Músicas caipiras, dessas beeem caipiras mesmo (sem gritarias ou universitários) me provocam uma nostalgia estranha, mas não necessariamente ruim. Elas me lembram o rádio ligado de madrugada aqui em casa, quando minha mãe fazia o café para meu pai antes dele ir trabalhar. Na mesma casa, o mesmo rádio ligado anos depois, quando eu mesma precisava sair com o dia ainda escuro. "Esses programas da madrugada tem as melhores músicas, filha. Quando eu era criança, sabia isso tudo", sempre diz minha mãe, ligada nos 220V mesmo antes das 6h da manhã. "Mas depois a idade vem, os problemas também, e a gente esquece disso tudo..." também sempre diz uma saudosa dona Maria, a qualquer horário, e também antes de o dia amanhecer.
Essa trilha embalada a viola de 12 cordas também me faz lembrar das frequentes idas ao interior da Bahia, quando TV a cores era item de luxo e TV em preto e branco ainda era novidade. Meu pai levou pra lá uma dessas em meados dos anos 80. E toda a criançada da rua se reuniu para assistir Chaves. Só que a pobre PB não resistiu e pifou em seguida. Voltamos todos a ouvir o Motorádio ou as fitas-cassete, com o melhor de Lourenço e Lourival, Liu e Léo e outros parecidos ou curiosos, que eu não vou lembrar agora (mas que meu tio do Carrão certamente sabe).
E essa nostalgia foi reforçada pelo final do ano e a passagem já comprada para ir à Bahia. Cada vez mais eu tenho a certeza de que não podemos nos esquecer de onde viemos. E que, mesmo que eu queira ir além, uma olhada pra trás nos faz ter muito orgulho do caminho percorrido. Não quero ser como aqueles que fizeram um caminho lindo, mas depois se envergonham das trilhas nas quais caminharam e tentam esquecê-las. Eu não sou assim. Felizmente.
***
Amanhã eu vou buscar "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector, e estou ansiosa para ter logo o livro em minhas mãos. Pelo jeito, vou me empolgar.
Um blog como todos os outros: impressões pessoais, abobrinhas, acontecimentos marcantes ou inúteis da vida. Sem divulgação, agora com identificação, mas sem grandes perpectivas. Por Vilma C. Balint.
Sábado, Dezembro 11, 2010
Domingo, Dezembro 05, 2010
Os novos 20
Os 30 são os novos 20, eu já ouvi dizer.
Acho que isso até anda se aplicando em meu caso. Apesar de que o corpo reclama de um jeito que passaria despercebido aos 20. Baladas ou compromissos seguidos em dois finais de semana ou em três dias seguidos da semana consomem muito mais do que antes.
Mas é fato que a gente aproveita de uma maneira bem melhor que aos 20. Eu acho.
Isso é um indício de cura da crise dos 30. Em pleno final do ano, já estou começando a achar que estou na melhor fase de minha vida. Até agora.
***
Outro indício de cura: os enfeites de Natal da Paulista agora me causam admiração, e não mais amargura ou aquela tristeza sem fim. Já acho os enfeites bonitos sem precisar me esforçar tanto para isso. E não estou sentindo aquela tristeza natalina tão horrorosa de anos anteriores. Passei quase 10 anos com mto receio de como ia me sentir no Natal. Nesse ano, ele chegou e eu estou, finalmente, feliz.
Pode ter sido a terapia iniciada há alguns meses, posso ter sido a mudança de pontos de vista, pode ter sido o fato de eu me culpar menos pelas coisas que não posso mudar. Pode ter sido o botão do "foda-se" apertado mais vezes, bem como pode ter sido o fato de ter conseguido realizar o sonho da viagem ao Chile por conta própria e sozinha, depois de uns 7 anos de pesquisas e algum planejamento que só foi levado a sério no final do ano passado.
Ainda que tenha sido culpa apenas de alguma conjunção astral prevista ou não pelo Personare, alguma coisa trouxe de volta aquela menina de 17 anos, sem aquela teimosia ou chatice da adolescência. Quer dizer, eu acho. Pelo menos por agora, sinto que não preciso mais me lamentar por aquela frase do Oswaldo Montenegro, que ia e voltava da minha cabeça: "quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você". Neste caso, não foram defeitos e nem foram sanados com o tempo. Ficaram escondidos, à espera de oportunidade para voltarem à tona.
Acho que isso até anda se aplicando em meu caso. Apesar de que o corpo reclama de um jeito que passaria despercebido aos 20. Baladas ou compromissos seguidos em dois finais de semana ou em três dias seguidos da semana consomem muito mais do que antes.
Mas é fato que a gente aproveita de uma maneira bem melhor que aos 20. Eu acho.
Isso é um indício de cura da crise dos 30. Em pleno final do ano, já estou começando a achar que estou na melhor fase de minha vida. Até agora.
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Outro indício de cura: os enfeites de Natal da Paulista agora me causam admiração, e não mais amargura ou aquela tristeza sem fim. Já acho os enfeites bonitos sem precisar me esforçar tanto para isso. E não estou sentindo aquela tristeza natalina tão horrorosa de anos anteriores. Passei quase 10 anos com mto receio de como ia me sentir no Natal. Nesse ano, ele chegou e eu estou, finalmente, feliz.
Pode ter sido a terapia iniciada há alguns meses, posso ter sido a mudança de pontos de vista, pode ter sido o fato de eu me culpar menos pelas coisas que não posso mudar. Pode ter sido o botão do "foda-se" apertado mais vezes, bem como pode ter sido o fato de ter conseguido realizar o sonho da viagem ao Chile por conta própria e sozinha, depois de uns 7 anos de pesquisas e algum planejamento que só foi levado a sério no final do ano passado.
Ainda que tenha sido culpa apenas de alguma conjunção astral prevista ou não pelo Personare, alguma coisa trouxe de volta aquela menina de 17 anos, sem aquela teimosia ou chatice da adolescência. Quer dizer, eu acho. Pelo menos por agora, sinto que não preciso mais me lamentar por aquela frase do Oswaldo Montenegro, que ia e voltava da minha cabeça: "quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você". Neste caso, não foram defeitos e nem foram sanados com o tempo. Ficaram escondidos, à espera de oportunidade para voltarem à tona.
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