Sim, eu passei por muitas fases.
Já tive a fase dos Raimundos, que acabou logo depois do hit Mulher de Fases (que não inspirou, necessariamente, este post). Isso foi na adolescência, entre os 14 e os 16. Época em que, aliás, vivi algumas das fases mais questionáveis da vida. (Ainda bem que Restart não existia nesta época).
Já foi também a fase dos relaxamentos capilares, pra fazer o cabelo crescer pra baixo, sem contrariar a lei da gravidade.
Agora, é a fase da Escova Gradativa, que nem formol tem.
Passei também pela época do cabelo comprido, bem grandão.
Agora, acho que ele está bem melhor curto - e estou com vontade de tesourar ainda mais.
Já teve a fase da unha clarinha. Mas ela durou pouco, desde que eu descobri que todos os vermelhos possíveis combinam muito melhor com minha pele clara.
Passei também pela época de ler muitos livros de um só autor, na sequência. Assim foi com Machado de Assis (seis livros) e Guimarães Rosa (três e meio – o “meio” é Primeiras Estórias, do qual eu desisti após reler sucessivamente as mesmas páginas pra entender os diálogos. Mas isso não me faz gostar menos do escritor, que fique claro).
Também foi com Garcia Márquez, em especial com Cem Anos de Solidão. Li duas vezes. Não me arrependi.
E leria de novo Amor nos Tempos do Cólera, se o livro estivesse em casa.
Estou na fase de encantamento por Pablo Neruda.
Além de, volta e meia, citar qualquer fato ocorrido no Chile em minhas conversas.
Passei também pela fase dos amores platônicos. Não foram muitos, pois eles duraram um tempo maior que o necessário.
E um tempo mais do que suficiente para que eu boicotasse os amores verdadeiros.
Volta e meia, vêm as fases da culpa. E elas chegam por qualquer razão.
Na fase dos amores platônicos, era a culpa por ter idealizado alguém. E era geralmente alguém tão perfeito, tão lindo, tão simpático, tão, tão... Que não existia de verdade.
E, quando eu me deparava com quem de fato existia, a decepção chegava acompanhada da culpa – por ter sido tão boba de idealizar, por não ter olhado o mundo real, por não ter reparado nas evidências, por tanta coisa...
Mas, felizmente, tenho conhecido a fase de mandar a culpa embora. Não, uma ação nossa não é capaz de mudar tanta coisa assim. Então, pra quê tanta culpa?
Apesar de sempre gostar de rock, tive sim a fase do pagode dos anos 90. Eu poderia omitir este fato, é verdade. Mas seria impossível negá-lo.
E também teve a fase do Madame Satã. Era o lugar mais divertido do mundo para se ir com uma turma depois de muitos goles a mais.
Agora, é a fase do Autobahn – só pra dançar - e do Diquinta, pra dançar muito e rir com todas as histórias hilárias vividas naquela pista.
Já tive a fase dos tênis – embora sempre fosse alheia às marcas. Sim, eu queria usá-las na adolescência. Mas ou eu não tinha dinheiro, ou só conhecia as marcas “ultrapassadas” (sempre tive um pé fora da realidade do consumo. Ou da realidade do mundo. Já contei que me apelidaram de autista em um dos meus milhares de empregos? E que, pior, eu sempre achei isso engraçado?).
Já passou a fase da revolta com a vida, que é cíclica, pensando bem. Já foi a revolta de não conseguir um emprego decente por não ter indicações influentes, ou por perder pai tão cedo, ou por ter que trabalhar demais para conseguir algumas coisas.
Já houve fases também em que a revolta virou tristeza, conforme os 30 se aproximavam.
E já passei pela fase de pensar que só a tristeza poderia produzir bons textos. Não que este texto aqui seja um primor. Mas não foi escrito no auge de um sentimento horroroso de tão dolorido, como tantos outros deste blog.
Já tive a fase de achar que cada folha caída no chão era um sinal. Hm, pensando bem, essa fase não deve ter passado.
E eu nem cito como fases o fato de fazer diversas observações sarcásticas diariamente, em qualquer lugar. Isso é característica que já veio no pacote.
Pensando bem, são muitas as fases para quem se diz sempre tão estável. Isso porque eu nem citei aquelas pelas quais eu gostaria de passar ainda.
E aí, depois dessa confissão em tópicos, o jeito é pensar no aprendizado que estas fases me renderam, já que todas elas foram vividas em plenitude.
Inclusive a do pagode dos anos 90.
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