Domingo, Junho 14, 2009

São só palavras

Vanessa da Mata é uma das cantoras que mais gosto, e é das poucas que falam o que eu gostaria de dizer, ou o que já senti. Como “estou entregue a ponto de estar sempre só / esperando um sim ou nunca mais”, em Amado. Essa frase é só mais um exemplo de tantas. Não que eu esteja assim agora, esperando esse sim ou nunca mais pra seguir a vida. Mas ouvir me faz lembrar e me sentir grata por ter alguém que expressou em palavras e melodia o que eu já senti antes, mesmo sem saber como definir.


Isso vem acontecendo desde que uma faixa-bônus foi incluída em seu primeiro disco por ter feito parte de trilha de novela. Era uma regravação de uma canção já batida e conhecida na voz do Rei Roberto – a quem só chamo de rei agora, perto dos 30, veja só. E ela cantando que “até você voltar, meu bem, eu vou cantar essa nossa canção” me faz marejar os olhos até hoje, o que aconteceu na primeira vez em que vi um show da moça, no lançamento de “Essa boneca tem manual”.


O tom choroso pode ter sim a ver com mais uma passagem solitária pelo dia 12 desse mês, seguido do famoso dia de Santo Antônio – segundo minha mãe, o casamenteiro não é ele, mas sim São José, o pai adotivo de Jesus. Pra mim isso importou pouco, pq nunca fui apegada a promessas, nem nos tempos mais igrejeiros. Sempre achei as promessas um tipo de comércio, chantagem com o santo. Pedido de proteção é diferente, pq eles envolvem confiança e gratidão.


Tudo isso pra dizer que não, eu não fiz promessas pra passar o próximo dia 12 acompanhada. E nem fiquei assim deprimida qdo vi as centenas de reportagens sobre as dicas para o dia – até pq todas elas serão recicladas no ano que vem.

Tb já passei da fase de amaldiçoar as namoradas chatas, chaaaatas, que te vêem como uma grande ameaça e roubam seus amigos de você. Ou as fresquinhas que não gostam de colocar o pé no mato. Ou aquelas que têm crises de ciúmes dignas das novelas de Manoel Carlos. Ou aquelas que são tão delicadinhas e cuti cuti q dá vontade de arrancar um dente da frente, pra ver como se manifesta a delicadeza em um sorriso ventilado. E nem aquelas que, simplesmente, têm namorado. A vida não tem receita, já diria a Ceumar, outra que adoro, mas que não entra no setlist de hoje.


E, quando bater a raivinha, só me resta pular para outra música da própria Vanessa: Good Luck. Para everybody.




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