Eram 8h30 de uma segunda-feira, e eu estava apressada, mas até feliz por ter chegado cedo e rápido à Paulista.
Até alguém me atravessar para pedir uma informação.
- Oi, bom dia. Como eu faço pra entrar pela linha amarela do metrô?
Eu estava começando a abrir a boca pra responder e veio a metralhadora verbal.
- Você tem uma santa muito bonita na cabeça, vc é filha de Iemanjá. Não corte seu cabelo. Você cortou seu cabelo, não corte mais seu cabelo. Você tem namorado?
E eu, atônita e sem saber mto bem se corria ou se ficava:
- Não...
Foi a senha.
- Ih, minha filha, vc vai sofrer muito no amor. Aliás, vc só tem sofrido. Vc está longe de quem você gosta, não está? Está sim, que eu sei. A gente vê essas coisas. E quem se aproxima de você só quer se aproveitar e ir embora. A gente sente, dá pra ver. Você precisa limpar seu corpo, minha filha. Fizeram um trabalho com você e você nunca vai ser feliz se não limpar o seu corpo.
Permaneci paralisada, de olhos arregalados. Tudo aquilo em plena segunda, às 8h30 e enquanto eu achava que estava me recuperando da crise dos 30. O sujeito que parecia ter entre 40 e 50 anos, com aparência comum, mas doido pra arrumar alguém q lhe desse trabalho aquele dia, tentou dar o golpe final.
- Você tem mãe, né?
- Tenho sim, graças a Deus.
- Então cuida dela, minha filha. Ela tem problema de cansaço, estresse, fadiga e problema de pressão.
- Não, minha mãe não tem nada disso. Ela está ótima.
- Tem sim, a gente vê.
E recomeçou a metralhadora.
- A gente consegue ver tudo, pena que vocês têm medo da gente. Eu tenho certeza que você procurava alguém espírita pra conversar, para falar sobre isso. Limpa seu corpo, minha filha, e faz isso urgente. Pena que você está com pressa.
- Estou mesmo. Estou atrasada. Olha, a entrada para a linha amarela é na Consolação, siga em frente, por favor.
O pai de santo que procura clientes na rua não levou meu dinheiro, mas levou a minha paz naquela manhã. O charlatão também roubou aquela meia horinha que eu teria a mais para adiantar um monte de coisa no trabalho. Ela se dissipou no meio de tanta desgraça prevista. E me fez acreditar que eu sou mesmo um para-raios de malucos.
Tudo serve para alguma coisa na vida. Pode ser que eu estava vulnerável - a manhã é a pior parte do meu dia. Pode ser que eu tinha cara de trouxa mesmo. Mas fica o aviso: pai de santo que te atravessa na rua às 8h30 da manhã pra dizer que você tá mais ferrada do que parece só quer o teu dinheiro. Se puder, dê informações erradas. Se ele vê tanta coisa, pq precisa perguntar o nome de uma rua?
3 comentários:
Hahahahahahahaha
Ai Vilmet´s, não deu pra não rir. Também já fui parada na rua, mas foi por uma cigana. Eu fiquei com medo, sabia!?
beijos
Ai, foi mal, eu ri. Com a primeira parte do post, lógico!
Bj!
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