É pública e notória (hmm, notória, será?) minha aversão ao Natal. A sensação de mau humor já estava desabrochando quando recebi o sábio conselho de uma amiga. “Cuidado. Desse jeito, você vai se tornar amarga”. Credo. Amargura é uma palavra feia. Lembra gente que nunca amou, riu ou festejou na vida. Prefiro continuar ácida a me tornar amarga, já que os dois sabores juntos são intragáveis.
Foi quando tentei olhar os enfeites da Paulista com os olhos de quem tem 20 anos a menos. E achei bonitas as luzes dos postes, assim como sorri ao ver as pessoas esperando os shows em frente aos bancos. Também vi com simpatia os enfeites nas bonitas casas dos arredores da Lapa. E gostei de encontrar pronto o presépio de casa, com os pisca-piscas e a lembrança de presépios anteriores montados pelo meu pai.
De tão legais, eles tinham até meus bonecos playmobil fazendo figuração. Era sempre uma grande vila, com pontes e laguinhos feitos com espelho e xadrez verde, que dava acesso à manjedoura do Menino Jesus, perto da Maria, do José, dos Reis Magos e das ovelhinhas que até bebiam água no lago de espelho.
Sempre cuidadosa e chata como uma filha única, eu tratava de fiscalizar a possível ação de vândalos (= crianças da mesma idade que eu) sobre a obra com um sonoro “não mexe aí que foi meu pai que fez! Ele fica brabo!”. (Na realidade, eu era a mais braba da história).
Talvez sejam essas as lembranças que me provoquem nesses dias uma tristeza que quero evitar nos próximos anos. Infelizmente, neste Natal a sensação chegou até a ser física, com um sono que não acabava nunca e um vocabulário reduzido, mesmo com a família divertida reunida.
Acho que, nessas horas, o que me anima mais é a perspectiva do recomeço. Na próxima semana, estaremos em um novo ano, com novas promessas, novas perspectivas, novas agendas e um sorriso no rosto quando durante a contagem regressiva e a virada de ano. Não sou apegada a simpatias, mas sou favorável a tudo o que ajude na renovação necessária das vidas.
Troquei as simpatias por uma (nova) viagem ao interior da Bahia. A mala não está pronta, mas minha cabeça já está na estrada e em todo o bem que ela me faz. De novo, tenho certeza de que tudo será melhor em 2009, inclusive aquilo que já é muito bom.
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Queridos, um feliz 2009 para todos. Sou grata por ter cada um de vocês em minha vida. Você que comenta, que não comenta e inclusive que nem lê estas linhas, mesmo me vendo sempre. Desejo muitos dias de festa, amor, confidências, gargalhadas, bons sentimentos e tudo o que possa atrair (e conservar) as boas companhias de nossas vidas.
Até o ano que vem!