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Então, eu viajei. Minha segunda viagem sozinha ao exterior foi uma epopeia. Bodeei de Mendoza, me apaixonei por Buenos Aires e agora faço planos de voltar a Montevideu no verão. Antecipei minha volta e, com isso, ganhei mais dívidas, mas continuei praticando o meu sagrado direito à liberdade. Depois de bodear por ficar dias demais em Mendoza, quis encurtar a passagem pelas outras cidades para aproveitá-las ao máximo e ficar com vontade de voltar. Foi a melhor coisa que fiz.
Conheci gente bacana, gente muito bacana, gente esquisita e gente q eu evitei. Foi uma viagem menos harmônica, digamos, que a viagem para o Chile no ano passado, onde tudo correu de maneira perfeita. Esse período foi marcado por alguns imprevistos: sapatos arrebentados (sim, plural), fotos perdidas, compras adicionais e planos não realizados (quer dizer... intenções não realizadas). E justamente os lugares para os quais menos me planejei foram os que mais me surpreenderam.
Eu confesso que não entendia muito bem a razão de todos morrerem de amores por Buenos Aires. Por isso, não tinha taaanta vontade de ir pra lá. Acabei indo para cumprir tabela. Ao andar pelas largas calçadas e avenidas portenhas, entendi o encanto. Ainda não sei explicar, só sei que entendi. Acho até que, inconscientemente, deixei de visitar lugares recomendados só pra ter a desculpa de voltar, como a Recoleta, por exemplo.
Eu até quis aproveitar a cidade durante o dia. Mas não consegui como gostaria. A noite não deixou. E levei vida de magnata nos almoços e jantares. Gastei mais do que devia, é fato. Mas valeu à pena.
Atravessei o Rio da Prata para Colonia del Sacramento com muitos torcedores uruguaios que comemoravam a (merecida) vitória na Copa América. Aprendi o hino da Celeste (soy celeste / soy celeste / celeste soy yo) e só não cantei pq fiquei com vergonha. Tirei em Colonia as mais belas fotos dessa viagem, sempre sorridente e feliz com uma cidadezinha tão linda, com uma relação tão próxima do Rio da Prata.
(E aí eu pensei em como eu admiro cidades que tenham uma boa relação com rios ou com o mar. E como isso me faz falta, apesar de nunca ter vivido essa realidade, de fato.)
Em Montevidéu, tive vida mais tranquila, e fui presenteada com uma noite de chuva quando o que eu mais precisava era dormir. E também me apaixonei pela cidade, com a importante colaboração do povo uruguaio. São educados, amáveis, gentis, e tudo isso de verdade, sem formalidades ou escorregões que revelam estupidez (como no caso de alguns vários argentinos). E são lindos. Gente. Era homem bonito na rua, no ônibus, no balcão de loja, de restaurante... E eu volto pro Uruguai. Mas no verão, para poder andar mais pelas ramblas, sem precisar me defender do vento frio.
Nesse período, conheci muita gente, mas também fiquei um bom tempo sozinha, com várias reflexões sobre a vida. Sobre as coisas q eu suporto e também sobre o que eu não tolero mais, sobre os nossos limites e bloqueios (consegui falar inglês, por exemplo, coisa q sempre me deu pânico), sobre as nossas escolhas e também as pessoas que atraímos para nossa convivência. Não cheguei a conclusões fechadas, e nem viajei para isso. Mas vi muita coisa com mais clareza. Fruto da terapia, do pós-30, das férias, de uma cabeça mais fresca, talvez.
Uma das poucas conclusões às quais cheguei é que eu trabalho para pagar viagens. Não é preciso dizer que já estou pensando na próxima.
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Novamente, foram muitas e excelentes as companhias deste período: desde a portuguesa que "desaportuguesou" o sotaque para ser entendida durante o tempo que viveu no Brasil, passando pelo carioca que resolveu ir pra Buenos Aires sozinho, no auge dos seus 19 anos e com uma maturidade incomum aos jovens da mesma idade, sem deixar de citar a companheira de quarto em Montevidéu q era 1- assessora de imprensa, 2- estudante da Cásper, 3- torcedora do Corinthians e 4- (e mais importante) moradora de Pirituba!
Também não posso deixar de citar a Mafalda, de Quino. Os três livrinhos comprados na feira de San Telmo, em Buenos Aires, foram de grande valia para os poucos momentos de ócio, e me fizeram entender pq tta gente adoora a pequena menina de oito anos, politizada sem ser chata e com inteligência acima da média. Quero continuar lendo mais da Mafalda. Mas em espanhol, claro. Porque eu sou fresca mesmo.
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