Um blog como todos os outros: impressões pessoais, abobrinhas, acontecimentos marcantes ou inúteis da vida. Sem divulgação, agora com identificação, mas sem grandes perpectivas. Por Vilma C. Balint.
"Vou-me embora para Pasárgada / Lá sou amigo do rei", disse Manuel Bandeira. Eu não sou poeta, mas em breve estarei em minha Pasárgada, num reino que não é necessariamente rico de ouro ou joias, mas que nessa época fica repleto de mangas rosas e doces, umbus, seriguelas, paisagem verdinha, açudes cheios, família feliz e ansiosa para contar histórias. Lá sim, eu sou amiga do rei.
Ainda não terei o homem que quero na cama que escolherei. Mas não é possível ter tudo ao mesmo tempo. Ainda.
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Alguém mais aposta os números de Lost quando resolve jogar a mega-sena? Ainda dá tempo de jogar a mega-sena da virada?
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Lá em Pasárgada não tem luzes de Natal, esqueci de dizer. Mas tem Natal do mesmo jeito.
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Se você não gosta de Zé Ramalho, pare por aqui mesmo e passeie pela imensidão da net.
Mas se você gosta, continue a leitura.
Alguém já ouviu a versão que deu origem a "Entre a Serpente e a Estrela", uma das músicas que trouxe Zé Ramalho de volta aos ouvidos do grande público, em 1992? Nesta época, com 12 aninhos, eu assistia Pedra sobre Pedra, via a abertura com as cenas da Chapada Diamantina e, lógico, nem imaginava que ainda ia ficar apaixonada por aquela imensidão no meio da Bahia. Opa, foco. Então. Tempos atrás, ouvi dizer que os produtores da trilha sonora da novela imaginaram que Zé Ramalho era o melhor nome para fazer uma versão nacional para Amarillo by Morning, um clássico do country americano composto por Terry Stafford e Paul Fraser em 1973.
Dizem as páginas listadas pelo Google, incluindo o Wikipedia, que a música é muito conhecida por aquelas bandas, é quase hino de rodeio e já foi gravada por metade do Texas (tá, essa parte eu inventei). Mas olha, preciso dizer que prefiro a tradução. Minha ignorância não consegue traduzir adequadamente a expressão "Amarillo by Morning", e eu nem achei na letra original algo que lembre que "ninguém tem o mapa da alma da mulher" ou que "não existe saudade mais cortante que a de um grande amor ausente / dura feito diamante / corta a ilusão da gente".
E aí que eu não sei porque fui chegar a este vídeo no youtube. Talvez porque tenha ouvido Zé Ramalho neste final de semana, enquanto os tios distraídos nem percebiam que eu dava um descanso para o sertanejo mega raiz de Liu e Léo.
Nos idos dos anos 1980, não havia TV por assinatura e a programação das emissoras após as 14h era preenchida com desenhos animados, que geralmente integravam algum programa infantil. Sonia Abrão só era colunista do Notícias Populares, não havia ex-BBBs, A Fazenda ou Geysis da vida.
Foi nessa época que conheci um dos desenhos mais marcantes para a minha infância: Snoopy, ou Turma do Charlie Brown, ou Peanuts, na versão original. Foi exibido pelo SBT de 1983 a 1987, ou seja, dos meus três aos sete anos. Eu parava tudo para assistir. E o tudo para uma criança de pelo menos cinco anos incluía andar de velocípede no quintal, espalhar brinquedos no chão, montar lego e tantas outras coisas necessárias a uma formação saudável.
Não sei se o desenho ainda é exibido hoje. Mas a versão que ficou na minha memória era aquela dublada pelos mesmos responsáveis pela dublagem do Chaves, como vi no blog Tiras Snoopy. A Lucy era Lúcia, a Sally era Isaura, o Linus era o Lino e o Charlie Brown, bem, ele continuava sendo o Charlie Brown, mas também era o Minduim, e só para a Patty Pimentinha. Ela, aliás, era chamada de "meu" pela Márcia, ou Marcie, e não de "senhor", como já vi em outras dublagens. O Halloween era o Dia de todos os Santos, e a Grande Abóbora não tinha muito contexto em uma época em que o Dia das Bruxas não estava na agenda das festinhas de escola. Mesmo assim, a gente sabia que o Lino a esperava ansiosamente, sempre com o inseparável cobertor azul.
Embora toda a narrativa fosse centrada no Charlie Brown, sempre acreditei que o astro principal do desenho era o Snoopy, o mais inteligente e esperto de todo o elenco, e o que motivava as viagens mais legais do desenho, como aquele em que ele resolvia sair de casa e se juntava aos cachorros do pólo norte que eram muito bravos, caçavam e trabalhavam de fato. Também nunca esqueci o dia em que o Snoopy entrou naquela casinha, e o mundo maravilhoso e mágico que havia naquele porão.
Mesmo assim, meu preferido ainda era o Lino com seu cobertor azul. Ele era responsável pelas tiradas mais sensatas dos episódios, mesmo com suas maneiras peculiares de analisar aquele mundo infantil. Como quando ele resolve escrever uma carta para a Grande Abóbora, e é ridicularizado por todos, até por Charlie Brown:
Charlie Brown: Quando é que você vai parar de acreditar em algo que não existe? Lino: Quando você parar de acreditar naquele cara com roupa vermelha e que faz ho, ho, ho.
(...)
Lino: Há três coisas que eu aprendi a não discutir com as pessoas. Religião, política e a Grande Abóbora.
São muitas e muitas as passagens do desenho que ficaram na minha memória, como o pianista Schroeder, que tinha um armário cheio de bustos de Beethoven, substituídos assim que Lucy quebrava um deles, a queda de braços entre Lucy e Snoopy, a desconhecida e onipresente Garotinha Ruiva, além, é claro, do blablablablablabalbla da professora - um som muito presente no mundo corporativo adulto, aliás.
Snoopy é pra se rever agora, perto dos 30, para entender porque eu sentia tanta saudade de um desenho que deve ter moldado boa parte do meu jeito meio Charlie Brown de ver a vida - embora existam dias em que eu juro ser a própria Lucy, ou tenha vontade de carregar o cobertor azul até o muro em que Lino e Minduim ficavam debruçados, refletindo sobre a existência.
Há tempos eu queria escrever sobre a obra-prima de Charlie Schulz. E foi um post do amigo Con no blog Sentido Aberto que trouxe de novo a nostalgia boa da década em que nasci. O texto é sobre jazz e tem link para a obra de Vince Guaraldi, pianista e compositor americano responsável pela trilha do desenho.
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As buscas por Snoopy, Charlie Brown e a dublagem do SBT me levaram ao blog Tiras Snoopy (Peanuts), excelente fonte de informação e dados, inclusive nos comentários (foi um dos comentários que deram a informação sobre a exibição do desenho). E aqui é possível saber mais sobre a dublagem que deu origem a pérolas como "Mas que puxa" ou "Que lástima!", feita pelo estúdio Maga, também responsável por Chaves e Chapolim.
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Acho que também vou fazer meus pedidos para a Grande Abóbora. Como a Libertadores 2010 para o Timão, por exemplo! Opa, o Palmeiras não estará, né? Que pena. (Riso contido. Não segurei. Gargalhada.)
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Para ouvir um pouco da trilha de Vince Guaraldi e saber quem é a Grande Abóbora, vai abaixo. Ah. Eu tinha um cobertor azul na infância...