Músicas caipiras, dessas beeem caipiras mesmo (sem gritarias ou universitários) me provocam uma nostalgia estranha, mas não necessariamente ruim. Elas me lembram o rádio ligado de madrugada aqui em casa, quando minha mãe fazia o café para meu pai antes dele ir trabalhar. Na mesma casa, o mesmo rádio ligado anos depois, quando eu mesma precisava sair com o dia ainda escuro. "Esses programas da madrugada tem as melhores músicas, filha. Quando eu era criança, sabia isso tudo", sempre diz minha mãe, ligada nos 220V mesmo antes das 6h da manhã. "Mas depois a idade vem, os problemas também, e a gente esquece disso tudo..." também sempre diz uma saudosa dona Maria, a qualquer horário, e também antes de o dia amanhecer.
Essa trilha embalada a viola de 12 cordas também me faz lembrar das frequentes idas ao interior da Bahia, quando TV a cores era item de luxo e TV em preto e branco ainda era novidade. Meu pai levou pra lá uma dessas em meados dos anos 80. E toda a criançada da rua se reuniu para assistir Chaves. Só que a pobre PB não resistiu e pifou em seguida. Voltamos todos a ouvir o Motorádio ou as fitas-cassete, com o melhor de Lourenço e Lourival, Liu e Léo e outros parecidos ou curiosos, que eu não vou lembrar agora (mas que meu tio do Carrão certamente sabe).
E essa nostalgia foi reforçada pelo final do ano e a passagem já comprada para ir à Bahia. Cada vez mais eu tenho a certeza de que não podemos nos esquecer de onde viemos. E que, mesmo que eu queira ir além, uma olhada pra trás nos faz ter muito orgulho do caminho percorrido. Não quero ser como aqueles que fizeram um caminho lindo, mas depois se envergonham das trilhas nas quais caminharam e tentam esquecê-las. Eu não sou assim. Felizmente.
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Amanhã eu vou buscar "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector, e estou ansiosa para ter logo o livro em minhas mãos. Pelo jeito, vou me empolgar.
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