Voltei ainda anteontem de uma viagem ao Pará e Amazonas, por conta de um frila de férias. "Profissão boa essa sua, hein?", tive que ouvir de todos os lados. "É, vem vc sentar aqui pra fazer 10 textos em tempo recorde e sem laptop", foi a resposta mental dada a todas as indagações.
Até agora, apenas três textos e meio estão prontos. Me internei no quarto, falo o mínimo com as pessoas da casa e choro mais prazo para poder dormir noites inteiras. Pior é que, a cada dois parágrafos, me distraio com as pesquisas no Google. O que era "Cultura do Marajó" vira "Suzan Boyle perde o Britain´s got Talent" ou "Stephany canta no Canecão com Preta Gil". Sem contar o msn. Mas ele não me atrapalha. Ao contrário. Me ajuda na ressocialização após quase um mês com poucas notícias.
Após ver cenários lindos que minha conta bancária sozinha não patrocinaria por tão cedo, testemunhei divertidas histórias que não serão aproveitadas nas matérias. Como o guia de uma praia linda do Pará que fala um monte de lorotas e não sabe lá muita coisa sobre a história do lugar - o homem é o próprio Forrest Gump. Já passou por todas as funções possíveis a alguém que conhece os ofícios de pesca. E também o motorista particular que parece ter sido treinado em uma lotação, não te fala bom dia e ainda ouve música evangélica (!) no talo (!!!), cantando em voz alta (!!!!!!!!!).
Vi também que não consigo viver longe de turmas. Era ver uns vizinhos de mesa e, daqui a pouco, estava lá eu na conversa, mesmo que fosse como ouvinte inicial. Daqui a pouco, eu já estava falando da minha família na Bahia, da delícia que é ir colher umbu na roça, das mangas, da tapioca que minha mãe faz... Ou então, me via falando do Corinthians, que vai ganhar a Copa do Brasil esse ano, e que Ronaldo é o cara. Ou respondia com algum "sorry, I´m brazilian", já que em muitos momentos me senti uma gringa no Norte.
Aliás, já haviam me dito que a estatura geral das pessoas nessa região era menor, o que me levou a observar um detalhe que pode ser invenção. As escadas tinham degraus menores que meus pés, que calçam 37, o número mais procurado nas lojas daqui (os pares de sapato sempre se esgotam rapidamente das lojas). O que me levava a pensar, geralmente com mau humor matinal: "isso aqui é escada de anão????"
O que eu tenho a dizer agora é que a elaboração dos textos está me dando uma canseira danada. Até pq eu vou ter que fingir que fiz alguns roteiros. O jornalismo tem dessas coisas. Mas, como missão dada é missão cumprida (já diria Capitão Nascimento), o jeito é acender uma vela e seguir em frente. De olho no prazo final.
Aceito orações e mentalizações positivas.
Também aceito convites para encher a cara até trançar as pernas depois que este período passar. Mesmo com o fim iminente das minhas férias.
3 comentários:
Boa sorte!!! Eu tenho certeza absoluta que vc vai dar conta! E vai rir e ficar satisfeita quando essa trabalheira toda acabar!
e eu q tive que fazer textos em PE e qdo mandava ninguém me respondia se estavam certos ou não? Nem um: ok, recebido, obrigada e continue aí trabalhando. Enfim, ossos do orifício ... sabia que vc estava cotada para ir e que bom q viu todos esses outros lados ... impagável querida ... isso é realmente impagável ! Lá em Fortaleza tb tive a percepção q tds eram mto pequenos pq as pixações na cidade iam até a metade dos muros e dentro dos quartos tudo era do meu tamanho .. rsrs beijos!
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