Terça-feira, Julho 13, 2010

Consulta forçada

Eram 8h30 de uma segunda-feira, e eu estava apressada, mas até feliz por ter chegado cedo e rápido à Paulista.

Até alguém me atravessar para pedir uma informação.

- Oi, bom dia. Como eu faço pra entrar pela linha amarela do metrô?

Eu estava começando a abrir a boca pra responder e veio a metralhadora verbal.

- Você tem uma santa muito bonita na cabeça, vc é filha de Iemanjá. Não corte seu cabelo. Você cortou seu cabelo, não corte mais seu cabelo. Você tem namorado?

E eu, atônita e sem saber mto bem se corria ou se ficava:

- Não...

Foi a senha.

- Ih, minha filha, vc vai sofrer muito no amor. Aliás, vc só tem sofrido. Vc está longe de quem você gosta, não está? Está sim, que eu sei. A gente vê essas coisas. E quem se aproxima de você só quer se aproveitar e ir embora. A gente sente, dá pra ver. Você precisa limpar seu corpo, minha filha. Fizeram um trabalho com você e você nunca vai ser feliz se não limpar o seu corpo.

Permaneci paralisada, de olhos arregalados. Tudo aquilo em plena segunda, às 8h30 e enquanto eu achava que estava me recuperando da crise dos 30. O sujeito que parecia ter entre 40 e 50 anos, com aparência comum, mas doido pra arrumar alguém q lhe desse trabalho aquele dia, tentou dar o golpe final.

- Você tem mãe, né?

- Tenho sim, graças a Deus.

- Então cuida dela, minha filha. Ela tem problema de cansaço, estresse, fadiga e problema de pressão.

- Não, minha mãe não tem nada disso. Ela está ótima.

- Tem sim, a gente vê.

E recomeçou a metralhadora.

- A gente consegue ver tudo, pena que vocês têm medo da gente. Eu tenho certeza que você procurava alguém espírita pra conversar, para falar sobre isso. Limpa seu corpo, minha filha, e faz isso urgente. Pena que você está com pressa.

- Estou mesmo. Estou atrasada. Olha, a entrada para a linha amarela é na Consolação, siga em frente, por favor.

O pai de santo que procura clientes na rua não levou meu dinheiro, mas levou a minha paz naquela manhã. O charlatão também roubou aquela meia horinha que eu teria a mais para adiantar um monte de coisa no trabalho. Ela se dissipou no meio de tanta desgraça prevista. E me fez acreditar que eu sou mesmo um para-raios de malucos.

Tudo serve para alguma coisa na vida. Pode ser que eu estava vulnerável - a manhã é a pior parte do meu dia. Pode ser que eu tinha cara de trouxa mesmo. Mas fica o aviso: pai de santo que te atravessa na rua às 8h30 da manhã pra dizer que você tá mais ferrada do que parece só quer o teu dinheiro. Se puder, dê informações erradas. Se ele vê tanta coisa, pq precisa perguntar o nome de uma rua?



3 comentários:

Larissa Saram disse...

Hahahahahahahaha
Ai Vilmet´s, não deu pra não rir. Também já fui parada na rua, mas foi por uma cigana. Eu fiquei com medo, sabia!?
beijos

Larissa Saram disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sweet! disse...

Ai, foi mal, eu ri. Com a primeira parte do post, lógico!
Bj!