
Hoje, ele disputou um título.
Não ganhou. Mas me deu orgulho do mesmo jeito.
Se você não for torcedor do Sport, você não tem motivo pra zoar da minha cara nesta semana.
E se você não for torcedor do Fluminense, o seu time não está em situação muito melhor que a do Timão. Tem time grande de SP que está já está numa certa ponta de baixo da tabela...
Att.

Domingo, Junho 08, 2008

Libertação

Toda mulher tem algum problema estético. Basta reunir algumas e esperar a que diga primeiro: “preciso perder três quilos”. Pronto. É o que basta pra começar o rosário de insatisfações. Gordura, olheiras, roupas, unhas e cabelos, entre outros.

Os cabelos são a origem dos primeiros traumas de infância (e femininos) dos quais eu tenho lembrança. Meu cabelo, aliás, sempre foi o mais crespo da casa. Nem na família de minha mãe, uma morena clara de cabelos ondulados, ninguém conseguiu encontrar tanto volume e tanto cacho pixaim. Muito menos na família de meu pai, povoada de pessoas com cabelos claros e ralinhos (que eu sempre invejei).

Aos seis aninhos de idade, eu engolia seco a raiva de ver aquelas meninas da pré-escola com cabelos lisos e amarrados de todo jeito: rabo de cavalo, coque, xuquinhas (iguais às da Xuxa) ou soltos, in-su-por-ta-vel-men-te soltos, que se mexiam quando elas pulavam, dançavam ou apenas se moviam. Cabelos grandes e lisos, para mim, só se fossem as trancinhas do chapéu da festa junina.

Cabelos crespos não tinham muita solução nos anos 80. Era o Alisabel, a touca, os terríveis bobes ou a tesoura. Felizmente, minha mãe descartou o Alisabel (apesar dos meus pedidos). Mas ficou com todos os outros itens citados. Duas vezes por semana, ao menos, meus cabelos eram lavados, enrolados nos bobes malditos e, depois, esticaaaados todos de um mesmo lado da cabeça para serem presos com grampos e arrematados com aquela meia-calça velha e cortada. Os efeitos eram ilusórios, já que o cabelo permanecia curto, ou no estilo Valderrama ou na moda 80´s mullet. A próxima lavagem destruía o trabalho anterior e dava início a mais uma sessão deste ritual.

O surgimento de poderosas técnicas como o amaciamento ou o relaxamento aconteceu numa época em que eu já tinha uma relativa vontade própria: 13 para 14 anos. Era aquilo que eu ia fazer para conquistar o sonho do cabelo grande, que se movesse com o vento como aqueles das propagandas de xampu.

O cheiro era um horror, empesteava o salão todo. Mas o resultado, geeeente, aquilo me deixava com o cabelo menos volumoso, ainda com cachos, e capazes de crescer PARA BAIXO. Aquilo era muito mais libertador que a queima dos sutiãs. E dava um efeito melhor depois, garanto.

Durante 13 anos, fui à mesma cabeleireira, com medo de que o milagre não se repetisse em outras mãos. A quantidade absurda de cabelos provocava um desânimo sem tamanho na dona Rute, que nem sempre fazia o trabalho com o mesmo capricho. Aí, me rendi à escova progressiva com um outro cabeleireiro recém-descoberto. Os 13 anos de amônia no couro cabeludo levaram os cachos embora, mas não os cabelos, que continuavam volumosos e procurando o céu. Experimentei outra redenção, os cabelos lisos, meu sonho de infância.

Até ser convencida por uma amiga a fazer outro tipo de alisamento: a escova gradativa, sem formol, sem amônia, sem contra-indicação, tão boa que deve curar até resfriado.

Ainda estou sob o efeito dela. E, agora, preciso ter um secador – objeto com o qual eu nunca tive muita paciência, apesar de toda a saga aqui descrita.

Essa história também deve ter sido vivida por outras mulheres de cabelo abundante e ex-cacheado. Uma legião que, de tanto sofrer na frente do espelho, acordar sempre mais cedo para sair com uma aparência discreta e gastar litros e litros de creme pós-enxágüe, resolveu dar fim a essa vida trabalhosa para aderir a estes alisamentos que não deixam o cabelo com cara de “fui pixaim” e ainda rendem uns minutos a mais de sono toda manhã. E antes que me perguntem: sim, eu acho cabelos cacheados lindos. Nos outros, que têm paciência para enfrentá-los todos os dias.


Quinta-feira, Junho 05, 2008

Missiva

Queridos recifenses, em especial, torcedores do Náutico.
Venho, por meio desta, pedir-lhes uma forcinha para a final da Copa do Brasil na semana que vem. Aquela secadinha no time arqui-rival de vocês, que jogará na Ilha do Retiro.
O golzinho sofrido aos 45 foi só um sinal de que o Corinthians continuará sofrendo. Desta vez, com chances de ser feliz no final.
Como eu sei que para vocês aí nestas bandas tão importante quanto ver o Náutico ganhar é saber que o Sport perdeu, façam aquele pensamento positivo para o Acosta, ex-artilheiro do time.
Com a certeza de ter o meu pedido avaliado, despeço-me.
Atenciosamente.


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